A Águia

Revista mensal de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social, importante órgão da Renascença Portuguesa.

Foi publicada entre os anos 1910 e 1932, conhecendo a sua fase áurea entre 1912-1916 sob a direcção de Teixeira de Pascoaes, "o teorizador do saudosismo metafísico".

A Águia alinhou princípios sob o denominador-comum do nacionalismo literário, e nela convergem tendências divergentes: Pascoaes e Leonardo Coimbra evoluem na direcção do sobre-realismo, Mário Beirão para o Simbolismo, Jaime Cortesão, Augusto Casimiro que irão depois entregar o grupo de "Seara Nova" -, Afonso Lopes Vieira evoluiu para o esteticismo neogarrettiano, Veiga Simões para o Impressionismo e o sarcasmo, Augusto Santa Rita e Ronald de Carvalho para o simbolismo delirante, caricatural, fértil em sinestesias, perto do futurismo de "Orpheu". Características comuns ao grupo são a preocupação musical (aliterações e onomatopeias) e o abuso de maiúsculas (Beleza, Coisas, Criaturas, etc.)

Outros nomes importantes no panorama cultural da época foram também colaboradores da revista: salientam-se Mário Sá-Carneiro (com passagem efémera pelo Modernismo), Fernando Pessoa (o "lúcido crítico da revista"), Afonso Duarte, António Cobeia, João de Barros, Sampaio Bruno, Teixeira Rego, o pintor António Carneiro (director artístico da revista), Armando Corte Rodrigues e ainda correspondentes estrangeiros (como Philéas Lebesgue em Paris e Miguel de Unamuno em Salamanca).

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