Existencialismo

O existencialismo é uma corrente filosófica com alguns pontos de ancoragem na ideologia de Kierkegaard. Os existencialistas não têm um pensamento unificado, dividem-se por várias escolas, nomeadamente, as de Jaspers, Gabriel Marcel, Sartre.

A grande separação entre a filosofia existencial e a clássica é a «oposição entre o concreto e o abstracto». Nesta corrente filosófica, as concepções não se formam como consequência de um raciocínio mas como uma escolha antecipada. «É impossível lutar com o que a alma escolheu -Zeromski».

O método fenomenológico de Husserl surgiu como instrumento metodológico comum a alguns existencialistas na medida em que afasta o pensamento de um mundo concebido antecipadamente.

Foi Heidegger que conduziu a fenomenologia ao primeiro sistema existencialista por este ser uma redução do pensamento de Descartes, Feuerbach e outros. Segundo a fenomenologia, a consciência está evidentemente só. A vida não é mais que um dado desta, do mesmo modo, a lógica, a história, o futuro não são mais do que dados de uma consciência a que nem sequer podemos apelidar de «nossa» uma vez que não passa de um dado da consciência definitiva à qual não resta senão julga-se a si própria.

Esta teoria, vem fundamentar a concepção que Sartre tem do homem :o homem não é um ser em si mas um ser para si.

Em suma, a fenomenologia é uma análise da noção mais profunda, a última, do fenómeno. Assim, o existencialismo é a descrição mais profunda e definitiva dos nossos dados relativos à existência.

Assim sendo, a filosofia, deixa de ter no centro as coisas passando à filosofia do ser, fazendo surgir três diferentes tipos de ser:

1.O Ser em si (ser das coisas).

2.O Ser para si (ser da consciência morta).

3.Seres vivos e Seres existentes.

Dentro desta ideologia, os homens que vivem de um modo inconsciente não têm existência. O homem não é nada além do que se vê.

Segundo Sartre,«Sou livre, sinto-me livre. Logo, tenho sempre a possibilidade de escolher. Esta escolha é limitada porque o homem encontra-se sempre numa situação e só pode escolher dentro dessa situação. Exemplo: posso ficar na cama ou caminhar, mas não posso escolher voar porque não tenho asas. Há uma livre escolha pela qual o homem é responsável. Se me recusar a escolher entre duas possibilidades, isso é também uma maneira de escolher uma terceira atitude. Se não quisermos escolher entre o comunismo e o anticomunismo, há a neutralidade.»

Em suma, o existencialismo é a consequência de um facto fundamental da ruptura interior da consciência que se manifesta não apenas nas qualidades essênciais do homem mas na física, onde temos dois meios de conceber a realidade.

Qualquer escolha pode ser autêntica aproximando o indivíduo da origem porque para se escolher tem de se ter liberdade para o fazer.E, embora o indivíduo seja livre, essa liberdade tem de ser encarada como limitada e finita, associada a uma óbvia negatividade porque o homem não é livre de ser livre de não escolher.

Segundo a ideologia deste pensador, o homem está condenado a ser livre e é essa será a sua maior condenação.

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