Geração de 1870

Os movimentos do Fontismo e da Regeneração acentuaram os desequilíbrios económicos crónicos da sociedade portuguesa. As dívidas ao estrangeiro contraídas para pagar as infra-estruturas, agravam a situação económica (no fim da Regeneração o País estava na falência); o falseamento das instituições, a astúcia dos políticos, a fraude e a corrupção do poder político; são os condimentos que contribuem para uma degradação acentuada do estado da Nação. Acresce ao panorama o predomínio da mentalidade rural sobre a urbana; a indústria moderna não se desenvolveu, a concorrência estrangeira derrubou a fraca indústria portuguesa e nos campos a situação era aflitiva, com o consequente aumento de emigração, sobretudo para o Brasil.

Nas Artes e nas Letras persistiu a falta de apoio que agravou as difíceis condições de vida dos Artistas. Os escritores precisavam da protecção do Estado, e este oferecia importantes cargos no Governo em troca do "controlo da pena" - e daqui surge a chamada "literatura oficial".

Grupo de jovens intelectuais do final do século XIX liderado ideologicamente por Antero de Quental e José Fontana e do qual fizeram parte alguns dos maiores escritores da História da Literatura portuguesa, como Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Téofilo Braga e Guerra Junqueiro, formou o essencial da chamada geração de 70.

Iluminados por ideias inovadoras que beberam da cultura europeia, sobretudo da francesa, irão opôr-se a um governo monárquico cada vez mais contestado nos finais da centúria. Racionalistas, herdeiros do positivismo de Comte, do idealismo de Hegel e do socialismo utópico de Proudhon e Saint-Simon, protagonizaram uma autêntica revolução cultural no nosso País, agitando consciências e poderes estabelecidos. São disso exemplo a Questão Coimbrã e as Conferências do Casino. Esta revolução cultural acabou por desembocar numa revolução política: a instauração da República, a 5 de Outubro de 1910.

É contra todas estas condições (que contrastavam com o avanço no resto da Europa) que surge a Geração de 70, um grupo de estudantes universitários coimbrãos que, por volta de 1865, se insurge sobretudo contra o exagero caduco e balofo do gosto ultra-romântico, contra o monopólio de António Feliciano de Castilho.

Antero de Quental chamou à escola de Castilho a "Escola do Elogio Mútuo", já que os seus membros passavam o tempo a elogiar-se mutuamente, para prestígio do grupo. A Geração de 1870 defende uma maior abertura à cultura europeia, e uma reforma do País, sobretudo a nível cultural.

Denota-se no grupo a influência do socialismo utópico com laivos republicanos e uma influência francesa muito forte, de pendor anti-clerical As facetas comuns à modernidade do século XIX também estão presentes, nas facetas racionalista e positivista, ao estilo de Augusto Comte, e na prevalência dos valores expressos em obras como as "Origens do Cristianismo", de Renan.

Destacam-se como membros principais da Geração de 1870 Antero de Quental, Teófilo Braga, Eça de Queirós e Guerra Junqueiro, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Jaime Batalha Reis, entre outros.

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