A Geração de 1950

"A minha geração fugiu à guerra

Por isso a paz que traz não tem sentido"

in Mancha Solar, António Manuel Couto Viana

A geração de 50 foi marcada pela indiferença, pela aceitação, pela revolta, pela angústia e uma oposição clara ao fascismo salazarista.

À prática da leitura de ingleses, norte-americanos, franceses e brasileiros, acrescenta-se a leitura de poetas alemães, espanhóis, sul-americanos, italianos, russos, gregos e nipónicos. Manifesta-se em simultâneo um interesse pelo conhecimento pela nossa própria tradição poética. Estes dois aspectos confluem numa tensão dialéctica entre o presente (a vasta informação e cultura acerca das correntes poética estrangeiras contemporâneas) e o passado.

Quase todos os poetas desta geração se reflectiram no chamado «sobre-realismo», não apenas na utilização frequente do humor, do automatismo, do predomínio da imagem em liberdade, mas também na "confusão ardente com a vida", que caracteriza um dos aspectos predominantes na poesia surrealista.

Na década de 50 apareceram os primeiros livros de alguns dos poetas que mais tarde se afirmariam: Sebastião da Gama, António Manuel Couto Viana, Natália Correia e Fernando Guedes.

Acentuou-se a tendência de os poetas se agruparem e editarem em conjunto a sua produção literária, reunindo-a em pequenas brochuras de periodicidade incerta. Em inúmeras páginas literárias de jornais, iam surgindo novos nomes que manifestavam a existência de uma situação histórica e social comum. Este hábito, que depressa se tornou frequente, tinha a vantagem de resolver as dificuldades editoriais de muitos jovens autores.

Entre outras edições periódicas, destacam-se:

Aqui e Além (5 números - 1945/1946)

Távola Redonda (20 números - 1950/1954) - na qual Sebastião da Gama participou.

Cadernos de Poesia (1ºsérie 5 números, 1940/1942; 2ºsérie 7 números, 1931)

Serpente (3 números, 1951)

Árvore (4 números, 1951/1953 - na qual Sebastião da Gama participou))

Eros (15 números, 1951/1958)

Contraponto (2 números, 1952)

Sísifo (4 números, 1952)

Bandarra (88 números, 1953/64)

Cassiopeia (1 número, 1955)

Búzio (1 número, 1956)

Graal (4 números, 1956/1957)

Notícias do Bloqueio (9 números, 1957/1962)

Pirâmide (3 números, 1958/1959)

Folhas de Poesia (4 números, 1957/1958)

Cadernos do meio-dia (5 números, 1958/1960)

Coordenada (2 números, 1958/1959)

Tempo Presente (27 números, 1959/1961)

Cidadela (2 números, 1959)

Sibila (1 número, 1961)

Exôdo (2 número, 1961)

Poesia e Tempo (1 número, 1962)

Alexandre Pinheiro Torres, António José Maldonado, António Ramos Rosa, Fernando Guimarães, Fernando Lemos, Luís Amaro, António Norton, António Quadros, Eduíno de Jesus, Fernando Echevarria, Jaime Salazar Sampaio, João Apolinário, Jorge Amorim, Salette Tavares, são alguns dos, poetas que participaram nas publicações periódicas já mencionadas.

Escreveu Sebastião da Gama, sobre a sua geração:

"…o Artista verdadeiro apenas responde às vozes que chamam dentro de si - o que não quer dizer que essas vozes não tenham sido caldeadas em muitas vozes exteriores. (…) nós não temos por programa senão Honestidade, Independência, Respeito á Arte e á Vida: mas são coisas que cremos".

In Vinte Poetas Contemporâneos,

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