Neo-Realismo

Entre os nomes maiores do neo-realismo português destacam-se Afonso Ribeiro, António Alves Redol, Sidónio Muralha, Armindo Rodrigues, Mário Dionísio, João José Cochofel, Joaquim Namorado, José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Fernando Namora, Fernando Monteiro de Castro Soromenho, Virgílio Ferreira (já na transição do Neo-Realismo para o Existencialismo do decénio de 50).

O movimento neo-realista pode considerar-se fruto da crise económica de 1929, e em Portugal está associado ao movimento de resistência democrática à ditadura salazarista. Iniciado na década de 30 esta nova tendência para a literatura de crítica social, revaloriza o Realismo novecentista.

As primeiras manifestações neo-realistas surgem em revistas juvenis como "Outro Ritmo"(Porto, 1933), "Gleba" (Lx, 1934), "Gládio" (Lx, 1935), "Ágora" (Coimbra, 1935), "O Diabo" (1934-40), "Sol Nascente" (1937-40), "Altitude" (1939), "Síntese" (1939-40) e "Pensamento" (Porto, 1939-40). Também em revistas como "Seara Nova", "Presença", "Manifesto", "Portucale". Com o início da Segunda Guerra Mundial surgem título de índole neo-realista como "Ilusão na Morte" (Afonso Ribeiro, 1938), "Sinfonia de Guerra" e "A Arte e Vida" (António Ramos de Almeida, 1939, 1940), "Rosa dos Ventos" (Manuel da Fonseca, 1940), "Corsário" (Álvaro Feijó, 1940), "Cadernos Azuis" (série de ensaios); "Novo Cancioneiro" (Coimbra, 1941-44, com poetas como Álvaro Feijó e Políbio Gomes), "Novos Prosadores" (complemento do "Novo Cancioneiro"), "Galo"(Coimbra,1948), e" Cancioneiro Geral" (Lisboa) - no âmbito da séries editoriais poéticas-, revista "Vértice" (1945), "Esteiros" (por alguns considerada a uma obra-prima do neo-realismo- Soeiro Pereira Gomes, 1941).

Se na sua fase inicial predominava o articulismo e a polémica da revista, a atenção deslocou-se posteriormente da poesia e do conto para o romance de teorização estética e ensaio histórico.

A mais importante corrente alternativa ao neo-Realismo é o Surrealismo , que passou a dominar no período conturbado da Guerra Fria, com o progressivo desencanto da literatura neo-realista. Esta já dificilmente se adequava às camadas que pretendia interessar. Os ficcionistas neo-realistas adaptaram a sua escrita aos gostos e público, e na década de 50 já o Neo-realismo convergia com certas vanguardas estéticas (Surrealismo, Existencialismo).

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