Neogarretismo

No fim do século XIX, alguns autores e poetas portugueses - Alberto de Oliveira, António Nobre, Teófilo Braga, Teixeira de Pascoes- vão ressuscitar o culto pelos valores contidos na obra de Almeida Garrett. Este foi um dos escritores que cultivou a paixão e a admiração à Pátria. Defendia que toda e qualquer literatura deve ter algo de nacional, que é no folclore, nas tradições, que se encontram os grandes temas literários e a pureza do ser português, do orgulho da nacionalidade. Aliás, estes valores inscrevem-se na mais pura tradição burguesa do Culto do Eu, linha-mestra da ideologia que triunfou com a ascensão da burguesia e do seu primeiro movimento cultural - o Romantismo.

É assim que, muito perto da viragem do século, surge um movimento revivalista- o neogarretismo, de que António Nobre faz parte. Talvez por influências do seu grande amigo, Alberto de Oliveira, ou até devido à saudade profunda que sentia do seu país, quando se encontrava a viver e a estudar em Paris, este poeta também se dedicou à exaltação e ao elogio da pátria e do povo portugueses, dedicando bastantes composições ao mar, aos pescadores, aos lavradores, às doces e joviais raparigas do campo.

VARINAS

Envoltas n`uma capa, esbeltas creaturas,

Passam na rua atraz da lenta procissão

Tam brancas, tam gentis, tam calmas e tam puras

Como o festivo andor erguido à multidão

Medem o passo audaz, na estrada de verduras,

Pelas palpitações do roseo coração...

E o Christo vae no andor: não leva pisaduras,

Não fere os níveos pés, não roça os pés no chão.

[ CITI ]