Novo Cancioneiro

O movimento do Novo Cancioneiro constituiu-se a partir de uma colecção de poemas publicada por um grupo de jovens poetas que, enquadrados no movimento do neo-Realismo, tentaram criar uma poesia de carácter social de oposição ao regime salazarista.

Publicaram-se sucessivamente "Terra" (Fernando Namora), "Poemas" (Mário Dionísio), "Sol de Agosto" (João José Cochofel), "Aviso à Navegação" (Joaquim Namorado), "Os poemas de Álvaro Feijó" (pelo próprio), "Planície" (Manuel da Fonseca) - todos de 1941 - e "Turismo" (Carlos de Oliveira"), "Passagem de Nível" (Sidónio Muralha), "Ilha de Santo Nome" (Francisco José Tenreiro) - de 1942 - e "A Voz que escuta" (Políbio Gomes dos Santos) e Francisco José Tenreiro.

Não se pode considerar o Novo Cancioneiro como movimento ou escola literária, uma vez que não surgiu qualquer programa a anteceder a publicação dos 10 volumes da colecção, o que permitiu uma certa liberdade de estilo a estes poetas (que, no entanto, sofriam também influências de antecessores como Álvaro de Campos e Cesário Verde). Manuel da Fonseca, João José Cochofel e Políbio dos Santos foram vozes poéticas do Novo Cancioneiro que não demonstraram nos seus poemas voluntariedade ou rebusca.

O Novo Cancioneiro falhou como grupo, e os poetas acabaram por se dispersar por outras formas de literatura (Fernando Namora e Manuel da Fonseca para a prosa de ficção, Carlos de Oliveira para o romance, Mário Dionísio para o ensaio e crítica de arte ), tendo a sua influência sido quase nula nos movimentos subsequentes.

[ CITI ]