Saudosismo

Movimento literário, de cariz essencialmente poético, inserido na actividade da sociedade portuense "Renascença Portuguesa" (fundada por Jaime Cortesão, Álvaro Pinto, Teixeira de Pascoaes e Leonardo Coimbra), e cujo órgão foi a revista "A Águia", propriedade da sociedade a partir de 1912 (2ª série). A Sociedade "congregou muitos espíritos animados no desejo de, agindo no plano da cultura, promover a reconstrução do País, minado pelas dissenções políticas que a instituição da República não viera sanar". Pascoaes (mentor do grupo), afirmou que "o movimento da Renascença Portuguesa se faz e fará dentro da Saudade revelada, a qual se ergue à altura duma Religião, duma Filosofia e de uma Política. Dentro dela Portugal, sem deixar de ser Portugal, poderá realizar os maiores progressos de qualquer natureza." O Saudosismo foi assim encarado como uma atitude perante a vida que definia a "alma nacional" em todo o seu idealismo transcendentalista. A obra "O Encoberto"(onde o autor Sampaio Bruno se debruça sobre a decadência dos povos peninsulares) foi talvez a obra impulsionadora desta nova tendência.

Pascoaes, apoiado por Leonardo Coimbra, preconizou também um Portugal agrário, uma organização municipalista e uma Igreja independente, e identifica o Saudosismo como sendo um Sebastianismo esclarecido , revelado pelos novos poetas.

Fernando Pessoa, colaborador da "Águia", afirma que os poetas saudosistas anunciam o pensamento da "futura civilização europeia", que corresponderia à "civilização lusitana", e é neste clima de exaltação sebastianista que escreve "Mensagem".

A nova tendência, no entanto, como doutrina político-social, não satisfazia os espíritos positivistas, e os dois sócios da "Renascença Portuguesa" António Sérgio e Raul Proença acabam por manifestar o seu desagrado na revista, acusando Pascoaes de "utópico e passadista, fechado num lusitanismo xenófobo, provinciano, incompatível com o moderno espírito europeu", gerando bastante polémica no seio do grupo. No entanto foi esta dissidência que haveria de conduzir ao aparecimento de "Seara Nova".

Todos os poetas que colaboraram em "A Águia" se podem definir como neo-românticos à excepção de Lopes Vieira e Afonso Duarte, o último modernista.: Este é um grupo de indivíduos intuitivos, expansivos, exclamativos, inclinados à oratória, oscilando entre o historicismo e populismo, com um certo bucolismo e folclorismo, herdando dos românticos e simbolistas o gosto da paisagem crepuscular e outoniça. Quanto ao tipo de linguagem, os Saudosistas preferem uma expressão mais tradicional e clássica ("verso escultural" de Pascoaes), não se preocupando muito com a análise do subconsciente.

O Saudosismo constituiu a linha de rumo dos filósofos que dando primazia ao pensamento intuitivo criador de mitos ("quanto mais poeta mais filósofo"), têm procurado fundamentar uma filosofia genuinamente portuguesa ou, como alguns preferiam, galaico-portuguesa.

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