Simbolismo

Os simbolistas da cultura portuguesa integram e subsumem nas suas obras a visão pessimista da existência (aliás de acordo com o Estado da Nação), a recordação melancólica de tudo o que é vago e melancólico, aquele «je ne sais pas quoi» que faz fremir as consciências, aliado ao tédio e à desilusão inavariavelmente provocados pelas decepções que o real e, sobretudo, o quotidiano da vivência nacional provocam em todos quantos cotejam os modelos de mundividência e de mundivivência de Portugal com os do estrangeiro.

Citando Jacinto Prado Coelho, Simbolismo é «escola ou corrente poética (...) que se afirma sobretudo entre 1890 e 1915 e que se define por um conjunto de aspectos, aliás variáveis de autor para autor, que dizem respeito às atitudes perante a vida, à concepção da arte literária, aos motivos e ao estilo.(...) Serão simbolistas os poetas que participam de todas, ou quase todas, as seguintes características: reviviscência do gosto romântico do vago, do nebuloso, do impalpável; amor da paisagem esfumada e melancólica, outoniça ou crepuscular; visão pessimista da existência, cuja efemeridade é dolorosamente sentida; temática do tédio e da desilusão; distanciamento do Real, egotismo aristocrático, e subtil análise de cambiantes sensoriais e afectivos; repúdio do lirismo de confissão directa, ao modo romântico, expansivo e oratório, e preferência pela sugestão indecisa de estados de alma abstraídos do contexto biográfico, impersonalizados; larga utilização, não só do símbolo tipicamente simbolista, polivalente e intraduzível, mas da alegoria, da imagem a que deliberada e claramente se confere um valor simbólico, da comparação expressa ou implícita, da sinestesia, da imagem simplesmente decorativa;(...) musicalidade que não se reduz ao jogo de sonoridades do verso, antes, como observa Marcel Raymond, se prolonga em ressonância interior até para além da leitura do texto; libertação de ritmos...;» (in Dicionário de Literatura, pgs.1026 e 1027).

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