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ANALOGIAS ENTRE REDE DE NEURÓNIOS E REDE DE AUTÓMATO

A partir de 1943, o neuropsiquiatra Mac Culloch e o lógico W. Pitts avançaram uma primeira modelização da função neuronal: os "neurónios formais" que eles propunham eram processadores lógicos possuidores de uma saída com dois estados (1=activo; 0=inactivo) e podendo receber vários sinais de entrada activos ou inactivos. Quando a soma dos sinais de entrada ultrapassava um certo limiar do estado interno, o processador tornava-se, então, activo. Associados em rede, estes neurónios formais podiam conectar-se uns aos outros por meio de amplificadores de ganhos variáveis, que esquematizavam a transmissão sináptica. A regra de aprendizagem mais elementar era impor, em cada etapa do cálculo, sobre a forma de ordens dadas por um "professor", quer um aumento, quer uma diminuição dessas diferenças dos ganhos sinápticos das conexões activas, conforme o "professor" considerava correcta ou incorrecta as respostas dos órgãos de saída da rede. Dessa forma podia ajustar-se os ganhos sinápticos em cada ponto da rede, e estes autómatos simples ofereciam a possibilidade de observar como funcionavam capacidades de aprendizagem quando elas convergem para estados estáveis, ao mesmo tempo que permitiam resolver orações lógicas do tipo predicativo.

Mais tarde, nesta mesma linha de acção, F. Rosenblatt propôs, em 1962, uma máquina chamada Gammaperceptron, que iria favorecer os começos da cibernética. Esta máquina não tinha, contudo, senão uma capacidade reduzida de reconhecimento e de classificação das formas; sobretudo, era incapaz de resolver os problemas topológicos associados à "conexidade". As críticas vigorosas de M. Minsky e S. Papert, em 1969, iriam levar ao abandono deste primeiro esboço de "cérebro electrónico" e retardar, infelizmente, durante muito tempo os trabalhos conexionistas. O mesmo não aconteceu com as investigações em biologia celular e em neurofisiologia que continuavam a desenvolver-se, sustentadas pelos progressos conseguidos em especial nas técnicas de registo electrofisiológico. Foi por isso que, no próprio momento em que a inteligência artificial renunciava à ideia do "perceptron", foram os biólogos que retomaram o projecto e decidiram trabalhar o papel do "professor" na aprendizagem celular estudando, em especial, os reforços ou as diminuições dos acoplamentos funcionais entre neurónios conforme os níveis de actividade da rede.

 

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