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Index
História
da
Inteligência Artificial
Inteligência
Artificial
Ciências
Cognitivas
Cibernética
e Robótica
Bibliografia
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ENTREVISTA COM HELDER COELHO
O que pretendemos com esta entrevista é conhecer a sua visão
pessoal sobre a Inteligência Artificial em Portugal, o que se faz, onde se faz,
e quais os ramos mais fortes de evolução.
A história da I.A. começa em 1973, no Laboratório Nacional
de Engenharia Civil (LNEC), com três pessoas, das quais eu sou uma delas, e
neste momento temos perto de 60 doutores, a maioria deles formados em Portugal.
A raiz foi o Luís Moniz Pereira que foi o primeiro a ser doutorado. Hoje a comunidade
anda à volta de 200 pessoas, das quais eventualmente 100 são activas (é difícil
neste momento medir o número de pessoas, mas deve ser à volta de 100).
A disciplina organizou-se por Universidades, praticamente todas
as Universidades do país têm grupos mais pequeninos ou maiores de pessoas que
trabalham na área e que leccionam. Aqui na área de Lisboa podemos ver que existem
grupos na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa ligados a duas licenciaturas,
uma em Informática (a tradicional) e outra com a Faculdade de Letras que tem
a ver com a Engenharia da Linguagem e do Conhecimento, portanto uma estrutura
linguística e Inteligência Artificial, e isso é uma coisa relativamente nova,
a licenciatura tem 5 anos e é um bom exemplo de aplicação no sentido de termos
formação numa área multidisciplinar.
Depois há o grupo do Técnico, não há só um grupo do Técnico,
penso que há uns três ou quatro grupos lá. Ora existe o grupo do João Pavão
Martins, no Departamento de Mecânica, o do Carlos Pinto Ferreira, que também
pertence ao grupo de Mecânica, mas que está associado ao Instituto de Sistemas
e Robótica, depois um grupo do Nuno Mamede ligado ao grupo de electrotécnica
e o Grupo da Ana Paiva, com várias sub-áreas de desenvolvimento. Do outro lado
do rio, na Universidade Nova - Faculdade de Ciências e Tecnologia, há o grupo
do Luís Moniz Pereira, que é um grupo grande e há um centro, que é o centro
I.A. (CENTRIA). Aqui na Faculdade de Ciências nós temos também uma unidade que
não é uma unidade de investigação em I.A. mas que contempla uma linha de investigação
da I.A. que antigamente se chamava LABMAC (Laboratório de Modelos e Arquitecturas
Computacionais) que é a segunda unidade na área de Lisboa do ponto de vista
daquilo que é o Ministério da Ciência.
Se sairmos aqui da área de Lisboa, temos quer em Évora, onde
existe um grupo ligado ao Luís Monis Pereira que trabalham em associação, e
em Coimbra, Aveiro, no Porto também, nas três Faculdades, Engenharia, Economia
e Ciência e na Faculdade do Minho.
Voltar para IA
em Portugal
Em relação às áreas de trabalho, que também é uma informação
interessante, existe uma rede muito grande de áreas mais fundamentais e outras
mais de aplicações e em Portugal há um ponto de partida que tem a ver com instrumentos
de trabalho nomeadamente com linguagens de programação lógicas, da qual o Luís
Moniz Pereira é o grande exemplo, com ligação à PROLOG que é uma linguagem de
origem Francesa, Europeia, e depois existem um conjunto de grupos que se foram
arrumando nomeadamente naquilo que são as áreas mais importantes da Inteligência
Artificial, quer do ponto de vista dos fundamentos quer do ponto de vista das
aplicações. Ainda focando esse mapa podem ver que neste momento
existem três grandes áreas de trabalho, uma que tem a ver com a aprendizagem,
outra com a representação de conhecimento, temas cognitivos, e outra com raciocínio
em geral e essas três áreas têm também uma boa representação em Portugal.
Voltar a IA
em Portugal
Eu estou ligado fundamentalmente a uma área periférica virada
para aplicações que tem como exemplo a distribuição, um dos temas fundamentais,
e a agência, chama-se Inteligência Artificial
Distribuída e de certo modo vocaciona-se para aplicações quer na Biologia
quer na Educação, quer na Economia, onde existe a necessidade de mobilizar instituições
quer os indivíduos que fazem parte dessas mesmas instituições que são os agentes.
Do ponto de vista ainda de ensino, os grupos estão localizados
em Universidades, ligados fundamentalmente a licenciaturas de Informática umas
de Informática propriamente dita como na Faculdade de Ciências e outras de Engenharia
Informática, como na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nova e no Técnico
e de Engenharia Electrotécnica e Computadores que existe também no Técnico.
O professor Helder Coelho foi sem dúvida percursor da I.A.
em Portugal, juntamente com Luís Moniz Pereira e Fernando Pereira, e desde então
dedicou o seu trabalho ao estudo desta ciência, com que objectivos se reuniram
em 1973 no LNEC e propuseram em 1974 a criação de uma Divisão de Informática
e, em anexo, do futuro GAIA?
A origem da I.A. em Portugal não é em 1973. Porque eu e o Luís
Moniz Pereira conhecemo-nos em 1965/66 no Técnico e o primeiro exercício foi
a criação de um Centro de Estudos de Cibernética (CEC), que foi do ponto de
vista Universitário uma segunda versão de um centro de Estudos de Ciência que
foi criado aqui na Faculdade de Ciências uns anos antes. O CEC de certo modo
foi o laboratório onde nós nos encontrávamos, onde se viveram ligações nomeadamente
a professores que apoiaram a iniciativa logo desde o início, e depois por razões
meramente conjunturais fomos ter ao LNEC. O Luís Moniz Pereira já estava lá,
o Fernando Pereira era nessa altura aluno da Licenciatura de Matemática na Faculdade
de Ciências, e eu estava num laboratório de Física Nuclear e passei para o
LNEC.
No LNEC foi a junção de nós os três, em 1973, e também com
um projecto que o laboratório nessa altura tinha de renovar a informática, de
transformar o centro de cálculo que existia e de projectar a utilização e exploração
da informática de um modo muito mais alargado. Portanto a I.A., digamos juntou-se
a esse projecto e desde a raiz, porque eu, o Luís Moniz Pereira e o Fernando
Pereira fomos quem projectámos o novo Centro de Informática e tivemos também
oportunidade de meter aquilo que nós queríamos. E portanto daí logo ficou um
projecto que nessa altura se chamava Lógica Computacional, por razões meramente
de conjuntura (a Inteligência Artificial nessa altura era um pouco ficção científica),
o objectivo era desenvolver instrumentos e técnicas que depois pudessem ser
utilizadas nas aplicações da Indústria da Construção Civil.
Hoje, olhando para trás, sente que esses objectivos estavam
próximos da realidade? O caminho da I.A. foi ao encontro do que esperava ou
as previsões foram demasiado sonhadoras?
Se teve êxito esse empreendimento? Do ponto de vista de formação
e de explosão, teve, porque à medida que nós íamos prosseguindo as pessoas iam
saindo, o Luís Moniz Pereira saiu em 1978 e formou o grupo da UNL, eu só saí
em 1990 mas o Fernando Pereira saiu em 1977, praticamente na mesma altura do
Luís Moniz Pereira, foi para Edimburgo, e depois para os Estados Unidos onde
está neste momento, desaparecendo do mapa de trabalho em Portugal. Do ponto
de vista da Engenharia Civil o êxito do empreendimento foi um êxito médio, como
sabem a I.A. em Portugal nasceu fundamentalmente ligada à engenharia civil e
às aplicações nesse domínio.
Houve muitas dificuldades no início, as coisas foram-se fazendo
sempre contra- -corrente e como é habitual em Portugal, com muitas reticências
e desconfianças e quando as pessoas desaparecem é que surge a necessidade de
,
lembro-me que na altura em que me ia embora, declarei a saída do LNEC um ano
antes de sair, e nessa altura apareceu-me um aluno de doutoramento e foi o primeiro
ligado à Engenharia Civil que apanhei, porque durante o período em que estive
no LNEC, praticamente depois do meu doutoramento as pessoas que eu doutorei
nunca foram pessoas do LNEC, tinham um grupo muito grande, que chegou a ter
20 pessoas com uma pessoa que pertencia ao LNEC, portanto era um grupo um bocado
esquisito, porque existia numa instituição mas a sua base de sustentação era
exterior à própria instituição.
Curiosamente essa pessoa que eu não cheguei a orientar por
estar de saída e não me querer comprometer, neste momento tem a continuação
do projecto do LNEC no Técnico, é interessante ver como as coisas por vezes
não continuam na mesma instituição, mas mudam de instituições, portanto existe
neste momento um grupo de aplicações em Inteligência Artificial em Engenharia
Civil muito activo com uma relação muito grande com a indústria.
Voltar Cronologia
Algumas aplicações do grupo de Engenharia do Técnico foram
mostradas durante a EXPO'98, nomeadamente aquela demonstração que estava no
Pavilhão do Ministério da Administração Interna e que tinha a ver com o mapa
do país, portanto podia-se viajar pelas várias localidades. Aliás, nesse mesmo
Pavilhão havia uma outra aplicação, não sei se viram, que era no fim e que tinha
a ver com golfinhos e que era uma outra aplicação de Inteligência Artificial,
da minha colega Ana Paiva, com os seus alunos (que é outro dos grupos do Técnico
de que falava há pouco) e que tem a ver com questões educativas, com questões
de agência, com questões de comportamentos, portanto não há só "razão"
na totalidade nesses agentes há também emoções e isso é uma zona de trabalho
relativamente moderna e que se vê neste momento aparecer com alguma pujança
nomeadamente no cinema, presumo que vocês todos viram o Titanic, a Formiga
Z ou a Vida do Insecto, esses são três filmes recentes onde a Inteligência
Artificial está lá metida.
Tirando um pequeno circulo fechado de pessoas e, talvez algumas
revistas especializadas, não há uma difusão e um conhecimento geral que é de
Inteligência Artificial que estamos a falar nesses filmes.
No caso da Formiga Z, do Mulan e da Vida do
Insecto, quer no Público quer no Expresso, saíram nas semanas
em que os filmes entraram em exibição bastantes artigos que descreviam um conjunto
de pormenores técnicos bem interessantes.
No caso do DVD também temos acesso à forma como as coisas foram
feitas, mas lá está, essa ainda é uma área restrita.
Vocês têm de ir à procura das fontes. Há neste momento algumas
revistas que se vendem neste momento aqui em Portugal e que são fundamentais
para vocês verem coisas. Eu cito agora o número deste mês de Abril de 1999 da
Wired que tem na capa o George Lucas e que tem um artigo e uma entrevista
ao George Lucas sobre o episódio n.º 1 da Guerra das Estrelas onde 95% do filme
é digital portanto o filme está todo feito em computador (95%) é editado em
computador, e nalgumas falas vai ser projectado por computador, nem passa a
ser um filme em celulóide. Do ponto de vista do digital o filme tem algo ligeiramente
mais complicado do que tinha o Titanic, que para quem tivesse com muita
atenção podia descobrir coisas incríveis, nomeadamente quando o navio se está
a afundar, em que temos a proa para cima, em que ele está, digamos partido,
e em que se vêem passageiros a cairem, a câmara está numa posição que é impossível
e só o facto de a câmara estar um pouco afastada dá para não perceber que as
pessoas digitais que estão a cair na água não são pessoas, são objectos computacionais,
são bocados de bits, mas não se vê porque a câmara está ligeiramente afastada,
da mesma maneira como não se vêem as pessoas que andam a passear no deck, porque
a câmara está digamos levemente afastada, e é impossível distinguir se é uma
pessoa ou não. No caso do Titanic, chamo a atenção que houve um conjunto
de filmes que passaram nos diferentes canais a explicar a feitura do filme e
que chamavam a atenção para algumas destas coisas.
Mas estas zonas são difíceis de entender, como é que conseguimos
olhar para um boneco e entendermos se o boneco não for desenhado, até que ponto
é que o movimento do boneco não está pré-fixado, até que ponto é que o seu comportamento
é um comportamento espontâneo, as pessoas não conseguem perceber isso, ma por
exemplo se vires as aplicações que neste momento existem
por exemplo,
um aquário virtual, em que não há água e não há peixes, em que os peixes são
mesmo peixes de verdade, como diria o Pinóquio, na medida em que os seus comportamentos
são exactamente idênticos aos comportamentos das espécies; as suas fardas, quer
dizer, os peixes estão vestidos como os peixes que podemos ver no fundo do mar
e comportam-se da mesma maneira. E nesse género de exercícios que são apresentados
em conferências técnicas e científicas, podemos ver o que é que os peixes estão
a ver.
E assim pode-se perceber que de facto não é um boneco, é um
artefacto com capacidades cognitivas, na medida em que ele se está a comportar,
ele tem conhecimento da sua espécie para se comportar de uma determinada maneira,
e tem um comportamento que não é determinado, que é não determinado. Ele depende
dos outros peixes que aparecem na sua visão o poderem afectar ou não, se são
peixes maiores ele eventualmente tem medo e afasta-se, se são peixes mais pequeninos
e se ele for um tubarão, obviamente vai atrás dos pequeninos e portanto vai
atrás com um comportamento semelhante ao de um tubarão, da mesma maneira que
o peixe que vai à frente tem um comportamento semelhante. E agora se nós ligarmos
as janelas do seu campo de visão, podemos ver aquilo que o tubarão está a ver
ao perseguir o outro e o que é que o outro vê ao ser perseguido. Isto só se
vê em conferências científicas.
Pode-se meter uma coisa destas na EXPO, como a minha colega
meteu os golfinhos, e as pessoas não ficaram muito sensibilizadas com os golfinhos.
Aquilo que sensibilizou mais as pessoas para os golfinhos foi
realmente as expressões que eles faziam
Havia emoções, havia sensações
Mas não havia qualquer
apoio ou explicação, não havia ninguém ali ao pé e havia nesse pavilhão duas
coisas que eram muito mais atractivas e tinham algum apoio, nomeadamente aquela
do mapa de Portugal, que tinha alguém sempre ao lado e a história do Porto,
que é também bastante atractiva e estava logo ao início, de modo que quando
uma pessoa chegava ao fim já estava para se ir embora.
Outras aplicações -
sistemas periciais
Que áreas e que tendências força existem agora
em I.A.?
Neste momento há aplicações que são aplicações industriais,
há uma empresa que existe desde 1987 e que é dirigida por dois professores do
Técnico, o Pavão Martins e o Ernesto Morgado, que se chama SISCOG, e que a empresa
líder no mercado das aplicações de planeamento e de transportes. Neste momento
a gestão planeada de transportes ferroviários em Portugal, na Holanda, no Reino
Unido, na Dinamarca, na Noruega é feita com programas dessa empresa, o que pode
dar, digamos um sinal, de que a tecnologia portuguesa, numa área muito especifica,
é capaz de no caso da Inteligência Artificial de ser líder e de ganhar concursos
internacionais. Como vocês sabem, quando se ganha um concurso a nível internacional
ganha-se ao fim de uma selecção bastante forte.
Tendências
da evolução da IA
No que diz respeito a áreas de trabalho, existem as áreas tradicionais
da I.A. portuguesa em volta da linguagem de programação em PROLOG, quer no Porto,
na Faculdade de Ciências em torno do YAP (Yet Another PROLOG), que é uma linguagem
de programação que está no circuito comercial e que neste momento vai sair uma
nova versão já mais sofisticada, existe trabalho de investigação por detrás
de um protótipo também de uma linguagem de programação na Universidade Nova,
com o Luís Moniz Pereira e depois temos as áreas de representação e raciocínio,
que são fortes, as áreas de aprendizagem baseada em computador, também é forte,
aprendizagem mecânica, se quiserem traduzir a designação em inglês que é machine
learning, as áreas de robótica inteligente, existem vários grupos em Portugal
a trabalhar nisso e a área de I.A. Distribuída onde existem fundamentalmente
três grupos, o meu, o do Jorge Oliveira na Faculdade de Engenharia de Porto
e o da Ana Paiva que trabalha comigo e que tem um grupo mais ligado a aplicações
nas escolas, portanto programas que permitem a aprendizagem de crianças.
Voltar Lógica
O que é que as linguagens de programação declarativas como
a PROLOG, muito mais próxima da linguagem natural e assente em princípios lógicos
significam para a progressão da I.A.?
Do ponto e vista histórico elas aparecem contra linguagens
procedimentais como o PASCAL, o FORTRAN e o BASIC, e o que elas trazem de novo
é que se olha para o código e o código é o conhecimento que temos e não o modo
como computamos o conhecimento. Enquanto que numa linguagem como o BASIC descrevemos
o modo como o problema vai ser calculado, ou o modo como o problema vai ser
resolvido e portanto temos uma forma determinista, todos os caminhos de computação
estão no programa, e numa linguagem declarativa e num programa em PROLOG temos
o conhecimento e agora os modos como esse conhecimento vai ser utilizado estão
dentro da própria linguagem de programação, no chamado interpretador ou compilador
que é um programa que de certo modo é aquilo que designamos por linguagem de
programação, é ele que faz a tradução do programa escrito nessa linguagem para
uma linguagem de baixo nível na qual a computação é feita e portanto esse programa
em PROLOG tem o nosso conhecimento e os modos como esse conhecimento pode ser
explorado (existem milhares deles) são feitos pela máquina de inferência da
própria linguagem de programação. É aí a grande diferença. Do ponto de vista
informático, quais são as vantagens disto, se trabalhamos em áreas onde é necessário
mudar ou actualizar ou aumentar o conhecimento de uma certa área de intervenção,
a manutenção do programa torna-se muito simples porque o que se faz é juntar
mais conhecimento ou trocar, e isso é difícil em C++, em BASIC ou em FORTRAN,
onde para se passar de um programador para outro eventualmente o estilo dele
vai-nos impedir de entendermos o que ele escreveu.
Voltar PROLOG
E em termos de sistemas periciais, o que tem sido feito?
Do ponto de vista de aplicações existem algumas aplicações
secretas, nomeadamente no sistema financeiro, banca, que não se sabem que existem,
mas que eventualmente existem, e praticamente todos os bancos devem ter, quando
vamos a um banco e temos um serviço de apoio ao crédito que nos dá respostas
em 24 horas de certeza absoluta que existe um sistema pericial que está a permitir
aquele balcão de dar respostas tão rápidas, portanto neste momento todos os
bancos têm esse tipo de rapidez no apoio ao crédito, no entanto como são armas
tácticas dos bancos eles não divulgam. O primeiro a ter, e o que ganhou de certo
modo com a diferença e que conseguiu poder de competição foi o BCP. E ele nunca
declarou que tinha.
No ponto de vista de outras áreas neste momento, a Inteligência
Artificial, contrariamente àquilo que era aqui há uns 15 ou 20 anos atrás é
invisível, portanto qualquer aplicação informática, que seja sofisticada, tem
um bocado de Inteligência Artificial, tem um módulo, ou tem vários módulos,
portanto já não é um produto de I.A. é um produto da informática onde a I.A.
serviu eventualmente para colar módulos, eventualmente para proporcionar uma
melhor interacção com o utilizador, para ajudar o técnico que está a utilizar
aquela aplicação, etc. E por isso é que se fala menos de aplicações típicas
de I.A., quando aqui há uns anos se falava. O caso do cinema é isso, fala-se
muito nestas novas formas de fazer cinema, dos gráficos, da animação, eventualmente
dos agentes mas não se ouve falar de I.A., mas existe, porque se se fala de
agentes, obviamente fala-se de I.A.. Nas cenas de batalha do Mulan, ou
no Príncipe do Egipto em que há uma movimentação de personagens, ela
é feita em cada uma das personagens, portanto, cada uma das figuras é um agente
e tudo aquilo é feito automaticamente, todos os indivíduos têm comportamentos
de acordo com a sua personagem.
Mas será que a I.A. se fundiu com as outras disciplinas?
Não houve propriamente uma fusão, a I.A. por razões de maior
eficácia industrial deixou de ter a táctica agressiva que tinha nos anos 1980,
de dizer nós fazemos tudo, e aí teve alguns dissabores porque eventualmente
a tecnologia que passou para a indústria não estava ainda apurada para fazer
tudo (neste momento está) e portanto houve muitos flops, muitos desastres
e neste momento ela aparece encaixotada. Outro caso, o Deep Blue, diz-se
que o Deep Blue não tem Inteligência Artificial, mas se formos um pouco
mais em pormenor ao programa e àquilo que ele faz obviamente veremos uma aplicação
extensiva de técnicas de I.A. nomeadamente no que diz respeito à representação,
no que diz respeito ao planeamento, no que diz respeito à procura e só para
falar nestas três.
Em relação ao Deep Blue houve uma discussão muito forte
e não se percebeu muito bem na altura porque é que o Kasparov tinha acusado
a IBM de fazerem batota. Foi precisamente no momento em que perdeu que ele acusou
a IBM de fazer batota acusando-a de ter mexido no programa ao longo do jogo.
Como se sabe ao longo de um jogo de xadrez há momentos de paragem, nos quais
qualquer jogador, pode ser uma máquina, pode ser sintonizado, e foi isso que
aconteceu, e o que aconteceu com a versão que venceu o Kasparov é que essa sintonização,
que no ano anterior ainda não era possível fazer, no ano em que o Kasparov foi
derrotado era possível fazer quase variável a variável, portanto o Kasparov
teve um programa que tinha uma ideia estratégica a desenvolver, e desenvolveu-a,
nos momentos em que ele perdeu, ele perdeu com um fio condutor que desde o início
o programa tinha e esse fio condutor pela primeira vez consistia em que, da
mesma maneira que um jogador tem uma estratégia, e não realiza imediatamente,
espera pelo momento oportuno para realizar os actos, e o programa fez o mesmo.
Conseguiu congelar certos actos tácticos até ao momento em que era importante
de os disparar. Isto quer dizer que há uma estratégia, há um plano, e isso é
inteligência.
Outras aplicações - Campeonato de Futebol de Robots
E que outras tendências e em que outros ramos se parece desenvolver
a I.A.? Em termos de aprendizagem e percepção visual computacional, e também
em Inteligência Aumentada que tem sido uma das principais aportas do MIT.
A aprendizagem computacional neste momento faz-se com tecnologias
muito diversificadas nomeadamente praticamente era tudo feito simbolicamente
e agora há tecnologias de redes neuronais, algoritmos genéticos, tecnologias
inspiradas numa metáfora biológica que tem neste momento uma grande utilização.
Um dos grupos que neste momento está mais bem apetrechado e que tem uma massa
critica com resultados melhores é o grupo de Coimbra com o Professor Ernesto
Costa, e portanto aí há, digamos, desenvolvimentos, contribuições, resultados
muito interessantes.
A visão neste momento está muito sofisticada e essa sofisticação
pode ser visível num conjunto de exemplos interessantíssimos, que até não são
deste ano, como por exemplo um robot pegar numa agulha e num fio e passar o
fio pelo buraco da agulha, é possível, pegar numa folha de papel e numa comunidade
de quatro ou cinco robots pequenos e eles com as mãos começarem a fazer um barco
ou um avião com uma folha de papel, portanto aqui existem agentes, que estão
a cooperar, que estão a dobrar papel e que portanto estão a ver o que estão
a fazer, portanto aqui estão dois exemplos um bocado impressionantes não são
actuais, são de uma equipe japonesa. Outros exemplos actuais, temos tudo aquilo
que neste momento é visível nas guerras, isto é, como é que se vê numa guerra
e como é que se pode prometer a escotilha, pode ser mais difícil, que se vão
fazer ataques cirúrgicos que são feitos com capacidade de visão e de inferência
daquilo que se vê, nomeadamente daquilo que não se vê. Todos nós somos capazes
de viver num ambiente onde somos capazes de ver coisas e onde as coisas que
não vemos deduzimos. E tomamos decisões activas sobre coisas que não estamos
a ver. Essa é, digamos, uma capacidade de retirar da cena todos os elementos
que nos podem ajudar a reconstituir as coisas que não estamos a ver. Tudo isto
é feito neste momento do ponto de vista da visão computacional, o que dá uma
capacidade acrescida para aplicações nomeadamente de segurança.
A Inteligência Aumentada é uma linha de aplicações que tem
a ver com a indústria da saúde, e com pessoas que necessitam de próteses, neste
momento as próteses biológicas e tudo aquilo que significa tirar um órgão e
colocar outro, podem ser substituídas por próteses mecânicas, nomeadamente braços
e pernas, e o rendimento tem sido bastante grande.
Uma outra aplicação, que é francamente interessante tem a ver
com futebol, trata-se de robots que jogam futebol. Já se realizou o segundo
Campeonato do Mundo de robots que jogam futebol, que foi em Julho do ano passado
em Paris, precisamente na altura em que havia o Campeonato do Mundo a decorrer,
este ano vai ser em Hamburgo na Suécia, e este campeonato é com robots físicos
e com robots de software, nós aqui na Faculdade, na minha cadeira do primeiro
semestre tive aqui dois grupos de alunos que fizeram equipes para jogar portanto
com jogadores, e esta é uma área interessantíssima, porque implica não só construirmos
o próprio agente portador, mas também toda a interacção entre eles, cooperação,
colaboração
A robótica vai sendo aperfeiçoada há medida que vamos entendendo
aquilo que é o homem (neste momento sabemos pouco) e vamos construindo mecanismos,
eventualmente não da mesma maneira que são construídos no homem, mas que têm
a mesma essência, ou pelo menos uma parte sustâncial dessa essência, e tentamos
em máquinas, neste caso em robots que eles sejam construídos. É o mesmo sistema
do avião, quando olhamos para um avião sabemos que um avião está a simular um
pássaro mas não se vê o bater das asas no avião, apesar de uma das razões para
o êxito do avião ser as asas serem flexíveis, se isso não acontecesse o avião
teria menor resistência a todos os problemas que podem ocorrer, nomeadamente
em trovoadas e turbulências e é essa flexibilidade estrutural que permite ao
avião comportar-se quase com 100% de segurança.
Voltando ao caso do jogo de futebol não há coisas pré-determinadas,
as coisas têm de se processar de forma mais ou menos espontânea.
Mas no cinema as coisas passam-se da mesma maneira. Há é muitos
preconceitos, alguns deles sem dúvida formados pela comunicação social. Ser
fizermos o levantamento de artigos de divulgação feitos por jornalistas só,
de I.A. veremos como eles são maus, peguemos no dossier de acompanhamento do
desafio entre o Kasparov e o Deep Blue, e vejamos como no Público
e no Expresso e não foi durante muito tempo, apenas um mês, a notícia
foi tratada. Houve editoriais inacreditáveis, e que podiam dar origem a demissões,
mas nunca as houve
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e Robótica
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