|

EVOLUÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS
Se existe uma interrogação tão velha quanto
a humanidade, desde os primeiros momentos em que os homens se puseram a pensar
e a reflectir sobre a sua própria espécie, é bem aquela
que se refere à natureza e aos funcionamentos do nosso cérebro.
Desde a Antiguidade que, primeiro Hipócrates e depois Galeno o consideram
o órgão das sensações e da inteligência. No
entanto, não é senão no século XIX, com a corrente
positivista, que vai começar verdadeiramente o estudo científico
do cérebro, particularmente com a descoberta das localizações
cerebrais e os primeiros trabalhos sobre a teoria celular da rede nervosa. Desta
evolução podemos fazer um pequeno esquema cronológico:
1795: Cabanis, fundador da psicofisiologia, adianta que o
cérebro
é tanto o órgão do pensamento como o estômago é
o da digestão;
1808: Cuvier impulsiona uma dissertação com vista
à eleição para o Instituto de França, defendendo
que as diferentes "faculdades" do espírito (percepção,
aprendizagem, memória, vontade, etc) e muitas outras coisas como a causalidade,
a comparação ou a combatividade estão todas localizadas
em regiões particulares e precisas do cérebro;
1820: Spurzheim e outros desenvolveram a teoria baptizada frenologia
cujos ares, falsamente científicos, conheceram um grande sucesso popular,
mas com o abandono da "psicologia das faculdades", a frenologia desaparece;
1ª metade do século XIX: constata-se que as diversas
funções psicológicas ocupam o mesmo lugar na superfície
do cérebro e que, por isso, constituem um sistema unitário;
1861: Broca apresenta, perante a Sociedade de Antropologia
de Paris, um frasco de álcool contendo um cérebro com uma lesão
do hemisfério esquerdo, estabelecendo a localização cerebral
da linguagem;
1865: confirma-se finalmente que a "sede da faculdade da linguagem
articulada" se situava no lobo frontal esquerdo ao mesmo tempo que se reafirmava
o princípio duma dominância hemisférica esquerda para a
faculdade da linguagem;
1870: Frisch e Hitzig localizam o centro motor no córtex
pré-central do cão e D. Ferrier especifica a esfera visual no
lobo occipital;
1873: Golgi esboça a teoria celular do tecido nervoso;
1881: Munk mostra que a supressão unilateral dum lobo
occipital não implica cegueira senão para metade do campo visual
de cada olho;
1889: Ramon y Cajal demonstram que cada célula é
uma unidade completa com os seus prolongamentos de fibras, de axónios
e de dendrites;
1891: Waldeyer baptiza as células cerebrais nervosas
de neurónios.
Voltar Neurociências
|