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A MEMÓRIA E OS PROCESSOS MNÉSICOS

O estudo da célula nervosa testemunha os "traços" que as nossas experiências e os nossos acontecimentos passados depositam na memória. As investigações no campo da memória orientam-se para a análise das formas constitutivas de "redes" e de "agregados celulares" a fim de apreender melhor certas formas de associatividade ou de estabelecimento de conexões que vão constituir as bases da organização de processos mnésicos determinados. Estas concepções não são estranhas ao que se sabe, ou supõe, acerca do aperfeiçoamento progressivo das nossas capacidades de memória e de aprendizagem lentamente melhoradas, no decurso da evolução, pelo enriquecimento em conexões múltiplas do nosso cérebro. Esta capacidade de armazenagem é tal que nós podemos mesmo conservar a imagem duma pessoa encontrada uma única vez, e poderíamos armazenar recordações cobrindo cerca de um século das nossas experiências. Uma palavra, uma impressão fugaz, são suficientes, muitas vezes, para "reactivar" todo um conjunto de percepções, de emoções e de conhecimentos que pensávamos desaparecidos. No sentido teórico, o cérebro utiliza para aprender ou memorizar dois tipos de estratégias não exclusivas, mas sim complementares: ou fabrica novos circuitos graças à criação de novos neurónios, ou transforma as conexões estabelecidas entre neurónios já existentes. Deste modo, tanto a aprendizagem como a memória são considerados conjuntos de sistemas organizadores cuja activação, espontânea ou pela experiência, orienta a função cerebral final. Desde sempre se fez um esforço para construir esta memória associativa que caracteriza o agregado celular e é a partir dela que se estabelecem analogias entre rede de neurónios e rede de autómato.

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