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NEUROCIÊNCIAS
Após uma longa evolução,
as neurociências afirmam-se, hoje em dia, como o estudo do sistema nervoso,
das suas composições moleculares e bioquímicas, e as diferentes
manifestações deste sistema e do tecido através das nossas
actividades intelectuais, tais como a linguagem, o reconhecimento das formas,
a resolução de problemas e a planificação das acções.
Esta definição remete-nos para a multidisciplinaridade
que envolve as neurociências, da qual são exemplos as preparações
in vitro (associando os métodos da biologia molecular aos da engenharia
genética, permitem identificar as moléculas que vão fazer
com que os neurónios
se "reconheçam" entre si com o objectivo de se agregarem para criar redes
de conexões determinadas) e o progresso das técnicas de registo
de actividades do cérebro
aquando da realização de condutas ou tarefas específicas.
As neurociências focam-se na investigação das alterações
relativas aos nossos conhecimentos do ser vivo, das suas funções
primordiais e dos órgãos e comportamentos, que são os vectores
e suportes directos das actividades intelectuais do ser humano. O que está
em causa é, naturalmente, o saber quanto à situação
particular da nossa espécie no seio do mundo biológico, as fronteiras
e extensões da nossa inteligência, a questão da relação
entre "mecanismos" genéticos dessa inteligência e o papel das interacções
ou aprendizagens. Se, portanto,
convém considerar as ciências cognitivas como o estudo da inteligência
desde as suas manifestações mais elaboradas e altamente simbólicas
até ao substratum biológico dessa inteligência, é
evidente que uma parte fundamental dessa compreensão dos nossos processos
intelectuais incumbe ao sistema nervoso que as sustenta. A complexidade dos
factores que intervêm aqui explica tanto a aposta paradoxal das ciências
cognitivas como a riqueza disciplinar que elas tentam construir como resposta.
A descompartimentação dos estudos sobre o cérebro é
mesmo a razão dos progressos consideráveis realizados nas duas
últimas décadas, bem como das reconsiderações epistemológicas
não menos espectaculares assim permitidas. Os fenómenos cognitivos
são tão tributários dos mecanismos do cérebro, quanto
o é a informação fornecida por um computador em relação
aos circuitos electrónicos que o formam. O objecto das neurociências
mantém-se o de descrever, explicar e modelizar os mecanismos neuronais
elementares que sustentam qualquer acto cognitivo, perceptivo ou motor. Há,
portanto, uma distância necessária entre modelizações
cognitivas e modelizações neurológicas: para compreender
o cérebro, é tão preciso conhecer o tipo de operações
que ele realiza, como os seus desempenhos.
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