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O LABIRINTO NEURONAL

Há muito tempo que os biólogos se esforçam por compreender o que forma, e como funcionam, as células constitutivas do tecido nervoso: os neurónios. Um neurónio e os seus prolongamentos têm a forma de dendrites (que se desdobram, em grandes superfícies, arborescências muito complexas) e de axónio (emerge da célula e atinge grandes comprimentos, desenvolvendo grandes ramificações). Hoje em dia, software bastante aperfeiçoado permite isolar uma dendrite a fim de lhe analisar a geometria: tamanho, ramificações e diferentes diâmetros. Esta geometria permite determinar os tipos e as capacidades de tratamento das informações nervosas por parte do neurónio, e a sua tridimensionalidade vai permitir a riqueza desses tratamentos das informações de que se revelam capazes, e que a estrutura interna do neurónio é responsável pelas nossas capacidades neurobiológicas e intelectuais superiores às das outras espécies. O neurónio tem o estatuto de unidade funcional do cérebro, sendo também um extraordinário "detector de coincidências" face ao número de informações que vão transitar pelos contactos múltiplos (sinapses) que estabelece e mantém com outras células, e da característica de "tudo ou nada" do seu sinal de saída propagado ao longo do axónio (potencial de acção). Quando um potencial de acção chega, deste modo, a uma terminação pré-sináptica, a resposta no neurónio alvo será quer uma hiperpolarização, quer uma despolarização do potencial da membrana e esta amplitude da resposta vai traduzir a eficácia da transmissão sináptica. A cada contacto sináptico pode associar-se um "ganho" determinado: positivo, se a sinapse é excitadora, negativo, se ela é inibidora. A "mensagem de entrada" ou seja, a activação dum certo número de sinapses, não será libertada para os outros neurónios de uma mesma rede a não ser que a despolarização da membrana ultrapasse um limiar crítico de desencadeamento. Na realidade, apesar do facto de um neurónio poder receber e ser portador de vários milhares de contactos sinápticos, só algumas dezenas de terminações excitadoras, agindo conjuntamente, são suficientes para desencadear a sua actividade propagada.

 

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