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Brincadeira vs. Responsabilidade
Os computadores mudaram quase todas as formas de trabalho e como brincar é o trabalho das crianças, é tempo de revisitar as ferramentas
do seu ofício.
Nicholas Negroponte [24]
Existe a ideia tradicional de que aprender e brincar são mundos separados.
Com o novo paradigma educacional,
as formas que a criança tem de adquirir conhecimentos e de os utilizar
são alteradas.
Uma das principais mudanças é a de que a aprendizagem não
tem de ser uma imposição: não se trata de a encarar como
pura brincadeira, mas de perceber que aprender pode ser divertido.
"Nego que aprender seja um prazer", afirma Clifford Stoll, curiosamente um
dos criadores do Arpanet, o precursor da Internet. E continua, dizendo que "para
aprender é necessário trabalho, disciplina, fazer os trabalhos
de casa e ler livros, tudo coisas que não poderemos comprar em nenhum
CDROM nem encontrar num programa multimedia" [27].
Estas citações, apesar de extremistas, são um bom exemplo
da relutância em aceitar uma nova forma de educação. O que
tem de se compreender é que, mesmo que se estejam a divertir, as crianças
têm a noção de que estão a aprender. O professor
torna-se numa peça essencial deste processo: segundo Don Tapscott, ao
usar as novas tecnologias, o professor torna-se no "entertainer" e ao fazê-lo
produz prazer, motivação e responsabilidade na aprendizagem [19].
Os medos de uma falta de disciplina quanto ao seu trabalho e a pobre separação
entre o tempo de trabalho e lazer em frente ao ecrã, apesar de legítimos,
não farão sentido na nova educação, pois existe
a consciência pedagógica de que é mais provável que
a criança aprenda mais a brincar que ao ter uma disciplina, no seu sentido
tradicional do modelo de transmissão.
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