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Novas Exigências Sociais
Usar a tecnologia para informar e educar é importante, mas saber
educar para a tecnologia será determinante na Sociedade da Informação.
Maria de Lurdes Camacho[3]
Por a educação ser uma área muito sensível, sustentáculo
do desenvolvimento global da sociedade, e as novas ferramentas terem dificuldade
em ser aceites e integradas, qualquer mudança estrutural no seu paradigma
só ocorre quando há uma vontade muito forte. Há quem defenda
que esta é protagonizada pelas novas exigências sociais e que é
só uma questão de tempo até que a reestruturação
tenha lugar. Todo o desenvolvimento social baseado na evolução
tecnológica exige que a escola forneça novos serviços.
Fluência tecnológica
Esta capacidade refere-se ao tipo de conhecimento que o estudante deve ter
sobre a tecnologia. Para Seymour Papert [25],
o modo de se adquirir fluência em tecnologia é semelhante ao modo
de adquirir fluência numa língua. Depois de se terem interiorizado
formas de literacia (como o vocabulário, construção gramatical
e resolução de exercícios descontextualizados), a fluência
vem com a utilização, com o esforço para nos expressarmos
numa série de situações diferentes, com a experimentação.
Mais do que a iliteracia computacional, é a fluência tecnológica
que determina o fosso geracional entre crianças e adulto. É a
competência fundamental para o aprender
a aprender.
Educação contínua
Devido à rapidez da produção e transmissão de informação,
o indivíduo tem de constantemente renovar a sua base de dados e amplitude
de conhecimentos. Esta reciclagem cíclica pode ser fornecida pela Escola,
a partir do momento em que, como consequência do novo
mercado educacional, se exige que ela tenha novos produtos e serviços
a oferecer. Deixará de existir um espaço e tempo próprios
para a aprendizagem e para a vida profissional: estes podem agora ser coincidentes,
principalmente porque esta oferta de educação contínua
é potenciada pelas novas ferramentas
educacionais e infra-estrutura virtual da Escola.
Preparação para empregos ainda por inventar
Esta é uma necessidade que a anterior geração já
sentiu, mas que é hoje agravada pelo crescente crescimento do sector
terciário. Muitos dos empregos que hoje existem vão tornar-se
obsoletos no espaço de poucos anos, ao serem gradualmente substituídos
pela tecnologia informática. O sector da informação é
aquele que hoje sofre mais alterações, não se podendo prever
totalmente quais as necessidades que terão de ser colmatadas pela invenção
de novos postos de trabalho. De modo a preparar os jovens de hoje para o mercado
de amanhã, a Escola terá a fulcral tarefa de fornecer conhecimentos
de meta-aprendizagem, ou seja, de como aprender
a aprender.
Trabalho cooperativo
Verifica-se actualmente que todo o mercado de trabalho se organiza em torno
da divisão do trabalho. Isto é, de modo a poder acompanhar todos
os desenvolvimentos e aumento de informação disponível,
o indivíduo tem de recorrer a uma cada vez maior especialização
na área em que trabalha. Daí que terá de se socorrer de
outros indivíduos especializados noutras áreas para poder concretizar
qualquer tipo de projecto. O trabalho é cada vez mais de equipa, exigindo
altos graus de coordenação e comunicação entre os
indivíduos. As novas tecnologias fornecem diversos modos
de comunicação interpessoal que o indivíduo tem de
saber utilizar, uma formação que pode ser desde logo veiculada
pela Escola. Esta terá igualmente de preparar os estudantes para o trabalho
cooperativo, através do fomentar do trabalho em equipa, que tem resultados
globais mais proveitosos, em certas áreas, que o individual, devido ao
"brainstorming" que nesse contexto ocorre.
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