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O Professor
Eu não ensino. Se eu ensino, quem sabe o que eles
aprenderão. Ensinar está fora de questão. Eu digo aos miúdos
que não há limites. Podem criar o que quiserem criar. Se é
impossível, só vai demorar um pouco mais. A minha principal função
é excitar os miúdos e fazê-los considerar coisas que nunca
consideraram antes. Eu estou a trabalhar para criar cidadãos numa sociedade
global.
Richard Ford [19]
Existe um imaginário muito associado à tele-educação,
que é o de que o professor vai desaparecer. As novas
ferramentas da educação substituiriam o seu papel, afirmando-se
mesmo que o fariam melhor. Mas estas vozes negligenciam um factor: o da inter-relação
e interacção, fulcral ao desenvolvimento do aluno.
Na tele-educação, o professor vai ser ainda mais fundamental.
Tecnologias como o computador são meras (mas importantes) ferramentas
de apoio e estímulo que aumentam a eficácia do professor. Este
é mais guia em matérias de informação que
simples repetidor de material educativo enlatado. O professor do novo
paradigma não é apenas mais um acessório periférico
que, quando se pressiona um botão, "vomita" e debita informação.
É certo que o velho/actual sistema de transmissão já não
responde às exigências
sociais: exige-se que o professor incuta uma maior dinâmica ao processo
educacional pelo uso das tecnologias ao seu dispor . Estas irão "tornar
possível o sonho de qualquer educador progressista: no ambiente de aprendizagem
do futuro, cada estudante vai ser especial" [Papert, in 18].
Devido às novas formas de comunicação,
o professor está mais próximo do aluno, podendo dedicar-lhe uma
atenção particular. O professor como orientador da constituição
de conhecimentos confere uma maior responsabilidade ao aluno pela sua própria
educação. Assim, todo o processo de aprendizagem actua como uma
construção de saber entre aluno e professor, tendo este último
a essencial função de veicular o como
aprender.
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