Crítica

Diz o Maestro que "O nosso sector musical vive num pardieiro."

António Victorino d'Almeida, in Diário Popular, de 8 de Junho de 1982

Não há Orquestras Sinfónicas nem Companhia de Ópera Portuguesa. "Em Portugal não é possível representar Óperas porque o maior fosso de orquestra que temos é o do Teatro de S. Carlos, com uma capacidade para 70 músicos, ao colo uns dos outros."

António Victorino d'Almeida, in O Primeiro de Janeiro, de 5 de Setembro de 1993

Qualquer Ópera de Verdi ou Puccini precisa, no mínimo, de 120 elementos.

A crítica dirige-se à construção disparatada do CCB. Como não pertencente ao meio musical português, não tem poderes de manter as orquestras existentes ou mesmo constituir outras. Mas por seu lado, o CCB não devia ter sido construído, pois com o dinheiro que se gastou, podiam ter-se mantido as orquestras portuguesas durante 20 anos, ou mesmo investir na cópia de obras que estão na gaveta. "Editar a música dos compositores portugueses era incomparavelmente mais importante em termos culturais do que abrir uma nova sala de espectáculos."

António Victorino d'Almeida, in Jornal de Letras, de 28 de Setembro de 1993

Segundo o Maestro, as obras sinfónicas portuguesas são executadas ou agraciadas. Sentindo na pele a não edição da sua música, e tendo já algumas contendas com a SEC, atribui a culpa às pessoas que estão à frente das decisões culturais. Não são músicos, são "os penetras da música", secretários de Estado e ministros que não entendem o ponto de vista dos profissionais.

Quanto ao Conservatório, Victorino d'Almeida diz que não está preparado para criar bons músicos. O gosto pela música começa na escola, é preciso criar horários compatíveis com a escolaridade obrigatória, é preciso mudar a orgânica do Conservatório que está completamente errada. Hoje, estudar nesta escola de música é como "despejar valores no caixote do lixo."

António Victorino d'Almeida, in Diário Popular, de 8 de Junho de 1982

No entanto, é difícil corrigir o que está mal, porque a tradição musical em Portugal não é tão forte como a literária e é difícil perceber antes de mais o que está mal.

Em relação a um possível deserto no campo musical, o Maestro explica: "Há um consumismo, mas desapareceu o espírito crítico. A música passou a ser um ruído de fundo. Está aí, ouve-se, mas não se sente..."

António Victorino d'Almeida, in Activa, de Fevereiro de 1994

Em Portugal há analfabetos musicais porque os álbuns são caros, não há divulgação. As pessoas ouvem a música que lhes impimgem. Segundo o Maestro, analfabetos musicais, são os que não querem saber. Para inverter esta situação, deve-se apostar numa boa educação a nível escolar, mas também disponibilizar os CDs a preços mais acessíveis aos jovens, e sobretudo divulgar. "Do ponto de vista do espectáculo musical, em Lisboa há muita vontade de fazer as coisas, mas não há organização ou estrutura que permita fazê-las. Em Viena há tudo isso, mas falta a coragem."

António Victorino d'Almeida, in O Tempo, de 24 de Maio de 1985

 

 

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