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Ouvir e falar
Neste programa, realizado em 1993 e emitido semanalmente durante
três meses no serão das segundas-feiras da RTP2, apresentam-se artistas
em início de carreira. Para o Maestro este programa foi um «anti-concurso»-
foi o simulacro de um tribunal popular onde se «julgam» músicos.
A participação neste «anti-concurso» era feita através dos patronos
(escolhidos pelo próprio Maestro), pessoas prestigiadas como Pedro
Burmester e Olga Pratts, que apresentavam os seus «protegidos».
Simulava-se no programa espécie de julgamento em que o Maestro
era o juíz. Havia um grupo de jurados, constituído por 5 pessoas
novas e por 5 pessoas «velhas». O grupo
de jurados ouve a pessoa que vai tocar e escuta os argumentos de
um crítico, que vai desempenhar
o papel de advogasdo do diabo, bem como a retórica do patrono ou
advogado de defesa. Os jurados representam o público que, no fundo,
é a última instância que os julga a todos. As «notas» são atribuídas
pelos jurados, que não são especialistas musicais mas cidadãos comuns
recrutados ao acaso, cujos requisitos mínimos eram não serem surdos
e não fazerem orelhas moucas ao que ali era ouvido. Estes jurados
deveriam apenas julgar um ou dois programas; no entanto, a RTP não
foi renovando as pessoas e, o resultado foi um pouco desastroso,
uma vez queacabaram por adquirir conhecimentos musicais, mesmo que
muito gerais, e, como tal, deixaram de ser ignorantes na área da
música.
Enquanto os jurados decidiam, existia um intermezzo, uma
vez que o tempo do programa era praticamente o seu tempo real. Neste
intermezzo, actuavam cantores como Marco
Paulo, José Mário Branco, José Cid, Lena dÁgua, Júlio
Pereira, entre muitos outros.
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