
Que Futuro?
Com a gradual transição dos mass media para os self media, verificar-se-á uma maior participação (mais activa, mais qualitativa do que quantitativa) do cidadão. Porém esta nova era comunicacional vai cavar um fosso mais profundo entre info-ricos e info-pobres, assim como gerar novos analfabetos, aqueles que não dominam as linguagens do futuro, tal como o hipertexto.
Citando Nicholas Negroponte, « [ ] a próxima década assistirá a casos de abuso da propriedade intelectual e de invasão da nossa privacidade. Haverá vandalismo digital, pirataria de software e roubo de informação. Pior do que tudo, testemunharemos a perda de muitos postos de trabalho em favor de sistemas completamente automatizados. [ ] A noção de emprego para toda a vida num dado posto de trabalho já começou a desvanecer-se. [ ] »
Mas o futuro não é negro. As 4 características intrínsecas e essenciais da era virtual são a harmonia, a descentralização, a globalização e a distribuição de poder.
O computador, a tecnologia digital vão fazer desvanecer as fronteiras geográficas e juntar mais as pessoas: as futuras gerações, ainda que crescendo geograficamente separadas, fomentarão laços de amizade, de cooperação, unidas pelos seus computadores pessoais. Só este facto pode originar mentalidades totalmente diferentes, estando os povos, no futuro, mais predispostos para uma harmonia entre si.
A era digital vai trazer consigo a descentralização. O comércio e a indústria informática deixarão de ser centralizadores: as poderosíssimas empresas do ramo terão de espalhar filiais por todo o planeta, para responder à crescente procura. Os interesses das pequenas organizações e dos grupos independentes poderão ser preservados graças a uma informação menos centralizada, mais acessível.
Também a globalização, facilitada, por exemplo, pela Internet, vai aproximar todos os países. As soluções vão ser mais pensadas em termos de planeta, de benefícios para todos, do que ao nível de um único país. É a concretização da aldeia global imaginada por Marshall McLuhan. Mas se o espaço privado, doméstico está cada vez mais aberto para o mundo, até que ponto poderemos salvaguardar a nossa intimidade desta invasão?
Por fim, precisamente porque os indivíduos vão ter mais acesso à informação, eles terão também uma voz mais activa na resolução dos problemas ou nas tomadas de decisão: é a distribuição de poder facultada pela era digital.
A História ensina-nos que o curso dos acontecimentos pode tomar outros caminhos, outras formas, simplesmente imprevisíveis. Não podemos tomar nada como certo, como um dado adquirido. Assim sendo, todas as previsões quanto a um futuro dominado pelos self media, por mais óbvias e certas que pareçam, terão de esperar pela sua concretização.