
Rádio:
A radiodifusão começou de maneira regular na década de 20, por impulso da iniciativa privada. Até aos anos 60, os países do mundo inteiro dedicaram-se à sua consolidação e regularização de serviços, no que diz respeito às diversas frequências (o seu número é limitado), às regras de utilização (ondas curta, média e longa), à modulação de onda (FM: frequência modulada), etc.
É o primeiro mass media electrónico e, no que se refere aos géneros radiofónicos, eles começaram por ser uma extensão ou um reaproveitamento da literatura e da imprensa escrita, com actores do teatro a interpretar, em adaptações para a rádio, obras literárias. Este mass media era considerado um complemento e um substituto do jornalismo escrito - para quem não sabia ler ou dispunha de pouco tempo para tal. Verificou-se na rádio uma evolução no intuito de uma melhor conciliação ao seu próprio meio e às exigências da sua audiência.
A rádio depressa se tornou no aparelho que todas as famílias possuíam nas suas casas: era uma companhia, um meio de informação, uma distracção. Ela ocupava um lugar central nos lares, ficando exposta na sala e, um pouco à semelhança do que se passou - e passa ainda hoje - com a televisão, era rodeada por todos os membros da família, que ouviam as emissões pelo serão adentro.
Sendo a radiodifusão fundamentada no som e na palavra, ela constituiu um fortíssimo meio de massas, desempenhando um grande papel junto da população, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) quando, na Europa ocupada, as populações iam sabendo do real desenrolar da guerra através das emissões radiofónicas da British Broadcasting Company (B.B.C.). Mas, para além de ser usada como um instrumento de informação credível e isenta, regimes totalitários e ditatoriais serviram-se da rádio enquanto arma de propaganda política contra outros países durante a guerra (infelizmente, este mau uso da rádio não ocorreu somente em situações de guerra, nem apenas em ditaduras ).
Como os outros mass media, também a rádio negligencia a interacção com a sua audiência, que se limita na maioria das vezes a ouvir passivamente, a ser uma mera receptora de informação. A comunicação é unívoca e o ouvinte é bombardeado por segmentos regulares de publicidade (é ela que patrocina os programas, a vida da estação depende dela). Todavia, entre os mass media, é a rádio que facilita e permite uma maior interactividade com o ouvinte, pois muitos programas se baseiam em telefonemas da audiência para concursos, debates, opiniões, pedidos
Com o aparecimento e a difusão massiva da televisão, o papel preponderante que a rádio desempenhava na vida das pessoas e dos países foi perdendo importância, e a rádio teve que se adaptar às novas condições para sobreviver. Contudo, dizer que a televisão matou a rádio é tão despropositado e exagerado como dizer que a rádio matou os jornais. Ocorreu sim uma mais-valia, um incremento na escolha e na diversidade apresentada às pessoas, preenchendo cada meio de comunicação lacunas uns dos outros.