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O  fenómeno Amazon.com

É impossível falar de livros e distribuição Online, sem referir o fenómeno da Amazon.com. A Amazon.com, Inc. é um retalhista online que vende livros, cassetes de video, e audio, assim como outros produtos. A empresa tem um catálogo de cerca de três milhões de títulos, motores de pesquisa, assim como serviços de e-mail, e serviços de compras personalizado. As suas vendas, são todas entregues aos seus clientes via serviços postais.

A empresa foi criada em 1995, apresentando nesse ano um volume de vendas de 0.51 millhões de dólares. Em 1997 a empresa declarou 147.8 milhões de dólares de vendas, tendo em 1998 vendas declaradas até ao terceiro trimestre, de 361 Milhões de Dólares.

Os investidores acreditam nesta empresa recentemente criada, porque prespectivam um crescimento de vendas, e que necessariamente terá de ser elevado, para apostarem num negócio baseado numa estratégia de venda de livros a baixo preço, por um lado, e investindo em promoção por outro, garantindo baixas margens de lucro. Só um grande crescimento de vendas, poderá justificar um retorno do investimento, porque não acredito que alguém possa apostar que venha a existir um aumento de margens.

Para aquela, que é antes de mais nada, o expoente da venda em "grande superfície" de desconto, esta fórmula explica também o alargamento da oferta da Amazon.com, em termos de gama de produtos oferecidos, também baseados na mesma fórmula de sucesso mas com a vantagem de não necessitarem de maiores investimentos em publicidade, só pelo facto de serem adicionados ao vasto mostruário/catálogo, que a empresa pôe à disposição dos seus visitantes, através do seu site.

A empresa cresce ainda em número de vendas, não só especificamente através do seu site, mas através de outros sites que queiram aderir ao esquema de promoção da Amazom.com. Ao incluir nas suas próprias páginas um link para a página desta, tornado-se para tal um agente de representação da empresa, ao atrair para o site da Amazon os seus próprios visitantes. Caso o visitante da Amazon tenha sido canalizado através dos representantes virtuais da empresa, esta paga uma % das vendas.

Poderá isto significar uma venda porta à porta com comissão? Diria que sim mas sem contrato de exclusividade.

As ações da empresa encontram-se cotadas na bolsa a 336 dólares (cotação de 29 de dez de 1988) representando uma subida % desde de Maio de 1997 data a que passaram a estar cotadas em bolsa pela primeira vez tendo na altura sido vendidas a 18 dólares. Este, penso ser um voto de grande confiança, dos investidores, numa empresa que acreditam ter descoberto um meio de vender através da Internet, que ainda hoje não dá lucro, em 1997 o prejuízo anunciado foi de 27.59 milhões de dólares, mas que tem potencial.

E potencial de atenção, inegavelmente.

Esta empresa, conseguiu ser um intermediário de sucesso, num meio do qual sempre se foi ouvindo dizer com mais ou menos alarido, que seguramente víria a significar a morte da "representação", constituindo-se mesmo, como o próprio paradigma da desintermediação. Do "produtor" ao "consumidor". Não questionando, qualquer que fosse, ou pudessem vir a ser essas formas de intermediação.

E nomeadamente, quando equacionamos uma decrescente necessidade de intermediação para a venda, em sentido estrito, com uma cada vez mais exigente necessidade de informação. Ou, na medida em que a venda em si, terá deixado de ser um processo tão complexo, em termos estritamente físicos ou mecânicos, deslocando-se esse grau de complexidade para o universo das formas de informação, de que, qualquer produto se reveste, e que sem qualquer dúvida também compramos, i.e. já vem incluído no preço. Ainda que possamos ter comprado o produto e não ter tido. Podendo assim ser mais ou menos envolvente a qualquer produto, bem ou serviço, e no universo mais alargado das ínumeras alternativas, para opções de compra.

A Internet dá a possibilidade às empressas de poderem dar aos seus clientes, exactamente o que querem, a um custo mais reduzido do que se tivessem de manter infraestruturas físicas de atendimento e grandes stocks de armazenamento, e, com um tempo o mais curto possível, entre a fabricação e a entrega do produto. Com este tipo de tecnologia, as indústrias, tendem a concentrar-se e a tornarem-se mais eficientes.

A Amazon é uma empresa de intermediação com sucessso, num meio ainda assim muito perfeito para que a ausência de qualquer mediação seja eficaz, porque nasce para crescer na Internet com uma infraestrutura toda ela assente em novos princípios: não teve de investir numa rede física de lojas, em gerir os stocks dessas mesmas lojas, toda a infraestrutura da empresa assenta numa comunicação digitalizada.

A empresa não teve de utilizar nenhuma tecnoligia para redefenir a indústria em que se move. Usou os meios existentes para se estabelecer: utilizadores da Internet que consomem livros, o crescente grau de confiança nos meios electrónicos de pagamento, a promoção de um nome de confiança através da Internet (o meio exclusivo dos seus consumidores), uma livraria no meio digital que apresenta mais atractivos para o consumidor habitual de informação; a crítica literária condensada numa só páginas, sugestões de títulos relacionadas, motores de pesquisa (empregados digitais que procuram nas prateleiras do vasto catálolgo de 3 milhões de títulos, serviço ao cliente on-line através de correio electrónico, ordens de compra já em suporte digital, facturas já arquivadas digitalmente.

Como os leitores que utilizam a Web são também já habituais consumidores de música(som), e de filmes(imagem) é relativamente simples, alargar o leque de produtos oferecidos aos seus consumidores de livros.

 

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