
Poder veícular as mesmas obras mas num suporte novo suporte; digital, novo para o formato a que as obras escritas usualmente têm. Abre um conjunto de novas possibilidades.
As revistas apesar de serem edição de escrita, também foram elas mesmas formatos que introduziram a possibilidade de uma nova forma de apresentação com a introdução da imagem e do grafismo diferenciado do livro comumente diguldado pelas edições de folhas aglomeradas numa capa.
A rádio, o cinema e a televisão também elas contribuiram para verem a narrativa de obras escritas, e distribuidas tendo o livro como suporte, trabalhadas de outro modo uma vez que entrou em presença de um outro veículo que não o bibliográfico para apresentação de uma mesma ideia narrativa.
Se a distribuição das obras fôr feita através de um meio digital isso irá implicar a longo prazo um repensar do modo da escrita uma vez que o suporte que veícula a sua difusão se diferencia do comumente utilizado, entrega do livro impresso ao leitor.
O editor não terá só de pensar na edição de uma obra segundo uma prespectiva de limitação editorial. O número mínimo de livros a editar e as expectiva da sua colocação no mercado certamente já deixou nas gavetas editoriais obras que deveriam ser divulgadas. Por terem um núcleo reduziddo de potenciais leitores não será por vezes possível impulsionar o editor para avaçar com a divulgação da obra. Com a possibilidade da entrega de uma obra digital o editor não terá de fazer contas ao papel e ao custo de distribuição de um canal de distribuição. O editor terá só de encontrar um meio de contactar os leitores potenciais que procuram na Internet não só como uma fonte de informação e comunicação como entretenimento.
Analisar uma obra que será veículada digitalmente obrigará o editor a não deixar de parte a possibildade de poder converte-la em produto multimédia.
A questão que se coloca poderá ser e haverá lugar para o livro. Passo a citar António Mega Ferreira que num artigo publicado pelo Público respondeu a essa questão do seguinte modo:
Em filigrana recorta-se todo o cortejo de receios desencadeados pela era digital e a premonição, algo catastrófica, de que o computador acabará por "matar o livro". Desde já, qualquer ameaça dessa natureza está longe de poder surtir efeitos a curto prazo: com a alfabetização crescente, as novas tecnologias de impressão e o alargamento dos sistemas de distribuição, o número de edições continua a aumentar, sobretudo nos países mais desenvolvidos, precisamente aqueles onde a penetração do digital se está a fazer mais rapidamente. Quer dizer: tudo indica que, no futuro imediato, haverá mais de tudo e em cada vez mais partes. O movimento de democratização da leitura iniciado com Gutenberg ainda não parou
ANTÓNIO MEGA FERREIRA
in Público, Segunda Feira, Dezembro23-1998;Um dia por Semana; Confissão
de Um Leitor de Livros.
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