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DISTRIBUIÇÃO DIGITAL DE LIVROS

 

Falta-nos uma ainda que vaga noção de como vão evoluir os paradigmas da vida humana, não tenho "recuo", digamos, prospectivo, para simular, imprecisamente que seja, o mundo daqui a mil anos.

ANTÓNIO MEGA FERREIRA
in Público, Segunda –Feira, Dezembro23-1998;Um dia por Semana; Confissão de Um Leitor de Livros.

www.publico.pt

Introdução

Para a abordagem deste tema, procurei olhar o panorama editorial, segmentando-o, fundamentalmente, no livro.

A pesquisa efectuada, foi feita através da consulta de páginas na Internet. Pesquisei estatísticas, livrarias, editores, revistas, jornais, autores e documentos produzidos sobre o tema.

Este trabalho procura ser uma primeira visão sobre o tema. Acredito que a distribuição electrónica pode promover obras e autores, que não veriam as suas obras divulgadas, caso não fosse a possibilidade, de poderem ser distríbuidas digitalmente.

Não acredito que pelo facto de se distribuirem livros digitais, digitalmente, que isso faça desaparecer o livro, tal como o conhecemos, mas tendo a possibilidade de aceder a obras, através de um novo formato, criando a possibilidade para a sua reciclagem, em obras multimedia. Uma nova organização em livrarias digitais, sejam elas públicas ou privadas(de bolso), trazendo a possibilidade de organizar e aceder à informação, de uma forma mais cómoda e consonante com o modo de viver dos nossos dias.

Neste fim de século, na era da informação, a indústria editorial irá também ela sentir o impacto, que o surgimento de um novo canal de distribuição, irá trazer, tanto ao nível de relação com o leitor como com o autor de conteúdos.

Numa economia digital, em que a informação transita digitalmente à velocidade da luz, e em que um novo canal de distribuição digital da escrita se encontra à disposição da palavra traduzida em bits, torna-se necessário repensar o "modus operandi" das editoras, e integrar novas formas de relacionamento no medium. Dos autores aos leitores.

Para Negroponte, nas indústrias da informação e do entretenimento, os bits e os átomos estão frequentemente confundidos. O editor de um livro pertence ao ramo do fornecimento de informação (bits) ou ao ramo industrial (átomos)? A resposta histórica é que o editor pertence a ambos, mas isto mudará rapidamente à medida que os dispositivos de acesso à informação se forem tornando mais omnipresentes e amistosos. Por ora é difícil, mas não impossível, competir com as qualidades de um livro impresso.

Um livro possui uma apresentação com elevado contraste, é leve, fácil de folhear e não é muito caro. Mas fazê-lo chegar a si inclui o transporte e a armazenagem.No caso dos livros escolares 45% do custo vai para a armazenagem, o transporte e as devoluções.Pior, um livro pode esgotar-se. Os livros digitais nunca se esgotam. Estão sempre aí.

A utilização de sistemas de redes digitais poderá trazer benefícios à indústria editorial não só por permitir o acesso a mercados até agora de díficil acesso à maioria das empresas, como também pelo facto de trazer oportunidades de implementação de estruturas de produção e de distribuição inovadoras dando origem ao aparecimento de novos produtos e serviços. Caso não haja um rejuvenescimento da Indústria livreira e dos produtos e serviços oferecidos as oportunidades trazidas por um novo meio de distribuição poderá não estar a ser equacionada e com ela, a possibilidade de um crescimento da própria indústria.

Em Portugal as entidades governamentais reconhecem o surgimento do novo meio de distribuição e atribuem-lhe uma importância não só ao nível do redesenho da indústria como também ao impacto da sociedade, nomeadamente à participação que podem ter as editoras na criação da Livraria digital Universal. O Livro Verde para a Sociedade da Informação dá uma noção não só da importância dada pelo estado Português às revoluções dadas pela economia digital como também enuncia os programas

promovidos pelo estado para a promoção da sociedade da informação.

(htpp:\www.missao-si.mct.pt, secção reservada ao Livro Verde)

O meio em que se veículam as obras da industria editorial é também ele determinante ao aparecimento de um novo tipo de obras, multimédia.

 

De uma forma geral, a Internet proporciona oportunidades para a desintermediação, permitindo que o comprador possa falar directamente com o vendedor e vice versa. Mas os processadores de pagamentos não podem ser eliminados da cadeia de valor, a não ser que voltassemos a uma economia de troca-por-troca. Faço por isso uma abordagem aos meios de pagamentos electrónicos e emergentes.

Por outro lado, não podemos ignorar o facto de a Amazon.com ter neste momento pelo menos duas "subsidiárias"; a Amazom Inglesa (Amazon.co.UK) e a Amazon Alemã (Amazon.de), e não é para obviar o facto de a amazon.com não ser capaz de nos permitir uma navegação em mais do que dois (inglês e alemão), ou em multíplos idiomas. São claramente diferentes sites, segmentados para públicos absolutamente diferenciados. E se é verdade, que a matéria de que se faz o seu negócio, fácilmente se segmenta por públicos caracterizados por línguas diferentes, não podemos ignorar aquela que em rigor já não é uma segmentação, mas uma verdadeiramente diferenciada regionalização. Ao considerar o mundo ligado por uma rede digital em que o idioma inglês, é o maior expressão, isso não significa que deixem de existir comunidades, com o seu próprio idioma e cultura específicas. Assim como produtos idênticos, distríbuidos no mundo inteiro, se adaptam a novos mercados (através da tradução para a língua local, ainda que só das embalagens), também a distribuição de livros, deverá seguir a mesma lógica e adaptar-se ao consumidor local, usando neste caso um canal de distribuição global.

Sistematizo a abordagem do tema seguindo os seguintes tópicos:

 

Maria Margarida Dias Pereira de Matos

Janeiro 1999

Marmatos@teleweb.pt