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Arrogância do jornalismo tradicional

 

«Eu penso que a maior ameaça (aos jornais) é a arrogância – e muitos cegos, entre os quais alguns de nós, convenceram-se que os seus jornais tinham um direito divino a sobreviver» – refere Alberto Ibarguen, editor do "Miami Herald". Resistir ao ambiente de mudança que o jornalismo do séc.XXI criou, é caminhar de olhos fechados para um túnel sem saída. «A velha fórmula de 85% de lucro em anúncios e 15% da circulação... acabou!» – refere Frank A. Bennack Jr., presidente da "Hearst Corp" – porque os anúncios começam a dar-se conta das vantagens online, e porque cada vez mais utilizadores da Internet (que também são cada vez mais) começam a deixar de comprar o jornal que têm disponível bastantes horas antes no computador lá de casa.

Arrogância ou conservadorismo, o certo é que há ainda quem acredite que o jornalismo tradicional não morrerá, bastando para tal que se firme nos princípios da qualidade de informação. «O maior erro (...) é pensar que a informação e o entretenimento não só se misturam, como são a melhor forma de rentabilizar o produto» – refere William Burleigh, presidente da E.W.Scripps Co. – «Nós somos ainda o negócio das notícias, cujo sucesso resulta de princípios éticos e da disseminação da informação – não da habilidade para o choque, desgosto ou divertimento.» Igualmente Marcia McQuern, presidente da Press-Enterprise Co., defende que o futuro do jornalismo tradicional depende da sua qualidade, e bastante frequentemente os jornalistas dos nossos dias "editorializam" nos seus artigos, favorecem certos grupos nos seus julgamentos, e vivem vidas separadas dos seus leitores.

 

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