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Audiências

 

A audiência é a base de qualquer empresa jornalística. Quanto maior audiência uma publicação consegue, mais cara é a publicidade, e maiores lucros a empresa obtém. Não só os jornais como todos os meios de comunicação tradicionais trabalham com uma série de tecnologias que quantificam as audiências como "commodity passive", ou seja, como o número que é vendido pelos responsáveis, e comprado pela Publicidade. E não só as empresas jornalísticas dependem das audiências, como também as audiências dependem das empresas jornalísticas, uma vez que têm que se sujeitar aos produtos que elas lhes oferecem.

Mas graças aos novos meios electrónicos, esta dependência mútua tem-se tornado cada vez mais uma independência de parte a parte, revolucionando o conceito tradicional de "audiência passiva". Não se trata apenas de uma maior oferta, mas também de uma maior liberdade de escolha.

Muito embora os especialistas revelem uma expansão positiva das audiências das publicações jornalísticas online (um crescimento paralelo ao do número de cibernautas), o número de utilizadores da informação em rede continua reduzido. A televisão continua a ser a grande fonte de informação, e quem tem por hábito consumir jornais e revistas para aprofundar assuntos do seu interesse (sobretudo numa faixa etária mais elevada, vinda de uma geração que cresceu com a difusão da Imprensa), dificilmente troca o papel pelo ecrã de um computador.

Num estudo efectuado nos EUA, apenas 2% da população inquirida se revelou consumidora das notícias online - embora metade destes se sintam suficientemente satisfeitos com o que encontram na rede para dispensar qualquer outro meio tradicional. Mesmo dentro dos utilizadores frequentes da Internet (localizada numa faixa etária mais jovem, embora), apenas 15% referia este meio como uma das fontes de informação (dentro dessa camada jovem, os mais velhos, já que os mais novos recorrem à Internet sobretudo como fonte de entretenimento). Estes valores podem ser apenas indicadores de uma inércia à mudança por parte dos consumidores. Mas também pode levar a que se coloque a questão: será que os consumidores querem mesmo ter acesso a uma informação sem limites? O certo é que, apesar dos noticiários televisivo serem claramente minimalistas em relação à informação que apresentam, a maioria continua a preferi-los em relação ao jornal, que contém muito mais notícias e um maior aprofundamento. «A imprensa escrita critica os outros media por serem nada mais que títulos. Mas um título é o que, em última instância, um cidadão procura» – refere Gregory Cane, investigador americano. Será que os consumidores temem que a Internet os "bombardeie" de informação, como quando se está em frente de uma mesa cheia de comida e de ver tanta coisa para escolher se perde o apetite?

No entanto, se bem que uma publicação online não tenha audiência que justifique o investimento, o certo é que também se escapa a muitos dos encargos de uma publicação impressa, nomeadamente os custos relacionados com a impressão e distribuição dos jornais. Uma edição digital chega muito mais rapidamente ao seu leitor, que não precisa de pagar para a ter à disposição.

Além disso, se as publicações dependem directamente da publicidade, também é pertinente perguntar-se até que ponto a secção de anúncios não acabará por abandonar as publicações tradicionais (e isto significa menos uma fonte de rendimentos que representa cerca de 40% dos custos), uma vez que é muito mais fácil disponibilizá-la online, em sites onde cada pessoa vai procurar aquilo que realmente precisa, através de um mecanismo auxiliar de busca inteligente. Sem essa fonte de rendimentos (com morte anunciada nas publicações tradicionais), provavelmente muitos jornais terão forçosamente que sair de circulação. Como afirmou McLuhan na sua obra "Os meios de comunicação como extensões do homem", «Os anunciantes pagam tempo e espaço nos jornais, nas revistas, na rádio e TV, comprando assim um pedaço de leitor, de ouvinte ou telespectador. De bom grado pagariam directamente ao leitor, ao ouvinte e telespectador por sua preciosa atenção e seu não menos precioso tempo... se soubessem como fazê-lo (...) Os anúncios classificados (e a cotação dos mercados de títulos) constituem os alicerces da Imprensa. Se se encontrar uma outra fonte de fácil acesso para a obtenção diária dessas informações, a imprensa cerrará as suas portas.»

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