
Comunidades virtuais
As Comunidades Virtuais são o resultado da intersecção de humanidade com tecnologia. Como aconteceu com o telefone, a rádio ou a televisão, as comunidades têm uma incrível facilidade em redesenhar a sua forma de vida de acordo com o novo medium em emergência. Nas palavras de Howard Rheingold, autor de "Virtual Communities", «ciberespaço é o espaço conceptual onde as palavras e as relações humanas, dados, riqueza e poder são manifestados pelas pessoas que usam a tecnologia CMC; as comunidades virtuais são agregações culturais que emergem quando pessoas suficientes começam a colidir com outras frequentemente no ciberespaço. Uma Comunidade Virtual tal como ela existe hoje é um grupo de pessoas que pode ou não conhecer-se fisicamente, mas que troca palavras e ideias através da mediação do computador e de uma rede.»
Mas Howard interroga-se também sobre o futuro destas comunidades: «Que espécie de humanos nos estamos a tornar, num mundo mediado por um computador?» É que o que acontece é que centenas de cibernautas procuram e por vezes encontram não somente informação, mas também acesso a relacionamentos com outras pessoas. Os indivíduos encontram amigo, e os grupos encontram uma identidade online, através de uma agregação em rede que possibilita a existência de uma comunidade. Mas enquanto na vida "offline" (ou real) cada um tem um lugar onde a sua identidade e posição é conhecida e fixada pelas pessoas que conhece, no ciberespeaço actua-se na sombra. Trocam-se palavras, apenas isso, e apenas através delas se acaba por determinar uma identidade no ciberespaço, nem sempre correspondente à da vida real. Serão as comunidades virtuais fonte de convivialidade? Ou de alienação? O certo é que as pessoas com que se interage no ciberespaço são seleccionadas por interesses e objectivos em comum, mais do que por acidentes de proximidade.
McLuhan, na sua obra "Os meios de comunicação como extensões do homem", escreveu que «O livro é uma forma privada e confessional que induz ao ponto de vista. O jornal é uma forma confessional de grupo que induz à participação comunitária. (...) Assim como a página do livro apresenta a estória anterior das aventuras mentais do autor, a página do jornal apresenta a estória interna da comunidade em acção e interacção.» E a verdade é que muitas publicações online estão a criar nos seus sites espaços de diálogo para que os leitores, discutindo notícias, formem comunidades virtuais, dentro do quadro dos seus interesses específicos.
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