
Bill Gates
Bill Gates, o emblemático guru da informática, presidente da maior empresa de software a nível mundial a Microsoft -, tem também uma palavra a dizer acerca do futuro do Jornalismo, e do papel da sua empresa no futuro que as novas tecnologias lhe reservam:
(Excertos do discurso de Bill Gates no Encontro anual da "Newspaper Association of America" "NAA Publishers Conference" 1997)
«(...) Nos próximos 20 anos certamente o custo de um computador vai descer vertiginosamente. Todos possuirão, por pouco dinheiro, computadores centenas de vezes mais poderosos que os computadores mais potentes de hoje.
E o que faremos com todo este poder? Criaremos computadores que compreendam a informação, que possam falar, ouvir, reconhecer a escrita humana, ver e saber o que se está a passar através de câmaras digitais baratas. (...) Com todas estas máquinas ligadas a alta velocidade, o mundo irá mudar. Em primeiro lugar o mundo dos negócios e depois, a forma como as pessoas operam em suas casas, e, talvez mais importante, a forma como as pessoas são educadas.
(...)
A indústria jornalística foi pioneira em relação à utilização de certa tecnologia. Vocês estão entre os primeiros que se aventuraram na composição tipográfica digital. (...) A má notícia é que alguns dos sistemas são muito velhos e não estão bem integrados. (...)
Será necessário recorrer a tecnologia um pouco diferente. Esta ideia de uma plataforma é muito importante. Não apenas para as necessidades do negócio, mas também para as necessidades editoriais. (...)
Direccionar o Windows para a área da publicação tem sido um dos nossos objectivos manipulação da cor, fontes standard, sistemas de propriedade que verdadeiramente conduzam a uma evolução. (...)
Há também novos desenvolvimentos operados por outras companhias de software: a UNISYS na Europa, Pantheon Builder, a ISSI desenvolveu um óptimo sistema editorial (...). No campo da aplicação, empresas como a GEAC têm desenvolvido uma série de aplicações adaptáveis a esta plataforma. E nós estamos muito interessados em trabalhar com os líderes desta indústria, para mostrar o caminho que permite tornar estas tecnologias aplicáveis.
(...) A Internet implica custos muito baixos de entrada. Quem possui um PC com o mínimo de software pode ter o seu site na Web. O que significa que todos podem ser editores.
(...)
Agora o principal papel da Microsoft, acima de tudo, é providenciar estes blocos de construção baratos. Windows NT, Office, Front Page, como ferramentas de auxílio à construção dos vossos sites. Software para alternar publicidade, software para ver o que é mais popular em cada site, software para criar comunidades onde as pessoas possam entrar e falar sobre acontecimentos. (...) Mesmo os jornais pequenos... devem conseguir ter linhas de comunicação que lhes permitam manter um belo site na Web que cubra uma vasta área. Não é preciso avançar para sistemas de propriedade ou gastar muito dinheiro. Os blocos de construção já lá estão.
E uma vez que os têm, é já convosco a criatividade editorial, relações publicitárias, para ver onde se pode chegar. É claro que de início o que se faz é copiar o material impresso e simplesmente torná-lo exequível. A Web é assim um mero medium de distribuição que permite pôr o jornal cá fora a baixos custos e com grande actualidade. Mas à medida que se vai conseguindo mais experiência, as expectativas também aumentam. Republicar deixa de ser suficiente. Alguns jornais estão a fazer coisas maravilhosas para além disso.
Temos de tirar vantagens deste novo medium, e não creio que alguém conheça já todas as suas potencialidades. Mas algumas das operações chave já estão a ser feitas: informação mais profunda à medida que se desbravam os links, uma experiência que inclui áudio e vídeo a par do texto, e mais importante a capacidade de personalizar o conteúdo. A Microsoft sente que isto é fundamental, e estamos a desenvolver a ideia de utilizar as preferências do utilizador, desenvolvendo um mecanismo que possa gerar páginas para essas pessoas e que venha já incorporado no nosso produto tecnológico, utilizável por todos o que usem essas aplicações.
Outra tecnologia fundamental consiste em deixar as pessoas escrever o que precisam, em vez de terem que escrever palavras chave que as remetem para milhares de links onde elas aparecem. (...) Nós procuramos aos poucos que, de facto, sejam satisfeitos os seus interesses. (...)
A tecnologia linguística que aplicamos aqui é a mesma utilizada nas nossas ferramentas prosutivas no Microsoft Word, para verificação gramatical ou para soletrar logo, existe um mecanismo destes que o torna mais acessível e habitual.
(...)
O record na Internet pertence ao "Wall Street Journal" , que celebrou os seus cem mil leitores. Mas este jornal é o melhor exemplo. (...) Ainda há muito por desenvolver.
Se olharem para as notícias na Internet, encontram lá muitas opções. Podem entrar no site AP directamente, sem intermediários. Há dezenas de jornais. Dependendo do tipo de notícias que lhes interessam, existem inúmeras possibilidades. Neste medium, não existe a separação clara que existe no mundo físico. Existirão estações de TV com um site de notícias. As Páginas Amarelas terão o seu site de anúncios classificados. E esta atmosfera permanecerá ainda nos próximos 4 ou 5 anos.
Até que as coisas terão que mudar.
(...)
Os jornais estão aqui numa posição central. As pessoas querem profundidade. As pessoas querem conteúdos de qualidade. A publicidade será a primeira fonte de sustento da maioria deste sites. As pessoas querem alguém que consiga publicar sobre a pressão do factor tempo. E o reconhecimento da marca é muito importante. (...) Um jornal impresso que ofereça o produto na Web será uma boa oferta por muito tempo. Embora eventualmente possam haver quiosques públicos nas comunidades onde se possa ir gravar o jornal da Web.
(...)
A estratégia da Microsoft consiste em aprender e continuar a construir software. (...) Estamos a empurrar os limites para optimizar a tecnologia, ao nível da personalização e da linguística. Estamos a tentá-lo com a NBC, para fazer um site de notícias interactivas, e está a correr muito bem. Já tem um grande tráfego. É um grande investimento. Estamos a trabalhar com a NBC, em parte, para podermos usar alguns dos seus vídeos. A largura de banda da Internet não o torna muito simples hoje (...) mas teremos benefícios no futuro.
Estamos a fazer um guia de entretenimento, que diga às pessoas o que elas podem fazer Sidewalk. (...) No próximo ano estaremos em oito cidades diferentes para ver que tipo de reacções provocamos.
(...)
Um exemplo de um jornal que eu penso estar a desenvolver um bom trabalho com tecnologia de baixo custo é o "Philly Online". Uma das coisas que depressa se aprende na Internet é que as pessoas não estão interessadas nas histórias que se tiram dos jornais para pôr na Web.
(...)
Em suma, prevejo para vós muito boas possibilidades no campo tecnológico. Um jornal online não é suficiente. Temos que ir mais longe. Já fizeram esforços fantásticos, e a Internet pode ser parte do vosso trampolim para outros negócios. Não irá substituir o que fazem, mas estará lá e será muito importante. Haverá muita concorrência, sobretudo nos próximos quatro ou cinco anos, mas não precisam de ficar paranóicos a pensar que não é possível trabalhar com tanta competição.
Se alguém começar a contratar repórteres locais, aí sim, têm motivos para ficar preocupados, porque é sinal que querem duplicar todo o produto o que não faz sentido nenhum.
Um último aspecto e talvez o mais subtil, é uma prioridade dos nossos dias: recorrer à tecnologia nas vossas operações correntes. Se os vossos empregados não têm correio electrónico ou não se correspondem através dele, se eles não recorrem à Internet nas suas pesquisas, estão a perder grandes oportunidades.
Estamos no começo da era da informação. Estou certo de que muitos que aqui estão serão pioneiros, e estamos prontos para trabalhar convosco. Obrigado.»
Bill Gates foi ainda interrogado sobre:
Quais os seu hábitos de consumo em termos de informação.
[Voltar a Futuro do jornalismo]