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Futuro do jornalismo impresso

 

Com o advento do jornalismo online, é pertinente interrogarmo-nos sobre o futuro dos jornais tradicionais, e dos jornalistas que neles trabalham. «Um novo meio nunca cessa de oprimir os velhos meios, até que encontre para eles novas configurações e posições.» - refere McLuhan em "Os meios de comunicação como extensões do homem". Já não bastava a concorrência da rádio e (sobretudo) da televisão, actualmente a Impressa ainda é ameaçada pela emergência de um novo medium. Teme-se que o jornal em papel se torne cada vez mais um produto de consumo disponível (e é cada vez mais comum encontrá-lo disponível gratuitamente nos lugares públicos) para aqueles que não têm possibilidade de consultá-lo na Internet (que está também cada vez mais disponível, donde alguns autores façam depender a morte do impresso das condições de acessibilidade à rede e velocidade de utilização), se não for mesmo substituído por esse novo formato de informação.

Leah Gentry, design gráfico da publicação electrónica do Chicago Tribune, afirma que «eles (jornalistas) encaram a sua chegada (do online) quer como a queda da imprensa livre, quer como a salvação de um medium a desfalecer». Gentry é da opinião que o velhos valores da classe jornalística manter-se-ão, até porque na rede o desafio jornalístico de informar os leitores é basicamente o mesmo que nos outros media. Refere ainda que «os jornalistas de sucesso do ano 2000 farão reportagens sólidas, edições cuidadas, uma escrita constrangida, uma narração visual, que use as últimas ferramentas tecnológicas disponíveis. Eles dirão as suas histórias em qualquer um dos meios que a pessoa use. Mas os princípios desta indústria continuarão os mesmos.» Também Darnell Little, repórter em Chicago, já teve oportunidade de verificar, no seu trabalho diário, que uma reportagem publicada online «envolve o mesmo trabalho jornalístico de informação e contacto com as fontes. O que muda é a forma como reunimos e apresentamos o que recolhemos.» Erwin Potts, do "McClatchy Newspaper Group", afirma mesmo que «nós somos os especialistas em recolher notícias, vender publicidade, e disseminar informação. Nós estamos cerca de 200 anos à frente de Bill Gates. Se perdemos esta vantagem só temos é que culpar-nos a nós próprios.»

As reacções dos jornalistas ao novo meio e ao futuro do jornalismo não são unânimes, e se há quem pense que a "moda online" não interferirá no jornalismo tradicional (Fidler refere que «apesar do actual fascínio pela informação sem limites que pode ser encontrada no ciberespaço, estou convencido que os pacotes manejáveis de informação, com um contexto editorial, um princípio e um fim, continuarão a ser a preferência das pessoas»), autores como Don Tapscott são peremptórios em afirmar que «as organizações que não operarem esta transição falharão. Tornar-se-ão irrelevantes ou terão mesmo que encerrar». Os jornais tradicionais nunca dispuseram de tantos meios – técnicos e humanos – e, simultaneamente, nunca tiveram um fim tão à vista – dizem outros. E a grande ameaça ao seu domínio vem, não de outros media, mas da sua própria resistência à mudança – «a sua arrogância», nas palavras do editor Alberto Ibarguen.

 

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