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Oito mudanças da aprendizagem interactiva

  1. Da aprendizagem linear para a hipermédia.
  2. Da instrução para a construção e descoberta.
  3. Da educação centrada no professor para a centrada no aluno.
  4. Da absorção do material à aprendizagem de como se navega e como se aprende.
  5. Da escola para aprendizagem perpétua.
  6. Da aprendizagem "uma medida para todos" para a aprendizagem personalizada
  7. Da aprendizagem tortura ao divertimento
  8. Do professor como transmissor para o professor ajudante

 

Da aprendizagem linear para a hipermédia.

As abordagens tradicionais são lineares. Isto data do tempo em que o livro, que é normalmente lido do princípio ao fim, era uma ferramenta de aprendizagem. As histórias, novelas e outras narrativas são lineares. Muitos dos livros são escritos para serem lidos do princípio ao fim. Os programas de televisão e os videos instrutivos são elaborados para serem vistos do princípio ao fim.

Mas, para a geração Net, o acesso à informação é mais interactivo e não-sequencial. Para confirmar isto, basta observar a navegação na Net de uma criança. Quando está na Net, ela, normalmente, participa em muitas actividades ao mesmo tempo. Quando procura material novo, ela faz "link" com diversos servidores e fontes de informação, em todo o lado. Ý

Da instrução para a construção e descoberta.

Seymour Papert diz, "O escândalo da educação é que quando o professor está a ensinar algo, está também a privar a criança do prazer e dos benefícios da descoberta".

Há uma mudança na pedagogia – a arte, ciência e a profissão de ensinar – para criar parceiros e culturas de aprendizagem. As escolas são mais locais de aprendizagem do que ensinamento. Segundo John Seely Brown, "A pedagogia tem a ver com a optimização da transmissão da informação. O que vemos é que as crianças não querem a informação optimizada e pre-resumida. Eles querem aprender fazendo – e aí sintetizar os seus conhecimentos." A aprendizagem torna-se experimental.

Isto não quer dizer que os meios de aprendizagem e ou até os curricula não devam ser elaborados. Contudo, devem ser elaborados em parceria com os alunos ou mesmo pelos alunos.

Esta abordagem é descrita pelos educadores como a abordagem constructivista. Mais do assimilar o conhecimento difundido pelo instrutor, o aluno constrói o conhecimento outra vez. O construtivismo argumenta que as pessoas aprendem mais fazendo, do que sendo dito: o construtivismo opõe-se ao instruccionismo. A evidência do construtivismo é persuasiva, mas não deve ser muito surpreendente. O entusiasmo dos mais novos é muito maior quando descobrem algum facto ou conceito por si próprios, do que quando esse facto é simplesmente dito ou escrito no quadro pela professora. Ý

Da educação centrada no professor para a centrada no aluno

O novo media possibilita o centramento da aprendizagem mais no indivíduo, do que no transmissor. Mais, está claro que a educação centrada no aluno aumenta a motivação da criança para a aprendizagem. Aprendizagem e diversão podem convergir.

É importante perceber a mudança da educação centrada no professor para a centrada no aluno não sugere que o professor perca subitamente o seu papel. O professor é igualmente criticado e valorizado no contexto da educação centrada no aluno, e é essencial para criar e estruturar a experiência de aprendizagem.

No passado, a educação estava focada no professor, não no estudante. Isto é especialmente verdade no secundário, onde os interesses específicos e o background do professor influenciam fortemente os conteúdos. Muito da actividade na sala passa pelo professor a falar e os alunos a ouvir.

A educação centrada no aluno começa com uma evolução da habilidades, do estilo de aprendizagem, o contexto social, e outros importantes factores que afectam a aprendizagem. É necessário usar programas que estruturem a experiência de aprendizagem da criança. É necessário ser mais activo, através de discussões com os alunos, debates, pesquisas e colaboração em projectos. Ý

Da absorção do material à aprendizagem de como se navega e como se aprende

Isto inclui aprender a sintetizar, não só analisar. A geração Net verifica e analisa factos. Mas mais importante, eles sintetizam. Eles contactam com fontes de informação e outras pessoas na Net e depois constróem elevados níveis estruturais e imagens mentais. Ý

 

Da escola para aprendizagem perpétua

Para os jovens da geração de 60 olhando para o mundo de trabalho, a sua vida estava dividida entre o período quando aprendia e o período em que fazia. Vai-se para a escola e talvez para a universidade aprende-se uma profissão e durante o resto da vida o único desafio é manter os desenvolvimentos no seu campo. Mas as coisas mudaram. A aprendizagem tornou-se um processo contínuo e perpétuo. A geração Net está a entrar num mundo da aprendizagem perpétua desde o primeiro dia. Ý

Da aprendizagem "uma medida para todos" para a aprendizagem personalizada

A educação de massa é um produto da economia industrial. Vem juntamente com a produção em massa, o marketing para as massas, e os mass media. Os negócios estão a mudar para uma abordagem individualizada e molecular.

A escola é uma ideia mass-produzida. "Ensina-se a mesma coisa aos estudantes da mesma maneira e avaliamo-los da mesma forma", diz Howard Gardner. A pedagogia é baseada na questionável ideia que "a optimização da experiência da aprendizagem" pode ser construída para grupos de estudantes do mesmo escalão etário. Desta forma, o curriculum é desenvolvido baseado na informação pré-estabelecida e estruturada para uma optimização da transmissão. Se o curriculum está bem estruturado e é interessante, então uma larga proporção de estudantes serão "sintonizados" e capazes de absorver a informação.

Os media digitais possibilitam aos estudantes serem tratados como indivíduos – para ter uma elevada experiência de aprendizagem personalizada baseada no seu background, nos seus talentos individuais, na sua idade, estilo cognitivo, preferências interpessoais, etc.

"A verdadeira contribuição dos media digitais para a educação é a flexibilidade que permite aos indivíduos descobrir o seu caminho pessoal de aprendizagem." Seymor Papert Ý

Da aprendizagem tortura ao divertimento

Talvez tortura seja um termo muito forte, mas para muitas crianças as horas de aulas, não são propriamente o ponto alto do seu dia.

Porque deve ser a aprendizagem divertida? Divertir sempre foi uma parte profunda do processo de aprendizagem e os professores têm sido, ao longo da história, alertados para convencer os seus alunos a receber novas ideias. Nesta perspectiva, o melhor professor é o anfitrião. Usando os novos media, o professor trona-se o anfitrião e como tal provoca alegria, motivação e responsabilidade pela aprendizagem. Ý

Do professor como transmissor para o professor ajudante

A aprendizagem torna-se uma actividade social facilitada pela nova geração de educadores. Muitas experiências mostram uma nova faceta do professor, não enquanto transmissor instrutivo, mas enquanto ajudante da aprendizagem social, a qual permite aos alunos construir o seu próprio conhecimento. Os alunos adquirem capacidades de elaborar, procurar, analisar, apresentar e investigar. Com a assistência do professor, eles constróem conhecimento e o seu mundo.

Resta dizer, que toda uma geração de professores necessita aprender novas ferramentas, abordagens e competências. Isto será um desafio – não só devido à resistência à mudança de alguns professores, mas também pela atmosfera provocada pelos actuais cortes orçamentais e a baixa moral dos professores. Ý