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Agora que vivemos no mundo da tecnologia é necessário derrubar barreiras entre gerações em direcção a uma "família aberta". Talvez os novos media forneçam uma plataforma para a abertura das relações familiares, baseadas na audição, partilha de ideias e confiança. As crianças precisam de se diferenciar dos seus pais; tornando-se pessoas autónomas, com os seus segredos. Isto é um desafio à compreensão dos pais. Estes devem encorajar linhas abertas de comunicação com vista a conquistar a confiança das suas crianças.

Contudo não devemos confundir abertura com consentimento. Os pais não devem abandonar prematuramente o seu papel de autoridade, mas sim fazer pequenas concessões.

Numa família aberta, os membros partilham as suas experiências com os media digitais. No passado, o visionamento de um filme, reportagem ou até dos Simpsons servia de motivo para iniciar um diálogo, mesmo que fosse muito informal.

Agora é também possível usar e partilhar os media digitais. Os pais não devem ressentir-se do «generation lap», mas sim aproveitar que as suas crianças compreender melhor as novas tecnologias. Devem perguntar aos filhos quais são os seus sites favoritos. Devem partilhar bookmars. É necessário criar um clima onde as crianças se sintam à vontade para discutir uma expressão racista que foi lançada num canal de conversação, ou contar-lhe algo que receberam e que as deixou desconfortáveis.

O primeiro passo para uma família aberta é a compreensão do potencial dos novos media e a aceitação da cultura da criança.

A família aberta baseia-se na curiosidade, no melhor da infância partilhado com os pais. Para os pais isto pode ser difícil, porque eles não têm disponibilidade suficiente para serem curiosos acerca da cultura das crianças, das novas tecnologias, ou com o que as crianças estão a fazer com elas. Mais frustrante ainda – a Net é muito lenta, e também para se encontrar algo interessante, tem de se passar por muito lixo. Esta curiosidade é um dos pilares fundamentais para o sucesso das famílias, das pessoas, dos negócios e até das culturas das nações. As crianças são muito curiosas. Os adultos devem deixar-se contagiar por esta curiosidade, deixando de lado o cinismo, e tentando ver os novos media pelos olhos das crianças.

As famílias abertas adoptam o modelo interactivo – dando novo significado ao verbo "ouvir". Os pais passam mais tempo a ouvir, explicar, fazer acordos e negociar.

Ouvir é a condição essencial. Se se ouvir as crianças pode-se aprender com elas. Devemos ouvi-las como se de um mentor se tratasse – alguém a quem devemos respeito e com quem podemos aprender. Se nos esforçarmos para compreender o ponto de vista das crianças, estamos a mudar.

As famílias abertas discutem a questão do material inapropriado da Net e arranjam formas de lidar com ele. Mesmo com as leis do Estado, dos tribunais, as companhias de software de ‘censura’ de material, os servidores on-line, ou com o que os pais possam fazer, as crianças continuam expostas a esse material impróprios para as suas idades. Negar o acesso à Internet, recusar a televisão, cortar-lhes as revistas ou qualquer outra coisa que se possa fazer, não alterará este facto.

Mais do que exercer a autoridade paternal, os pais devem discutir com os seus filhos sobre a pornografia e partilhar valores.

Os membros de uma família aberta são críticos. Consideram importante ir até ao fundo da questão, para autenticar a informação e compreender o que está nas entrelinhas.

A família aberta está interligada à Internet. Os pais comunicam com os seus filhos que estão nos colégios, usando o e-mail.

Acontece um curioso paradoxo. Quando os pais são peritos da Internet e activos utilizadores dos novos media, as crianças deixam de ser os primeiros utilizadores. E ressentem-se do tempo que os seus pais passam no computador. Também há a resistência da crianças em interessar-se por algo que os pais gostam, devido ao desejo de independência e diferenciação. Se os seus pais não são entusiastas quanto à utilização do computador, possivelmente os filhos são. Se os pais são, talvez os filhos não sejam.

Numa família aberta, os membros respeitam as escolhas culturais de cada um. Compreendem que há visões alternativas nos diversos assuntos.

Numa família aberta, a criança tem responsabilidades e direito, como explica John Katz, no livro Realidade Virtual. Por exemplo, a criança tem a responsabilidade de se esforçar na escola, de realizar as tarefas em casa, de ser sociáveis, de não ofender as outras pessoas. Estas "crianças responsáveis" têm o direito de ser respeitadas; de ter acesso à sua cultura e novas tecnologias; de formar uma comunidade na Net; de ter novas tecnologias nas escolas; de ter acesso livre à informação; e liberdade para falar.

Os pais necessitam de conduzir a definição dos direitos e das responsabilidades. Se as crianças sabem dizer quando os seus direitos são violados e sabem das suas responsabilidades, por vezes custa-lhes definir, exactamente, o que são esses direitos e responsabilidades.

Nas famílias abertas, os pais e filhos discutem quanto à segurança na Net e fora dela. Estão conscientes dos sérios riscos do mundo físico: drogas, álcool, acidentes, fumar e gangs.

Uma família aberta pode aprender enquanto família. Os novos media, a nova cultura juvenil e as novas experiências da nova geração fornecem uma oportunidade única dos pais e crianças crescerem juntos. Há muitos assuntos novos para discutir. A mudança ocorre a uma velocidade muito maior, do que nas gerações precedentes. O conceito de aprendizagem em família é muito diferente do tradicional conceito de que a aprendizagem era algo transmitido dos pais para as crianças.

Embora tendo interesses comuns, os membros da família compreendem que os objectivos e desejos devam ser diferentes. Os pais precisam por vezes de tomar decisões que não são aceites ou compreendidas pelas crianças. Mas isto deve se a excepção. A obediência cega não é viável nesta geração que tem, um, nunca antes visto, poder para comunicar fora da família, para examinar as informações e para aprender.

As famílias abertas duram mais. As famílias baseadas na confiança, respeito mutuo, negociação e amantes da comunicação bilateral podem crescer mais facilmente numa relação aberta e apaixonada. Estas relações podem também ser perpetuadas às gerações futuras.