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A Internet permite às crianças «metamorfosear» as suas personalidades. Isto tanto pode ser positivo como pode ser negativo. A qualquer momento, uma criança de 13 anos, pode ter cinco janelas abertas. Numa, é ela a mandar postais para a sua avó. Noutra comporta-se como Kramer, de Seinfeld, numa sala de conversação T2, onde estão também um sinal Stop e Pamela Anderson, de Baywatch. Noutra, pode ser TROJANFAN, identificando-se com a sua equipa favorita no ESPN’s Sportzone e mantém discussões acesas acerca de futebol. Noutra pode ser alguém que namora com alguém identificado. Numa última janela, é uma notável voadora que observa o que se passa no MUD.

Isto é muito diferente da criança que é estudante durante o dia, um atleta depois da escola, filha durante o jantar, música durante a sua aula de piano. Aqui ela está a desempenhar diferentes papéis em momentos e em locais diferentes. Como diz Sherry Turkle: "As janelas tornaram-se uma poderosa metáfora para pensar no eu como um sistema múltiplo e fragmentado".

Turkle explica que o eu já não se limita a desempenhar diferentes papéis em cenários e momentos diferentes. A prática vivida nas janelas é a dum eu descentrado que existe em muitos mundos e desempenha muitos papéis ao mesmo tempo. As experiências na Internet ampliam a metáfora das janelas – agora, a própria vida real, pode ser «só mais uma janela».

Isto pode ser positivo, como foi anteriormente explicado, assim a criança pode engrandecer e criar imagens de si própria e do seu mundo que são mais satisfatórias do que a imagem real. Permite-lhes também desenvolver a confiança e o conhecimento para enfrentar melhor a realidade.

Muitas vezes as crianças adoptam novas identidades por razões práticas, mas eles querem reafirmar a sua antiga identidade.