
Há aspectos positivos na TV. Nem todo o seu conteúdo é vazio. É simplesmente para usar. Muitos de nós temos os nossos programas favoritos. A qualidade da TV em termos de produtos de valor é elevada, especialmente comparada a muitos Web sites. A TV e a rádio conquistaram também maior interactividade. Mas há também o papel da passividade. O melhor da televisão continua a ser o facto de, quando chegamos a casa cansados, podermos vegetar em frente ao televisor.
Mas a televisão não morreu, só a televisão tal qual nós conhecemos rígida, um médium unidireccional distribuído por redes que planificam a programação de acordo com as estimativas dos gostos dos telespectadores.
Os que viam a Net como outra TV ficaram para trás. Os programas de TV ficarão disponíveis na Net. Mais do que falar de televisão vs. Net, falaremos de acesso a material vs. acesso a material em tempo real. No acesso gravado (assíncrono) o utilizador escolhe o programa previamente gravado que lhe convém; no acesso em tempo real (síncrono), o utilizador acede ao programa que está a dar. A transmissão simultânea tornar-se-à uma parte do mundo interactivo. A programação televisiva será subordinada à programação que conta realmente a da nossa vida, família e organização. A interactividade permite que programemos melhor as nossas vidas e que acompanhemos o que desejamos de acordo com o nosso horário, e não como é arbitrariamente determinado pelas estações de TV. A diferença é que o horário nobre agora é a qualquer hora.
Quando a TV for absorvida pela Net, as salas familiares, tornar-se-ão, sem dúvida, em novos palcos de conflito e negociação. O zapping satisfaz, normalmente, apenas aquele que tem o comando na mão.