O EU NO CIBERESPAÇO


O computador - e particularmente o computador enquanto terminal da internet - é uma espécie de máquina de visão. Envolve o utilizador, primeiro através da visão, em formas de telepresença que podem mimetizar todo e qualquer um dos sentidos. Os que passam mais tempo imersos na Rede desenvolvem uma espécie de sinestesia que lhes permite exercitar todos os sentidos através dos olhos e dos dedos, conferindo-lhe uma ciberexistência. Talvez isto seja algo como a extensão e amputação do sistema nervoso central que McLuhan sugeriu ser o efeito do computador. Mas muitos utilizadores parecem experimentar o movimento "para dentro" do ciberespaço como a libertação das restrições da vida real - transcendência mais que prótese. No limite, os discursos da liberdade no ciberespaço sugerem que podemos caminhar para fora de nós próprios numa extensão tal que poderemos de algum modo até ser capazes de nos recriarmos, através de um jogo de identidade virtual.

Talvez a experiência de deslocação no tempo e no espaço, que pode ser um dos efeitos da imersão na cibercultura, possa ajudar o indivíduo a ver a sua própria identidade de uma perspectiva diferente. Mas uma pretensão mais extravagante parece assentar numa aura de miraculoso que ainda cerca as tecnologias do virtual. O que nos transporta para o lugar privilegiado do espelho na psicanálise de Jacques Lacan.