A INCERTEZA
Acontece-nos a todos. Olhamos para o futuro, tentando tomar as decisões mais sensatas, só para nos encontrarmos na boca de ferozes incertezas. Ainda se tudo não dependesse de tudo o resto. Como decidir qual o curso universitário mais correcto em termos de carreira futura, se nada nos assegura que essa profissão ainda possa existir dentro de 10 ou 15 anos? Como planear a educação das crianças se não sabemos qual a sociedade em que irão viver? Ao defrontarmo-nos com estes problemas, confrontam-nos com um ainda maior: como equilibrarmos a balança entre a predição - acreditando que conseguimos ver através dessas incertezas, quando na realidade não o conseguimos - e a paralisia - deixando que as incertezas nos congelem na inactividade.
Os detentores do poder defrontam-se com dilemas similares, agravados ainda pelo facto de das suas decisões dependerem as vidas de muitos milhares de pessoas. O cliché é que o poder é solitário. Mas para a maior parte dos que o exercem nos nossos dias, o maior problema é não só a solidão, mas também a confusão. Já não é simples executar, "fazer bem as coisas". Tal como nós, têm que tomar a decisão acertada.
Questões como estas são conhecidas como problemas "detonador grande, big bang". Seja qual for a decisão, o resultado vai ser um big bang - muitas vezes a diferença entre a vida ou a morte de uma organização empresarial ou social -, mas poderá levar vários anos até se saber se se tomou a decisão correcta ou não. Pior ainda, estas questões não se integram na análise tradicional, i.e., é impossível afastar as incertezas das quais depende o sucesso de uma decisão chave.
No entanto, as decisões têm que ser tomadas. Não podemos esperar que desapareça a incerteza. Tudo o que nos puder ajudar a tomar uma decisão num tal ambiente, é valioso. O planeamento a partir da criação de cenários virtuais é o instrumento que de algum modo nos permite minimizar a incerteza da decisão, quer em macro, quer em micro cenários.