INFORICOS E INFOPOBRES
Estamos a assistir a um verdadeiro Ciber-Bang com consequências inimagináveis. A economia virtual começa a forjar uma nova sociedade, ao acelerar a desmaterialização do fluxo, incrementando curto-circuitos informacionais, reestruturando mercados de processamento de informação e generalizando a "desintermediação", mas começa também a provocar novas diferenças culturais entre os "inforicos" e os "infopobres".
Já foi sugerido em conferências internacionais ligar à Internet as escolas da África sub-sahariana, como se de um elixir mágico se tratasse. Outros sugeriram que se ligasse tão simplesmente à rádio. James Wolfensohn, presidente do Banco Mundial, acredita que a resposta está em usar ambos, fazendo notar que a Índia, por exemplo, criou uma elite tecnológica que consome e necessita de tecnologias avançadas, enquanto uma maioria empobrecida necessita de algo mais simples.
À medida que a economia global é cada vez mais de conhecimento intensivo, os fazedores de opinião, homens de negócio e investidores, como George Soros, estão atentos à capacidade de cada país para absorver informação e conhecimento, especialmente na forma digital.
Entre os países inforicos, encontramos no topo os Estados Unidos, Suécia e Canadá. Argentina, Portugal e África do Sul estão no meio. Na base, estão a Arábia Saudita, a Índia, Paquistão, Indonésia e Egipto. Fora da lista, há ainda 150 países sobre os quais ou não existem dados ou são irrelevantes.
Mais de 80% da população mundial não pode fazer uma chamada telefónica. Em países em desenvolvimento, tais como o Perú, telecentros servem 640 pessoas com comunicações básicas, como telefone e fax. Nalguns países da Europa de Leste, a espera por um telefone chega a ser de 10 anos. Nos países mais pobres, como Moçambique, apenas uma pessoa em cada 300 têm telefone.