MEMES


As nossas ferramentas são as palavras, usamo-las como indivíduos e como estudiosos. Na internet não nos limitamos a isso. No entanto, ainda é nas palavras que se baseia. Claro que as palavras não são simples ferramentas que utilizamos de qualquer modo. Estão condicionadas por histórias específicas de uso e significado, e são produto de ressurgências ideológicas específicas. Constituem uma realidade múltipla, produto de uma virtualidade discursiva, no mesmo sentido que Foucault lhe atribuía. A noção que Richard Dawkins apresesenta para "meme", poderá aqui ser-nos útil: o "meme" é o equivalente cultural de um gene, uma "unidade básica de imitação". Do mesmo modo que os genes actuam como replicadores das estruturas biológicas, os "memes" replicam as culturas. Se pensarmos em termos como "comunidade virtual" ou "comunicação mediada por computadores" (CMC) como resultado de (re)combinações miméticas, então talvez estejamos mais receptivos às suas heranças e também encorajados a encarar a intrepidez dos nossos conceitos. Deveríamos estar atentos aos memes recessivos e às circunstâncias em que os elementos da nossa herança mimética se podem recombinar, não afastando as nossas possibilidades de sobrevivência cultural.