TELEVISÃO INTERACTIVA


A ideia de interactividade da televisão é na realidade a de uma falsa interactividade, na medida em que essa deverá ser a apelidação para o tipo de comunicação que a internet efectivamente possibilita. Podemos dizer que se caminha para a interactividade da televisão, eventualmente uma miscigenação desta com a internet, acrescentando-lhe a mais-valia da multimedia, sendo porém muito difícil dizer até que ponto tal acontecerá.

Como futuro mais anunciado e próximo, temos o leque de serviços que a televisão por cabo nos propõe, como o pay-per-view e o home shopping, em que é dada ao espectador a possibilidade de actuar directamente, enquanto emissor de uma ordem.

Embora seja de prever que a televisão não desaparecerá num futuro previsível, tal como o teatro ou o cinema não desapareceram com o desenvolvimento da televisão, não podemos, no entanto, fazer tal afirmação de um modo taxativo, visto a internet estar a ocupar espaços que tradicionalmente cabiam a outros media.

A pesquisa efectuada nos últimos dois anos mostra claramente que a utilização pessoal da internet está a "descolar" da televisão: um estudo confirma que cada vez há menos utilizadores desta, com um decréscimo de 54% durante este período.

Os membros da Geração Net vêem menos uma hora diária de televisão que a mesma faixa etária há cinco anos atrás, e menos cinco horas do que os seus pais. O que caracteriza estas crianças, mais que qualquer outra coisa, é a sua ligação a, e o permanente exercício da ESCOLHA. Portanto, o declínio da televisão entre eles não é surpreendente. A Rede permite que as pessoas tomem decisões alargadas sobre onde querem dispender o seu tempo, o que leva a alguma canibalização da televisão.

A televisão continua a ser um medium unilateral, em que o espectador é um receptáculo passivo para mensagens comerciais e homogéneas. Pelo contrário, a internet é um meio de comunicação "de muitos para muitos", no qual o utilizador é activo e, acima de tudo, interage com outros utilizadores.

Por isso, a prazo, a tendência deverá ser no sentido da incorporação da televisão na internet, de uma lenta dissipação nesta.

Num outro sentido, e mantendo-se como um media independente, a televisão necessita de fazer um esforço no sentido de escapar à facilidade e de se tornar ao mesmo tempo envolvente e mais inteligente, afim de evitar o aumento da fuga maciça que acima referi. O conceito de que a programação na televisão reflecte os gostos do público é falacioso: com poucas possibilidades de escolha, vemos o que há; mas perante diversas alternativas, o sentido nem sempre é aquele que estamos habituados a considerar como o mais "popular".