VIAGENS VIRTUAIS


Joseph Conrad, Julio Verne, Baudelaire ou Jack Kerouac são nomes que, de um ou de outro modo, nos fazem evocar a palavra "viagem". Um dos grandes mitos do Homem, a Viagem sempre povoou os sonhos do imaginário colectivo: o ir mais longe, o ver mais além, a descoberta de outros e, no fim, a descoberta maior, a viagem ao mais profundo do ser, por vezes ao mais negro do ser. Como bem o ilustrou Conrad. Polaco, oficial de marinha, tira das suas viagens reais e de personagens que verdadeiramente conheceu as criações literárias e os personagens que nelas figuram, mergulhando no que de mais escuro a alma humana possui. Ou como Baudelaire, que através da sua visão mística do Universo exprime a viagem trágica do destino humano na virtualidade do álcool e da droga.

Ainda Julio Verne, viajante virtual por excelência, capaz de criar um universo prospectivo e aventuroso a partir da janela de sua casa, pouco mais se aventurando que em alguns parcos cruzeiros pelo Mediterrâneo, viveu e fez viver aventuras, levou a várias gerações a descoberta e o entusiasmo pelas viagens e pelo universo científico.

Jack Kerouac ou Pierre Loti, viajantes reais no mundo real, transformaram os seus sonhos de viagens em viagens reais, o primeiro vivendo uma viagem de álcool e de cannabis dentro da viagem pelo espaço da Highway 66 e do sonho americano, o segundo, vivendo, como Conrad, as viagens e o mar.

Camões, Virgílio ou Homero, criando virtuais mundo de mitos, deuses, maravilhas e terrores, ou Pessoa, criando universos paralelos de uma realidade quase palpável onde os seus heterónimos viviam, sofriam, amavam, morriam...

O sonho, ou a dimensão difusa do desejo almejado, não deixou nunca de viver nos poetas e escritores, virtualizadores por excelência do real que se lhes atravessa no caminho ou de que adivinham a existência.

Será talvez o sonho o que diferencia o Homem dos outros animais, o que lhe permite ver mais longe o que os outros não vêem, será, seguindo Sebastião da Gama, "o que nos leva...".