DE COMUNIDADE VIRTUAL A COMUNIDADE DE PRÁTICA – UM EXEMPLO NA EDUCAÇÃO ESPECIAL

RESUMO

A orientação política para a Educação Especial está a mudar de uma forma radical em Portugal, numa perspectiva de inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais (NEE), de carácter permanente, no sistema de ensino regular. Até 2007-2008, estas crianças e jovens encontravam-se maioritariamente em instituições privadas de ensino especial, apoiadas financeiramente pelo Estado, as quais estão agora a ser reconvertidas em centros de recursos de apoio à inclusão destes alunos nas escolas.

O espectro das necessidades educativas especiais abrangia um leque muito vasto de crianças e jovens, incluindo casos de dificuldades de aprendizagem, insucesso escolar ou comportamentos problemáticos, que integravam o grupo das NEE, e que passaram a ser tratados no âmbito da recuperação de alunos, nomeadamente ao abrigo do Despacho Normativo nº 50/2005, de 9 de Novembro. O grupo alvo de alunos da Educação Especial restringe-se agora aos casos de carácter mais severo e permanente, cuja identificação passou a recorrer a instrumentos como a Classificação Internacional de Funcionalidade. Neste contexto, novas estruturas têm estado a ser criadas nos agrupamentos de escolas, no sentido de providenciar às necessidades específicas destes alunos: (i) unidades de ensino estruturado para a educação de alunos com perturbações do espectro do autismo; (ii) unidades de apoio especializado para a educação de alunos com multideficiência e surdocegueira congénita; (iii) escolas de referência para a educação bilingue de alunos surdos; (iv) escolas de referência para alunos cegos ou com baixa visão; (v) centros de recursos TIC para a educação especial (CRTIC), sedeados em escolas, com uma distribuição a nível distrital, que irão dar apoio a escolas da respectiva área geográfica de proximidade.

Dada a especificidade da missão destas redes de apoio a alunos com NEE, de carácter permanente, formula-se a hipótese de criação de uma comunidade virtual de docentes da educação especial, a exercer funções nestas redes, de forma a criar mecanismos de proximidade, a quebrar algum isolamento e a ajudá-los a orientar a sua actividade. Este trabalho de projecto parte da experiência pessoal de gestão de uma comunidade virtual de docentes da educação especial nos Centros de Recursos TIC para a Educação Especial (CRTIC-Moodle), extrapolando para uma simulação de comunidade virtual mais alargada – Comunidade Virtual da Educação Especial (CVEE). Neste trabalho, procura-se encontrar estratégias para a transformação em comunidade de prática, verdadeiramente dinâmica e participada, de forma a que os seus membros promovam o debate e partilha de experiências e se entre-ajudem no sentido de encontrarem soluções adequadas às necessidades dos alunos que têm de acompanhar.

PALAVRAS-CHAVE: eLearning, comunidade virtual, comunidade de prática, aprendizagem entre pares, tecnologias de apoio, acessibilidades, educação especial, escola inclusiva.