TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO: UM CONTRIBUTO PARA A APRENDIZAGEM DO PORTUGUÊS COMO LÍNGUA NÃO MATERNA

RESUMO

As mudanças ocorridas na sociedade portuguesa nas últimas décadas, em resultado dos sucessivos movimentos migratórios, têm colocado à Escola constantes desafios, nomeadamente no que diz respeito à heterogeneidade sociocultural e diversidade linguística da sua população escolar.

A Escola Secundária da Baixa da Banheira é frequentada por um grande número de alunos de ascendência moçambicana, cabo-verdiana, angolana, são-tomense, guineense e, nos últimos anos, para além dos alunos oriundos dos países atrás referidos, têm também vindo a matricular-se alunos oriundos do Senegal, da Rússia, da Roménia, da China e da Moldávia. Assim sendo, tem-se vindo a sentir, cada vez mais, a necessidade da escola criar condições pedagógicas e didácticas capazes de proporcionar, a estes alunos, uma adequada aprendizagem da língua portuguesa. Apesar das diversas estratégias que têm vindo a ser implementadas, no âmbito do PLNM, sente-se que esta não é uma tarefa fácil, até porque muitos destes alunos chegam, por vezes, à escola já depois do ano lectivo ter tido início. Tal situação dificulta, em muito, a sua integração no projecto curricular das turmas em que são inseridos.

Era, por isso, importante que a escola possuísse os recursos necessários para dar resposta às necessidades específicas destes alunos, que exigem um acompanhamento mais individualizado e uma maior diferenciação do trabalho a realizar. A necessidade de implementação de um projecto desta natureza torna-se mais premente quando estamos perante alunos que, em resultado da avaliação diagnóstica, são posicionados nos níveis de proficiência linguística avançados (B2 e C1) e que, por isso, são considerados aptos a acompanhar o currículo nacional, beneficiando apenas mais de uma unidade lectiva de 90 minutos, comparativamente aos restantes alunos. E, se pensarmos que este posicionamento não tem em linha de conta nem as suas necessidades curriculares, nem tão pouco as diferenças de currículo entre o país de origem e o país de acolhimento, compreenderemos facilmente, sobretudo no ensino secundário, em que os programas prevêem a leitura e o estudo de obras do cânone literário nacional, que a carga horária semanal não permite um real acompanhamento individualizado destes alunos.

Neste sentido, entendemos que as modernas tecnologias, pela diversidade de ferramentas que disponibilizam, podem desempenhar um papel importante na aprendizagem, ao permitirem a exploração de novos modelos e recursos. Pretendemos, assim, com este projecto, criar um espaço de aprendizagem, como complemento ao trabalho desenvolvido em contexto de sala de aula, que permita colocar estes alunos numa relação directa com os conteúdos ministrados, através de situações de aprendizagem previamente preparadas. Recorremos, assim, à plataforma Moodle para criar um dispositivo de ensino à distância, na modalidade de b-learning, o qual proporcionará aos alunos uma maior autonomia na resolução das tarefas propostas, assim como a possibilidade de seguirem um percurso de aprendizagem mais individualizado, com um horário flexível e ao seu ritmo.

PALAVRAS-CHAVE: b-Learning, Internet, Português Língua Não Materna, Aprendizagem.