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Arquitectura Paisagista Eng. do Ambiente Eng. Florestal Urbanista


ARQUITECTO PAISAGISTA

Natureza do Trabalho

Os arquitectos paisagistas estudam e planeiam a paisagem rural ou urbana, ordenando os diversos elementos de modo a favorecer a existência de equilíbrio ecológico e tendo em consideração aspectos biofísicos, estéticos, sociais e económicos.

Participam no planeamento e ordenamento do território, concebendo infra-estruturas funcionais, atraentes e compatíveis com o meio ambiente. Assim, desenham áreas residenciais, agrícolas, industriais e comerciais, espaços de lazer (por exemplo jardins públicos) e espaços de utilidade pública (por exemplo parques infantis) de forma a promoverem a harmonia entre estes e o meio envolvente. Planeiam o traçado de ruas e passeios e a respectiva arborização. Concebem espaços (ruas, praças e parques) destinados, exclusivamente, aos peões. Projectam a recuperação de edifícios e núcleos urbanos históricos, bem como de paisagens degradadas, sejam elas rurais (como uma pedreira ou uma mina desactivada) ou urbanas (como um bairro de lata). Planeiam a ocupação/utilização de zonas costeiras, definindo os espaços destinados à construção e aqueles em que esta é proibida. Seleccionam o tipo de vegetação adequado para determinado clima ou solo, sejam os objectivos predominantemente estéticos, como por exemplo a utilização de flores numa rua, ou relacionados com a manutenção do meio ambiente, como é o caso da plantação de árvores para evitar a erosão dos solos.

Quando planeiam intervir em determinado local, consideram a natureza dessa intervenção (por exemplo, se é uma recuperação ou uma construção de raiz), o seu objectivo (por exemplo, se visa a construção de uma zona residencial ou de lazer) e o orçamento disponível. Posteriormente, analisam as características do local relacionadas com os elementos naturais (clima, solo, vegetação, águas e seres vivos) e com os elementos humanos (hábitos, interesses, história, organização social, etc.) e avaliam os efeitos e a utilidade do projecto. Uma vez analisado o local, elaboram um desenho preliminar que, tendo em conta as necessidades do cliente e as características do local, poderá ser alvo de muitas modificações até ser apresentado ao cliente. Fazem e apresentam ao cliente o caderno de encargos e a maqueta do projecto, que é acompanhada por documentos (memória descritiva) que o explicam pormenorizadamente, tais como relatórios e fotografias e que especificam os métodos e os materiais a utilizar, podendo o cliente propor alguma alteração. Segue-se a execução, fase na qual os arquitectos paisagistas supervisionam os trabalhos, garantindo o respeito pelo projecto.

Alguns arquitectos paisagistas trabalham em diversos tipos de projectos. Outros especializam-se numa determinada área de actuação como a criação de zonas residenciais, a restauração de centros históricos, o planeamento de parques e jardins ou o desenho de centros comerciais e áreas envolventes. Outros ainda, dedicam-se ao planeamento regional, aos estudos de impacto ambiental (vd.Engenheiro do Ambiente - Natureza do trabalho) ou à análise de custos.

Para realizarem o seu trabalho é comum utilizarem tecnologias informáticas, principalmente sistemas específicos para desenhar, como o CAD (computer-aided design) e programas de cálculo como o Excel. É também frequente usarem informação via satélite e fotografias aéreas para analisarem, por exemplo, as características de um determinado local, e recorrerem a fotografias e filmes de vídeo aquando da exposição do projecto junto do cliente.

Esta é uma actividade em que é habitual o trabalho com profissionais de outras áreas, constituindo-se equipas multidisciplinares que podem incluir, entre outros, arquitectos, engenheiros civis, arqueólogos, geólogos, geógrafos, engenheiros do ambiente, jardineiros, pedreiros, canalizadores e calceteiros.

Os arquitectos paisagistas deverão interessar-se pela criação e manutenção de um ambiente físico atraente, pelo que é conveniente o gosto pela hortifruticultura e pela floricultura. Habilidade para desenhar e capacidade para conceber e perceber relações de espaço entre objectos, são outras características a ter em conta e a desenvolver. Devem possuir capacidade de negociação, para persuadir o cliente a aceitar os planos e o projecto. Compreender a cultura da comunidade afectada pelo projecto, através do estudo objectivo das suas características históricas, sociais, religiosas, económicas e outras, é igualmente de extrema importância, pois só desta forma o projecto será bem sucedido.

 

Emprego

As principais entidades empregadoras destes profissionais são as câmaras municipais, as comissões de coordenação regional, o Instituto de Conservação da Natureza (organismo do Ministério do Ambiente responsável pelos parques e reservas naturais), as empresas privadas de construção civil e os ateliers de arquitectura.

A crescente preocupação com o meio ambiente tem contribuído para o aumento das hipóteses de trabalho, encontrando-se o mercado de trabalho, em situação de procura. Os arquitectos paisagistas concentram-se, principalmente, em Lisboa e no Porto. Contudo, começa-se a verificar o aumento da procura noutras áreas urbanas, incluindo as dos Açores e Madeira.

A concorrência a estes profissionais faz-se notar, sobretudo, por parte dos engenheiros agrónomos (quando se tratam de paisagens rurais) e dos arquitectos (quando se tratam de paisagens urbanas).

 

Formação e Evolução na Carreira

A formação académica exigida consiste numa licenciatura em Arquitectura Paisagista, que pode ser obtida num dos seguintes estabelecimentos:

Ensino Público

Licenciatura

Estabelecimentos

Arquitectura Paisagista

Inst. Sup. de Agronomia da Univ. Técnica de Lisboa; Univ. de Évora

Fonte: Guia de Acesso ao Ensino Superior - Disciplinas Específicas 1997

Vegetação, Planeamento e Ordenamento, Desenho, Solos, Hidráulica, Projectos, Ecologia, Matemática, Física, Sociologia Rural e História da Arte são algumas das matérias que compõem o curriculum desta licenciatura.

Durante a vida activa é, por vezes, útil aprofundar conhecimentos em determinada área. Nesse sentido, os interessados podem optar, por exemplo, por uma pós-graduação em Reabilitação de Centros Urbanos ou por um mestrado em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico. Imprescindível será a contínua actualização de conhecimentos, como os relacionados com as tecnologias informáticas e com os materiais de construção, e que pode ser adquirida mediante acções de formação em instituições habilitadas para o efeito ou acções de formação realizadas pelo indivíduo (auto-formação).

No sector público, a carreira inicia-se com um estágio, cuja duração é de 12 meses. A evolução processa-se de acordo com o mérito, o tempo de serviço e a existência de vagas, havendo a considerar a sua morosidade, factor que dificulta o acesso a cargos de topo por parte de muitos profissionais. No sector privado, essa evolução varia de organização para organização em função da sua dimensão e tipo de actividade, assim como da experiência e conhecimentos demonstrados pelo indivíduo. Processando-se, habitualmente, de forma mais rápida que no sector público, a possibilidade de desempenhar cargos de direcção é maior.

 

Condições de Trabalho

Os arquitectos paisagistas ocupam grande parte do seu tempo em gabinetes, normalmente confortáveis (com boa iluminação natural e artificial, estiradores, computadores, etc.) onde realizam os seus planos e desenhos, constróem maquetas, prevêem custos, fazem pesquisas e participam em reuniões. O restante tempo é passado nos locais alvo da intervenção, quer no momento anterior à elaboração do projecto, com vista a estudar o local, quer durante a sua elaboração, procedendo a visitas que visam confirmar se se enquadra na paisagem, quer ainda na fase de execução, observando e supervisionando a construção.

A situação laboral mais comum combina o trabalho por conta de outrem (sobretudo na administração pública local e central) com o trabalho por conta própria em ateliers. Porém, não são raros os casos de trabalhadores que desempenham funções apenas por conta própria (estes correspondem, normalmente, aos que já acumularam bastante experiência) ou por conta de outrem. Quando são funcionários públicos, o horário corresponde a 35 horas semanais. Nas empresas privadas verifica-se alguma flexibilidade, trabalhando-se em média 40 horas por semana. Para os que trabalham como profissionais liberais, a carga horária é bastante variável, dependendo do prazo para entrega das encomendas que lhes são feitas e da respectiva dimensão e quantidade. Estão, por isso, sujeitos a intercalar períodos de grande ocupação (inclusive fins de semana) com períodos em que a actividade é muito reduzida.

 

Remunerações

Para 1997, o leque salarial dos profissionais que trabalham na administração pública varia entre os 161.500$00 no início de carreira e os 473.700$00 no topo (valores ilíquidos). A generalidade dos assalariados das empresas privadas tem rendimentos que variam entre os 120.000$00 no início da carreira e os 400.000$00 no respectivo topo, constituindo-se como factores de diferenciação a experiência, os conhecimentos e o desempenho. No que se refere aos profissionais liberais, os seus vencimentos são directamente proporcionais ao volume de trabalho realizado: podem ultrapassar os 500 contos aquando do desenvolvimento de um grande projecto ou de vários projectos de menor dimensão em simultâneo; podem também situar-se, por exemplo, nos 150 contos, quando surge apenas uma pequena encomenda.

 

Perspectivas

Esta é uma profissão que tem assumido crescente importância à medida que a qualidade de vida das populações se torna preocupação generalizada. Neste sentido, o campo de trabalho é vastíssimo e a tendência será o aumento da procura.

Actualmente, o desenho de zonas comerciais, industriais e residenciais, não só nos maiores centros urbanos, mas também nas pequenas cidades e vilas da província, constitui uma actividade com grande capacidade de absorção de mão-de-obra. No entanto, no futuro poder-se-à assistir a um decréscimo na procura de profissionais neste tipo de actividade, surgindo então, como principais pólos de dinamização do emprego, sectores que se têm vindo a desenvolver e assim continuarão a longo prazo: ambiente, recuperação de paisagens urbanas e turismo.

Os trabalhos relacionados com o ambiente que mais requisitarão os conhecimentos dos arquitectos paisagistas serão os estudos de impacto ambiental, a concepção de espaços recreativos e de lazer e o desenvolvimento das áreas protegidas: parques nacionais, parques naturais, reservas naturais e paisagens protegidas ( vd. Engenheiro do Ambiente - Natureza do Trabalho ). Na recuperação de paisagens urbanas destacar-se-ão actividades ligadas à recuperação e preservação de edifícios e centros históricos. O sector do turismo promoverá emprego, sobretudo, em actividades relativas a projectos de turismo de habitação e turismo rural, planeamento da ocupação/utilização de zonas costeiras e desenho de complexos turísticos e desportivos.

Apesar da inserção no mercado de trabalho se verificar com alguma facilidade, os candidatos devem considerar que durante a vida activa é fundamental a actualização e o aprofundamento dos conhecimentos, principalmente no que diz respeito ao desenho, à informática e aos materiais de construção. Só assim podem responder às novas exigências que, nestes domínios, são apresentadas regularmente pelo mercado de trabalho.

 

Contactos para Informações Adicionais

Ass. Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, R. do Século, 79 R/C Esq.º, 1200 Lisboa, Tlf. (01) 3473602.

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