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Arquitecto Designer


ARQUITECTO

 

Natureza do Trabalho

Os arquitectos estudam, idealizam, projectam e acompanham a construção de edifícios, tais como prédios de habitação e de escritórios, hotéis, centros comerciais, fábricas, hospitais, escolas e igrejas. São também responsáveis por projectos de urbanismo ( vd. também Urbanista ), através dos quais concebem, por exemplo, conjuntos habitacionais, complexos turísticos, campus universitários e parques industriais. Alguns arquitectos especializam-se em arquitectura de interiores ou dedicam-se a preservar o património arquitectónico, ocupando-se da conservação e restauro de edificações antigas.

Quando projectam edifícios e outras construções, os arquitectos preocupam-se com diversos aspectos. Além do factor estético dos seus trabalhos, atentam sobre a relação harmoniosa do edifício com o meio circundante e consideram as técnicas de boa construção e os critérios de segurança, funcionalidade e conforto. É preciso, ainda, que o projecto esteja de acordo com o orçamento financeiro existente e com as necessidades do cliente.

A elaboração de um projecto segue, por norma, determinadas fases. Inicialmente, o arquitecto discute com o cliente os objectivos, as exigências e o orçamento do projecto, elaborando, em seguida, um relatório (designado por programa), no qual são especificados os requisitos que o projecto deve satisfazer. Inicia, então, a elaboração do projecto. Este materializa-se num conjunto de esboços, desenhos, maquetas e planos, através dos quais é visível o aspecto interior e exterior da edificação e onde são especificados graficamente os detalhes relativos à sua construção. Por exemplo, os desenhos devem especificar de que forma estão integrados na estrutura os sistemas eléctrico, de canalização, de aquecimento e ventilação, de ar condicionado, entre outros. Um arquitecto deve saber, assim, conjugar três domínios considerados fundamentais na elaboração de um projecto: o domínio artístico (em virtude das preocupações estéticas), o técnico (é necessário conhecer técnicas de construção e materiais) e o científico (além de exigir conhecimentos da área, o seu trabalho tem uma carga social, económica, histórica e humana que é necessário ter em atenção).

Uma vez finalizado o projecto, é necessário apresentá-lo e discuti-lo com o cliente. Após essa discussão, algumas alterações podem ser introduzidas no projecto. Por vezes, o arquitecto presta também assistência ao cliente, auxiliando-o, por exemplo, na obtenção da licença de construção junto dos serviços públicos e na preparação e negociação do contrato de empreitada. Além disso, especifica os materiais de construção (atendendo, por exemplo, à sua resistência e durabilidade), elabora o caderno de encargos e fornece indicações sobre o custo e a duração dos trabalhos. No decorrer da construção do edifício, é habitual visitar o local onde esta se desenrola, com vista a certificar-se do progresso e da qualidade dos trabalhos. Nesta fase, é comum o arquitecto gastar parte do seu tempo a discutir problemas de construção com o encarregado da obra e com os engenheiros envolvidos. O trabalho do arquitecto não está concluído até que toda a construção esteja terminada, os testes exigidos estejam efectuados e os custos da construção pagos. Em alguns casos, esta responsabilidade é partilhada por uma equipa multidisciplinar, constituída pelos especialistas envolvidos na construção e da qual o arquitecto faz parte.

A actividade dos arquitectos divide-se, assim, em duas fases distintas: a criativa, durante a qual o projecto é idealizado e passado para o papel, e a de gestão e de controlo de operações, em que é necessário exercer uma actividade de assistência ou fiscalização da execução da obra, de forma a garantir que o trabalho final seja fiel ao projectado. Alguns dos arquitectos que trabalham em equipa num gabinete ou empresa especializam-se, por vezes, numa destas fases. Enquanto uns são principalmente responsáveis pela gestão das construções ou até apenas pela gestão da sua empresa (realizando, por isso, pouco trabalho de desenho), outros ocupam-se principalmente da concepção de projectos. Alguns arquitectos são ainda especializados na elaboração de projectos de certos tipos de edificações, tais como unidades fabris ou estabelecimentos de ensino.

Atendendo à natureza da sua actividade, os arquitectos necessitam de trabalhar, no seu dia-a-dia, com todo o tipo de pessoas, dos mais diversos campos profissionais. Clientes, colegas de profissão, engenheiros, urbanistas, arquitectos de interiores, arquitectos paisagistas, construtores civis, mestres-de-obra e operários são pessoas com as quais os arquitectos costumam contactar com frequência. Este contacto é particularmente acentuado na fase de execução dos projectos, durante a qual o arquitecto necessita de coordenar os esforços dos vários profissionais envolvidos. A capacidade de comunicação é, por isso, muito útil nesta profissão. Os arquitectos devem também ser pessoas com sentido prático, criativas e interessadas em factores sociais e ambientais (dado que os devem considerar na concepção dos seus projectos). Qualidades importantes são, ainda, a aptidão artística, a habilidade para desenhar e a capacidade de conceber e perceber relações de espaço entre elementos.

O domínio de conhecimentos informáticos é também vantajoso e decorre do uso generalizado do computador nos gabinetes de arquitectura, nomeadamente para a representação de desenhos bidimensionais e tridimensionais, processamento de texto e cálculos de gestão financeira. Bastante útil é o conhecimento do computer-aided design (CAD). O CAD é um software que auxilia os arquitectos na elaboração de desenhos e planos e que lhes permite visualizar, desenvolver e apresentar opções, e fazer alterações mais facilmente, melhorando a qualidade das suas propostas. Os arquitectos devem, ainda, estar atentos ao aparecimento de novas tecnologias e materiais, pois estes podem tornar-se bastante proveitosos para o desenvolvimento do seu trabalho. Por exemplo, enquanto o mercado contava há 50 anos com cerca de 500 tipos de materiais de construção, actualmente tem disponível cerca de 50 mil.

 

Emprego

A maioria dos arquitectos exerce a sua profissão por conta própria, como trabalhador independente, empresário em nome individual ou membro de uma sociedade (tal como um atelier ou gabinete de arquitectura). Este tipo de sociedades tem crescido nos últimos anos e segue dois tipos de modelos: sociedades formadas só por arquitectos e sociedades formadas por arquitectos e outros profissionais que participam nos projectos de arquitectura, nomeadamente engenheiros. Este último modelo é, contudo, menos vulgar, uma vez que a grande maioria dos gabinetes de arquitectura prefere recorrer à sub-contratação de outros profissionais para a realização de trabalhos de especialidade (águas, esgotos, estabilidade, electrotecnia, telefones, térmica, acústica, etc.). A quase totalidade destes gabinetes são de pequena dimensão, pois são muito raros os ateliers constituídos por mais de 5 arquitectos.

Nos últimos anos, tem-se registado, todavia, o aumento do número de arquitectos por conta de outrem, principalmente na administração pública e, em particular, na administração local. Esta situação resulta, por um lado, do desenvolvimento do papel do Estado no ordenamento do território e, por outro, do reforço dos quadros técnicos da administração pública central, regional e local. Estes factores têm conduzido à ampliação da área de intervenção do arquitecto no domínio do urbanismo, nomeadamente ao nível da gestão municipal. Hoje em dia, os arquitectos constituem um elemento fundamental na quase totalidade dos municípios nacionais e representam cerca de 30% dos técnicos superiores das câmaras municipais. Este valor é também justificado pela necessidade que a administração local tem de recorrer aos arquitectos para a área do património e conservação de edifícios. Muitos arquitectos são recrutados pelas câmaras, por exemplo, para integrarem gabinetes técnicos locais responsáveis pela realização de programas de reabilitação urbana.

No sector privado, os arquitectos por conta de outrem estão principalmente empregados em empresas imobiliárias, de construção e de engenharia. Trabalham também para outros arquitectos (independentes ou associados em gabinetes de arquitectura). No entanto, é comum muitos arquitectos acumularem o exercício em regime de trabalhador por conta de outrem com o de independente. Esta situação verifica-se, sobretudo, nos casos em que o arquitecto procura, por uma questão de estabilidade ou sobrevivência económica, um emprego estável, mas não abdica de fazer projectos a título particular.

Os principais promotores de projectos de arquitectura são os particulares e as empresas, constituindo o principal mercado dos arquitectos. Por esta razão, a maioria dos projectos a que estes profissionais se dedicam são habitações privadas. A administração pública (central e local) é responsável, sobretudo, por projectos de edifícios públicos de equipamentos, habitação social e recuperação de edifícios.

A atribuição de um determinado projecto a um arquitecto depende, sobretudo, da sua experiência, do seu nível de qualificações e do bom nome que possui no mercado. Quando se tratam de obras públicas (ou seja, promovidas pelo Estado), a escolha de um arquitecto ou de um gabinete de arquitectura para a concepção de projectos processa-se segundo um concurso, através do qual se avaliam as propostas de cada concorrente, com base em determinados critérios.

A elaboração de projectos de arquitectura não é, todavia, uma actividade exclusiva dos arquitectos, o que lhes traz algumas dificuldades profissionais no mercado de trabalho. De facto, também alguns engenheiros (por exemplo, os engenheiros civis) se podem responsabilizar por alguns tipos de projectos, concorrendo directamente com os arquitectos. Além disso, tem-se assistido, nos últimos anos, ao aumento acentuado de arquitectos no mercado de trabalho, em virtude do aparecimento de novos cursos de arquitectura. A oferta actual é, assim, superior à procura, trazendo algumas dificuldades de emprego, principalmente para os recém-licenciados.

Por opção ou em resultado das dificuldades de inserção no mercado de trabalho, alguns arquitectos enveredam pela área do ensino (secundário e superior) e pela investigação. As possibilidades de investigação em arquitectura são, no entanto, muito escassas no nosso país (restringem-se quase totalmente ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil), pelo que só um número muito reduzido de profissionais se dedica a esta área.

A distribuição dos arquitectos pelo país aponta para uma grande concentração em zonas urbanas, nomeadamente nas áreas de Lisboa e Porto. A região de Lisboa e Vale do Tejo apresenta-se como a que mais arquitectos reúne. As zonas do interior são as que revelam maior falta destes profissionais, principalmente nas câmaras com menos recursos financeiros e nas regiões mais despovoadas.

 

Formação e Evolução na Carreira

O exercício da profissão de arquitecto está limitado às pessoas licenciadas em Arquitectura e depende de registo na Associação dos Arquitectos Portugueses (AAP), a qual lhes atribui o título profissional. As licenciaturas existentes são, nomeadamente, as seguintes:

Ensino Público

Arquitectura

Fac. de Ciências e Tecnologia da Univ. de Coimbra, Fac. de Arquitectura da Univ. do Porto, Fac. de Arquitectura da Univ. Técnica de Lisboa e Univ. do Minho (Braga)

Ensino Particular e Cooperativo

Arquitectura

Univ. Lusíada (Lisboa, Porto e Vila Nova de Fa-malicão), Escola Superior Artística do Porto, Univ. Moderna (Lisboa), DINEN-SINO - Ensino, Desenvolvimento e Cooperação, CRL (Setúbal), Escola de Tecnologias Artísticas de Coimbra, Inst. Sup. de Matemática e Gestão (Lisboa)

Fonte: Guia de Acesso ao Ensino Superior - Disciplinas Específicas 1997

O plano curricular destes cursos é, por norma, generalista, na medida em que reúne diversos conjuntos de conhecimentos. A par com as cadeiras consideradas nucleares (Projecto e Desenho, por exemplo), existem cadeiras como Teoria e História da Arquitectura, Urbanismo, Sociologia ou Economia.

Hoje em dia, a maioria dos arquitectos inicia a sua carreira trabalhando por conta de outrem, geralmente num atelier e na qualidade de arquitectos estagiários. Esta situação resulta, sobretudo, do facto do estabelecimento por conta própria implicar custos iniciais muito elevados. Além disso, a realização de um estágio num atelier permite ao recém-licenciado adquirir experiência, quer através da realização de trabalhos, quer através do contacto com colegas mais experientes. Após o estágio, e com a evolução na carreira, o profissional torna-se arquitecto júnior, arquitecto sénior e, após um ou mais cursos de especialização, consultor.

Outros arquitectos iniciam a sua carreira por conta própria, associando-se em pequenos grupos (por vezes, formados na faculdade) e participando em concursos. A progressão de um arquitecto por conta própria é principalmente avaliada em função da sua clientela e do número, importância e qualidade dos seus trabalhos.

Aqueles que exercem a sua profissão como funcionários públicos, seja como técnicos superiores da administração pública, seja como docentes ou investigadores, evoluem profissionalmente de acordo com o que está estabelecido na lei, ou seja, com base no mérito evidenciado, no tempo mínimo de serviço efectivo na categoria e na existência de vagas. A evolução na função pública é, no entanto, algo morosa e em muitos casos não se chegam a atingir as categorias de topo.

Para quem desejar prosseguir os seus estudos na área da arquitectura, existem diversos mestrados e pós-graduações, nomeadamente Planeamento e Projecto do Ambiente Urbano, Tecnologia da Arquitectura e Qualidade Ambiental ou Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico. Como formação complementar destacam-se, ainda, os cursos em informática e fotografia, os quais são bastante proveitosos, principalmente para os recém-licenciados (que devem reunir o maior número possível de mais-valias). A obtenção de formação jurídica na área da construção pode revelar-se igualmente útil.

 

Condições de Trabalho

Grande parte do tempo dos arquitectos é gasto nos seus gabinetes de trabalho (em casa ou na empresa), recebendo e aconselhando clientes, discutindo projectos, produzindo desenhos e relatórios e trabalhando com outros arquitectos e engenheiros. Algum do seu tempo é também passado fora dos seus gabinetes visitando, por exemplo, os clientes e os locais de construção dos seus projectos, de forma a avaliar os progressos e a ajudar os encarregados das obras e/ou os engenheiros na resolução dos problemas que vão surgindo. Por vezes, improvisa-se um atelier no próprio local de construção (condição que até faz parte de alguns contratos).

Os horários praticados dependem, sobretudo, da situação laboral. Os arquitectos que trabalham como técnicos superiores possuem o horário praticado na função pública, de 35 horas semanais. Aqueles que trabalham por conta própria têm, por norma, horários bastante irregulares. Dada a necessidade de cumprir os prazos de entrega dos projectos, são também normais as situações de stress e as horas de trabalho nocturnas e aos fins-de-semana.

 

Remunerações

Os rendimentos dos arquitectos que trabalham por conta própria são difíceis de determinar, uma vez que recebem em função dos trabalhos que realizam e as suas encomendas são irregulares. Um arquitecto pode, por exemplo, receber cerca de 1.000 contos por um projecto e ter que aguardar durante vários meses para que um novo trabalho lhe seja encomendado.

Os honorários pagos aos arquitectos são, por norma, calculados em função do valor das obras que projectam, isto é, recebem uma determinada percentagem do valor da obra, a qual é acordada com o cliente. Quando se tratam de obras públicas, a percentagem paga é a que está prevista na lei e depende quer do valor da obra, quer da categoria a que esta pertence. Segundo a tabela legal, essa percentagem pode variar entre os 3% e os 14% do valor da obra.

De acordo com a AAP, o rendimento anual bruto de cerca de metade dos nossos arquitectos variava, em 1994, entre os 2.000 e os 5.000 contos. Estes valores dizem respeito, contudo, a todos os arquitectos, incluindo os que trabalham por conta própria e por conta de outrem e, neste último caso, quer como funcionários públicos, quer como assalariados num atelier. Na função pública, os arquitectos recebem o ordenado bruto previsto para os técnicos superiores, o qual é, em início de carreira, de 161.500$00 (valores para 1997). O ordenado bruto máximo de topo de carreira para estes técnicos é, para o mesmo ano, de 473.700$00. Nos ateliers, a remuneração mensal é bastante variável e depende, sobretudo, da experiência profissional e da antiguidade na empresa. Quem trabalha como assalariado tem a desvantagem de não receber em proporção da importância dos projectos que realiza. Possui, no entanto, a segurança de uma remuneração mensal regular.

 

Perspectivas

Quem venha a iniciar uma carreira de arquitecto nos próximos anos deve contar com o aumento das dificuldades na entrada no mercado de trabalho. O número de arquitectos triplicou nos últimos dez anos (actualmente, estão inscritos cerca de 6.200) e o número actual de alunos matriculados nas nossas faculdades permite calcular que, no ano 2000, existirão cerca de 10 mil arquitectos no mercado nacional. Esta situação deixa antever um significativo desequilíbrio entre a oferta e a procura, muito prejudicial para os futuros recém-licenciados.

Espera-se, todavia, que os serviços de arquitectura venham a ter maior procura, em resultado da emergente sensibilidade dos cidadãos para com os problemas relativos ao ambiente e à qualidade de vida e cuja resolução passa, em parte, pela intervenção dos arquitectos. As preocupações crescentes com a conservação e restauro do património histórico e arquitectónico constituem um factor de valorização dos préstimos dos arquitectos e prevê-se que venham também a contribuir para a melhoria das suas perspectivas profissionais.

Quem pretenda optar pela profissão de arquitecto deve fazê-lo, por isso, com algum optimismo, mas consciente das dificuldades existentes. Nesta actividade, o exercício por conta própria nem sempre é possível em início de carreira e é necessário reunir o maior número possível de trunfos profissionais (estágios, formação complementar, conhecimento de novas tecnologias, etc.). Um aspecto a considerar prende-se com o facto das áreas metropolitanas estarem saturadas, pelo que as oportunidades de emprego podem surgir com mais facilidade no resto do país.

A curto prazo, esperam-se, ainda, mudanças decorrentes das acções que a AAP espera levar a cabo. Actualmente, esta associação profissional aguarda a passagem para Ordem dos Arquitectos e, com ela, a obtenção de poderes regulamentares sobre o exercício da actividade profissional dos arquitectos. A imposição de um estágio obrigatório de dois anos aos alunos dos cursos de Arquitectura e o reconhecimento destes como arquitectos ou como urbanistas constituem duas das muitas medidas que esta futura Ordem espera realizar nos próximos anos.

 

Contactos para Informações Adicionais

Ass. dos Arquitectos Portugueses, Travessa do Carvalho, 21/25, 1200 - Lisboa, Tlf. (01) 3432454/9.

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