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Arqueólogo Assistente Social e Técnico de Política Social
Diplomata Economista
Historiador Sociólogo


ARQUEÓLOGO

Natureza do Trabalho

Os arqueólogos ocupam-se da recolha e análise sistemática dos vestígios materiais das civilizações e culturas do passado, com o objectivo de melhor as conhecerem. É através da actividade destes profissionais que se torna possível conhecer as épocas mais remotas da História da Humanidade, anteriores ao aparecimento da escrita (tempos pré e proto-históricos), bem como épocas mais recentes. Por outro lado, permite a reconstituição dos hábitos e costumes do quotidiano, de um modo geral não abordados nos documentos escritos.

Na actividade destes profissionais podem-se distinguir três fases complementares: a detecção, a recolha e a análise dos vestígios arqueológicos. Num primeiro momento, os arqueólogos fazem o levantamento dos locais onde podem existir vestígios materiais de povos antigos. Estes vestígios podem ser ruínas de habitações, templos, sepulturas, esculturas, pinturas, ferramentas, peças de cerâmica, moedas, armas ou outros objectos. De seguida, e sempre que tal seja possível e necessário, procedem às escavações para fazer a recolha dos objectos. Quando se tratam de vestígios arqueológicos de grande dimensão que não possibilitam a sua remoção (tal como restos de edificações) estes profissionais procedem ao seu registo no próprio local, nomeadamente, através de fotografias e do desenho de plantas. Após estas duas primeiras fases, que constituem aquilo que se designa por trabalho de campo, os arqueólogos procedem à análise laboratorial, fazendo a limpeza, tratamento e classificação dos objectos encontrados. Efectuam, ainda, a selecção e preparação dos objectos a serem expostos em museus.

É nesta terceira fase de pesquisa que os arqueólogos estudam os elementos recolhidos, formulam hipóteses explicativas e efectuam sínteses dos conhecimentos. Através dessas sínteses procuram chegar à formulação de conceitos que, com a ajuda de teorias já existentes, expliquem o desenvolvimento histórico da cultura ou grupo em estudo.

Os arqueólogos podem ter de actuar em situações de emergência, como quando existem obras que põem a descoberto vestígios arqueológicos até então desconhecidos, sendo, nestes casos, criados e enviados para o local piquetes de emergência. Deste modo, procuram desenvolver medidas para minimizar o impacto negativo que essas obras possam ter no património arqueológico podendo ser feitas alterações pontuais no projecto inicial. Só em casos excepcionais os achados arqueológicos são suficientemente importantes para justificar a anulação de obras de grande envergadura (ex.: barragem de Foz Côa). Em certos casos, a destruição parcial ou total dos vestígios arqueológicos poderá ser inevitável, nomeadamente por motivo de obras de superior interesse público, o que exige um registo prévio o mais exaustivo possível.

A fim de se minimizarem os riscos de destruição do património arqueológico devido a obras públicas ou privadas de grande amplitude, tem-se procurado, nos últimos anos, integrar arqueólogos nas equipas que elaboram os estudos de viabilidade e de impacto ambiental. A tendência actual é para substituir uma arqueologia de salvamento por uma arqueologia preventiva.

No contexto particular do trabalho em autarquias, a actividade dos arqueólogos pode ser desenvolvida em diversos campos: realizando escavações arqueológicas importantes para o estudo da história local, acompanhando obras de construção civil em zonas de potencial arqueológico, apoiando a realização de exposições e colóquios, a criação de museus e/ou parques arqueológicos, ou ainda colaborando em campanhas de sensibilização. Neste último caso, podem trabalhar, nomeadamente, junto das escolas, com o intuito de sensibilizar os jovens para os problemas relacionados com a conservação do património.

As novas tecnologias têm vindo a desempenhar um papel cada vez mais relevante na descoberta e análise de vestígios arqueológicos. Por exemplo, a introdução da informática veio possibilitar a criação de bases de dados aquando do levantamento de vestígios de uma dada região, que podem ser constantemente actualizadas e aperfeiçoadas, em substituição da tradicional "carta arqueológica" (mapa de levantamentos). Estas bases permitem, pois, uma maior eficácia na organização e análise da informação. Por outro lado, possibilitam que a informação circule melhor, através de redes de dados (designadamente através da Internet), proporcionando uma melhor interacção entre as equipas de arqueólogos que trabalham em diferentes locais e/ou para diferentes entidades.

É comum os arqueólogos trabalharem em equipa, quer com outros arqueólogos, quer com profissionais de outras áreas. Neste último caso, o trabalho em grupo depende muito das situações, sendo que, normalmente, o arqueólogo define a estratégia de actuação e depois coordena um grupo de pessoas, maior ou menor, geralmente composto por técnicos de arqueologia e desenhadores. Pontualmente, podem também integrar esses grupos outros especialistas, como geólogos ou antropólogos.

Devido à natureza da sua actividade, os arqueólogos necessitam de possuir alguns conhecimentos de outras áreas científicas, tais como, história, geologia, antropologia, geografia, informática, matemática, biologia, desenho, arte, religião, química e física, para poder dialogar com os especialistas dessas áreas. A utilização de conhecimentos destas áreas nas pesquisas que efectuam pode variar consoante o período de tempo que estão a estudar, o tipo de vestígios arqueológicos, ou ainda, a civilização e a cultura em causa. Os arqueólogos necessitam também de ter alguns conhecimentos de gestão, pois o seu trabalho inclui organização de pessoal e planeamento financeiro.

Persistência, bastante paciência, interesse pela investigação e um grande sentido de rigor na aplicação dos métodos de pesquisa são qualidades básicas para quem pretenda enveredar por esta profissão. Ter aptidão para desenho e fotografia e possuir alguns conhecimentos de informática, é igualmente aconselhável. É também necessário algum espírito de sacrifício e uma boa preparação física, pois é preciso estar preparado para trabalhar em condições climatéricas bastante difíceis ou em que o acesso às estações arqueológicas pode ser custoso, como é o caso de certas grutas ou locais escarpados. A actividade da prospecção para localizar novos sítios arqueológicos pode implicar grandes caminhadas, se bem que tenha o atractivo da novidade e do contacto com a natureza. Para quem não goste da rotina esta pode ser a profissão indicada, pois é bastante variada.

 

Emprego

No sector público, os principais organismos que empregam estes profissionais são as instituições de ensino superior, os serviços centrais da administração pública - maioritaria-mente através do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR) - e as autarquias. Existe um número crescente de arqueólogos que são profissionais liberais e acumulam esta situação com outra actividade profissional, nomeadamente na área do ensino.

A tendência actual é para que sejam as autarquias a empregar maior número de arqueólogos. Isto deve-se não só ao facto dos serviços centrais da administração pública apresentarem já sinais de saturação, mas também porque as autarquias têm um papel decisivo na conservação do património e na detecção de eventuais estações arqueológicas, dada a sua posição estratégica local. Por outro lado, o trabalho nas autarquias permite que os arqueólogos tenham uma maior proximidade com as populações e, por isso, possam ter um conhecimento mais imediato sobre uma eventual descoberta, o que possibilita uma actuação mais rápida (se dispuserem dos meios necessários).

No sector privado, são ainda poucas - mas em número crescente - as empresas que recrutam estes profissionais. Começa-se a notar alguma procura de arqueólogos, sobretudo por parte de empresas de engenharia ambiental, consultadoria e de construção civil e obras públicas, mas é ainda pouco relevante. De facto, são poucas as entidades com capacidade para criarem postos de trabalho efectivos, sendo a situação mais comum a entrega de tarefas pontuais a uma equipa de arqueólogos.

Por outro lado, começam a surgir algumas empresas de arqueologia na área da consultadoria e trabalho de campo, mas que apresentam alguns problemas de viabilidade económica, resultantes da dificuldade em arranjar uma boa carteira de clientes que permita, pelo menos, assegurar as despesas de funcionamento.

Em relação à distribuição geográfica destes profissionais, observa-se que a maioria se concentra sobretudo nos distritos de Lisboa (33%) e Porto (26%), segundo a Associação Profissional de Arqueólogos. Nas zonas do interior do país, a situação não é animadora para estes profissionais, que têm nas autarquias as melhores possibilidades de emprego, mas que não constituem, ainda, uma oferta significativa.

Deste modo, o mercado de trabalho para os arqueólogos não é ainda muito expansivo, embora comecem a surgir sinais positivos, devido essencialmente a uma opinião pública melhor informada e à vontade de muitas autarquias em valorizar o seu património arqueológico.

 

Formação e Evolução na Carreira

É de destacar a inexistência de licenciaturas específicas nesta área, que a existirem possibilitariam uma formação com uma componente técnico-prática mais profunda. A esta situação não é alheio o facto de só há relativamente pouco tempo (cerca de 20 anos) a arqueologia ter começado a ganhar terreno dentro das ciências sociais.

Assim, aqueles que quiserem enveredar por esta profissão têm de obter uma licenciatura em História com variante em Arqueologia:

Ensino Público

Licenciatura

Estabelecimento

História - variante de Arqueologia

Fac. de Letras da Univ. de Coimbra; Fac. de Letras da Univ. de Lisboa; Fac. de Ciências Sociais e Huma-nas da Univ. Nova de Lisboa; Fac. de Letras da Univ. do Porto

Fonte: Guia de Acesso ao Ensino Superior - Disciplinas Específicas 1997

Existe também um curso de estudos superiores especializados (CESE) em Arte, Arqueologia e Restauro, ramo de Arqueologia, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Tomar do Instituto Politécnico de Santarém, à qual podem ter acesso os detentores de um bacharelato em áreas afins. Para aqueles que estiverem interessados em aprofundar os seus conhecimentos existem alguns mestrados em Arqueologia.

A profissionalização nesta área está ainda mal definida, mas regra geral, enquanto aluno universitário pode-se começar por participar em escavações coordenadas por arqueólogos experientes. Já licenciados, os jovens arqueólogos estão habilitados para dirigirem escavações, o que deve ser feito, de início, com o apoio de arqueólogos mais experientes. Concluída esta etapa, tem sido da responsa-bilidade do Ministério da Cultura - órgão que tutela a área da arqueologia - decidir se já possuem condições técnico-científicas para assumir sozinhos a direcção de futuros projectos.

 

Condições de Trabalho

Devido ao trabalho de campo que têm de efectuar, é comum estes profissionais viajarem com frequência, tendo muitas vezes de permanecer nas regiões a estudar por longos períodos de tempo. Quando em trabalho de prospecção ou escavações, os arqueólogos costumam trabalhar ao ar livre, podendo também trabalhar em subterrâneos. Estão, por isso, sujeitos a trabalhar em condições algo precárias e a fortes esforços físicos. Nos meios urbanos, os riscos são acrescidos, pois existem mais situações de perigo (ex.: uma zona de trânsito intenso). Por estas razões, é aconselhável que estes profissionais tenham seguros de trabalho.

Como resultado da maioria dos arqueólogos trabalhar no sector público, a situação laboral mais frequente é a de trabalhador por conta de outrem. Pela mesma razão, a carga horária semanal habitual é de 35 horas. No entanto, quando estão a desenvolver trabalho de campo não existe normalmente limite de horário, pelo que muitas vezes pode - se trabalhar à noite.

 

Remunerações

Os arqueólogos são na sua maioria funcionários públicos, estando integrados na carreira de técnicos superiores do regime geral. Assim, segundo o que está determinado na lei para o ano de 1997, as suas remunerações são as seguintes: 161.500$00 para os estagiários (categoria mais baixa), podendo chegar aos 473.700$00 no escalão mais alto da categoria de assessor principal. aqueles que estiverem integrados nas universidades seguem a carreira de docente universitário e as remunerações podem variar entre 219.400$00 para os assistentes estagiários e os 723.800$00 para os professores catedráticos. Estes valores referem-se a remunerações ilíquidas. Importa ainda referir que a evolução dentro destas carreiras processa-se de acordo com a existência de vagas, o mérito e o tempo de serviço, havendo a considerar o facto de, por norma, ser uma progressão menos rápida do que aquela que se verifica no sector privado.

Na área da consultadoria podem receber bastante mais, mas só os profissionais com grande experiência e bastante prestígio conseguem exercer a sua profissão como consultores.

 

Perspectivas

Assiste-se actualmente a uma crescente preocupação pela protecção e conservação do património, pelo que a arqueologia deixou de ser apenas assunto de alguns para se tornar numa preocupação geral da sociedade. Exemplo disso é o trabalho desenvolvido por algumas autarquias. Recentemente, estas têm-se revelado como os maiores criadores de postos de trabalho para arqueólogos - actualmente cerca de 50 autarquias estão equipadas com gabinetes arqueológicos -, o que tem contribuído para criar uma nova dinâmica e uma maior profissionalização do sector. De facto, a médio/longo prazo a tendência será para que as câmaras contratem mais arqueólogos, pois a defesa efectiva do património tem tendência a ser feita, cada vez mais, ao nível local. Por outro lado, nos serviços centrais da administração pública a procura destes profissionais está saturada.

Também a falta de apoios e incentivos financeiros capazes de assegurar a investigação necessária e uma certa falta de coordenação entre os diversos projectos arqueológicos existentes, faz com que o arqueólogo português não tenha um leque muito variado de opções no que diz respeito a hipóteses de trabalho.

A área da consultadoria pode ser uma solução profissional a considerar, mas só para aqueles que apresentem um curriculum revelador de bastante experiência e saber, acrescido de algum prestígio no meio.

Apesar das actuais perspectivas de emprego para os arqueólogos não serem muito positivas, poderão, eventualmente, melhorar a longo prazo, desde que existam os apoios financeiros necessários. O facto do nosso país continuar a ser fértil em vestígios arqueológicos poderá representar um potencial mercado de trabalho para estes profissionais. Convém, todavia, chamar a atenção para o facto desta não ser uma profissão onde se ganha muito dinheiro, apesar de haver ainda muito por descobrir.

 

Contactos para Informações Adicionais

Associação dos Arqueólogos Portugueses, (no Museu do Carmo), Largo do Carmo, 1200 Lisboa, Tlf. (01) 3460473.

Associação Profissional de Arqueólogos, Apartado 242, 4431 Vila Nova de Gaia.

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