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Analista - Programador Eng. da Área Informática
Eng. Electrotécnico e Eng. Técnico Electrotécnico


ANALISTA-PROGRAMADOR

Natureza do Trabalho

Os analistas-programadores são responsáveis pela concepção e projecto de aplicações informáticas e pelo desenvolvimento, codificação, teste e documentação de programas destinados a comandar o tratamento automático de informação. Uma vez que estas funções eram desempenhadas, até há pouco tempo, por dois profissionais distintos - o analista de sistemas e o programador - os analistas-programadores desempenham um conjunto bastante variado de tarefas.

No âmbito da análise de sistemas, concebem e projectam sistemas que permitem o tratamento automático de informação, sejam eles de hardware (componentes físicos como por exemplo teclado, rato, monitor ou impressora) ou de software (programas como por exemplo Word, Excel, Corel ou Power Point). Com a concepção desses sistemas visam solucionar problemas da mais variada ordem: a simulação de voos através de monitores, para treino de pilotos, a facturação e a gestão de stocks, de uma qualquer empresa, por meios informáticos ou a comunicação via computador, entre indivíduos de um mesmo departamento ou organismo, etc.

A concepção e o projecto de sistemas de tratamento automático de informação exigem determinados procedimentos, por forma a que o produto final (o sistema) resolva correctamente os problemas que se propõe resolver. Deste modo, o analista-programador começa por consultar o utilizador (cliente), com o objectivo de conhecer as suas necessidades. Posteriormente, recolhe os dados considerados importantes para a execução do seu trabalho - no caso do cliente necessitar de um programa de gestão de stocks, procura obter, entre outros elementos, as referências dos produtos, os respectivos preços e a capacidade de armazenamento. Avalia a viabilidade económica do sistema e, caso seja positiva, utiliza diversas técnicas para projectar o sistema, tais como modelos matemáticos e amostragens. Elabora mapas onde especifica o sistema e antes de ser dado como pronto para utilização testa-o, verificando se corresponde integralmente aos fins pré-estabelecidos ou, caso contrário, se requer alguma modificação.

No âmbito da programação é responsável pela codificação, documentação, teste, manutenção e reparação dos programas informáticos. Para realizar estas tarefas utiliza as especificações e instruções elaboradas aquando da análise de sistemas. Deste modo, elabora um código designado por linguagem de programação (p. ex. LISP, Prolog ou C + +), que é interpretado pelo computador, documenta os programas introduzindo dados, e testa-os verificando se existe alguma modificação a introduzir. Para além destas tarefas, é habitual elaborar um manual de utilização do software, com o objectivo de facultar instruções aos utilizadores.

A atribuição das funções do analista de sistemas e do programador a um só profissional deveu-se, sobretudo, à evolução tecnológica, particularmente ao desenvolvimento de ferramentas CASE (Computer Assisted Software Engineering), que permitem realizar, automaticamente, algumas tarefas de rotina ligadas à programação. Desta forma, o programador e o analista de sistemas, no sentido tradicional, vão desaparecendo, enquanto o analista-programador se torna polivalente.

No entanto, a par da polivalência de funções, surge uma tendência para a especialização por campos de actividade, isto é, os analistas-programadores tendem a especializar-se em informática aplicada, por exemplo, à gestão, à saúde ou à indústria. Assim, e de acordo com a sua especialização, estes profissionais necessitam de trabalhar com gestores, médicos, engenheiros, etc.. Para além destes, e independentemente do campo de actividade em que os analistas-programadores são especialistas, eles trabalham, normalmente, com um engenheiro de sistemas.

As pessoas que optem por esta profissão devem caracterizar-se, fundamentalmente, por serem metódicas e organizadas, terem raciocínio lógico desenvolvido e capacidade de lidar com situações novas que surgem com frequência no dia-a-dia.

 

Emprego

As hipóteses de emprego para estes profissionais surgem tanto nas empresas privadas como nas públicas. Dentre as entidades empregadoras destacam-se as empresas que desenvolvem e vendem software, as que produzem computadores e/ou equipamento electrónico, os bancos, as seguradoras, os hospitais e os organismos públicos. Contudo, é nas pequenas e médias empresas revendedoras de material informático, que se observa uma maior presença destes profissionais, pois são elas as que mais se dedicam à incorporação, nos computadores, de programas de contabilidade, salários, stocks e outros directamente relacionados com a gestão de qualquer empresa.

Em relação à procura de profissionais no mercado de trabalho, verifica-se que ela ainda é superior ao número de candidatos disponíveis, apesar deste ter aumentado nos últimos anos. Esta situação reflecte-se no facto de alguns profissionais começarem a trabalhar antes de concluída a respectiva formação superior.

As regiões onde se concentram a maioria dos analistas-programadores coincide com aquelas onde há mais empresas/organizações e de maior dimensão, ou seja, os centros industriais e de serviços situados no litoral (Lisboa, Porto, Coimbra, Setúbal, Aveiro, Leiria, Braga e Faro). No entanto, pequenas e médias empresas das regiões do interior começam também a sentir a necessidade de empregar analistas-programadores, uma vez que o investimento em computadores que fazem a isso obriga.

 

Formação e Evolução na Carreira

Actualmente existem diversas entidades que ministram cursos de formação profissional nesta área, designadamente cursos de programação. Todavia, quem opte por este tipo de formação não terá a preparação técnica suficiente para competir com aqueles que optem por uma formação superior.

As hipóteses de escolha, que se apresentam aos candidatos que pretendem obter formação superior, são várias, quer no ensino público quer no ensino privado. Assim, para além de todos os cursos de Engenharia Informática (vd. Engenheiros da Área Informática - Formação e Evolução na Carreira ), existem outros, nomeadamente:

Ensino Público

Licenciaturas

Estabelecimentos

Engenharia de Sistemas e Computação

Univ. do Algarve (Faro)

Engenharia Electrotécnica e de Computadores

Fac. de Engenharia da Univ. do Porto; Inst. Sup. Técnico da Univ. Técnica de Lisboa

Informática

Fac. de Ciências da Univ. de Lisboa

Informática e Gestão de Empresas

Inst. Sup. de Ciências do Trabalho e da Empresa (Lisboa)

Informática de Gestão

Univ. do Minho (Guimarães)

Matemática Aplicada e Computação

Inst. Sup. Técnico da Univ. Técnica de Lisboa; Univ. de Aveiro

Matemática e Ciências da Computação

Univ. do Minho (Guimarães)

Matemática/Informática

Univ. dos Açores (Ponta Delgada); Univ. da Beira Interior (Covilhã)

Bacharelatos

Estabelecimentos

Engenharia de Electrónica e Computadores

 

Esc. Sup. de Tecnologia de Setúbal do Inst. Politéc. De Setúbal

Informática de Gestão

Esc. Sup. de Tecnologia e de Gestão de Bragança do Inst. Politéc. de Bragança; Esc. Sup. de Tecnologia e de Gestão de Bragança (Mirandela) do Inst. Poltitéc. de Bragança; Esc. Sup. de Gestão de Santarém do Inst. Politéc. de Santarém

Gestão Informática

Esc. Sup. de Tecnologia e Gestão de Seia do Inst. Politéc. da Guarda; Esc. Sup. de Tecnologia e Gestão da Guarda do Inst. Politéc. da Guarda

Fonte: Guia de Acesso ao Ensino Superior - Disciplinas Específicas 1997

Ensino Particular e Cooperativo

Licenciaturas

Estabelecimentos

Informática

Inst. Sup. de Matemática e Gestão (Lisboa); Univ. Autónoma de Lisboa Luís de Camões (Lisboa)

Engenharia Electrónica e Informática

Univ. Lusíada (Vila Nova de Famalicão)

Gestão de Sistemas e Informação

Univ. Atlântica (Queluz)

Gestão de Sistemas de Informação e Multimédia

Inst. Sup. de Línguas e Administração (Bragança e Vila Nova de Gaia)

Informática de Gestão

Univ. Autónoma de Lisboa Luís de Camões (Lisboa); Univ. Portucalense Infante D. Henrique (Porto); Univ. Fernando Pessoa (Ponte de Lima); Univ. Moderna (Lisboa); DINENSINO- -Ensino, Desenvolvimento e Cooperação (Beja); Inst. Sup. de Gestão (Lisboa); Inst. Sup. de Línguas e Administração (Lisboa, Bragança, Santarém e Leiria)

Informática/Matemáticas Aplicadas

Univ. Portucalense Infante D. Henrique (Porto)

Bacharelatos

Estabelecimentos

Informática

Inst. Sup. de Tecnologias Avançadas (Lisboa e Por-to); Inst. Sup. Politéc. Portucalense (Penafiel)

Electrotecnia e Computadores

Esc. Sup. de Tecnologias de Fafe

Engenharia dos Recursos Informáticos

Inst. de Electromecânica e Energia (Lisboa)

Informática de Gestão

Inst. Politéc. Autónomo (Lisboa); Inst. Sup. de Entre Douro e Vouga (Santa Maria da Feira); Inst. Sup. da Maia; Inst. Sup. de Matemática e Gestão (Lisboa, Marinha Grande, Castelo Branco, Fundão, Torres Vedras, Portimão); Esc. Sup. de Ciência e Tecnologia do Inst. Sup. Politéc. Gaya (Vila Nova de Gaia)

Fonte: Guia de Acesso ao Ensino Superior - Disciplinas Específicas 1997

As cadeiras fundamentais dos cursos que preparam os analistas-programadores são, entre outras, Álgebra, Linguagens de Programação, Arquitectura de Computadores e Sistemas Operativos, Metodologia e Tecnologia da Programação, Teoria da Computação e Sistemas de Informação e Base de Dados. Para além destas matérias, estes profissionais devem possuir bons conhecimentos em economia, gestão e inglês.

Como esta área profissional é profundamente marcada pela evolução tecnológica (algumas empresas lançam, regularmente, novos produtos no mercado), é imprescindível que, durante a vida activa, estes profissionais actualizem os seus conhecimentos. Isto poderá ser realizado através de cursos de formação profissional, de pós-graduações (por exemplo em Segurança e Auditoria Informática, Engenharia de Redes e Engenharia Multimédia) e/ou mestrados (designadamente em Informática, Estatística e Gestão da Informação, Sistemas e Tecnologia da Informação, Tecnologias de Informação e Sistemas, Engenharia Informática e Informática de Gestão). Esta actualização dos conhecimentos, a par de especializações em certos sectores em que a informática é aplicada (caso das finanças ou da medicina), é bastante importante para o sucesso na carreira.

A evolução na carreira processa-se, regra geral, da seguinte forma: começam por exercer funções de programação e só posteriormente enveredam pela análise de sistemas, que pode ou não ser acumulada com as funções de programação. O topo da carreira coincide com o desempenho de tarefas de consultadoria, auditoria e gestão, que regra geral exigem uma pós-graduação ou um mestrado nessa área.

Todavia, esta evolução rege-se por parâmetros que variam consoante o tipo de entidade empregadora. Tratando-se de funcionários de organismos públicos, progridem de acordo com o regime legal aplicável aos técnicos superiores de informática ou com o regime legal aplicável aos programadores, dependendo se são licenciados ou bacharéis. No âmbito da actividade privada, a evolução na carreira decorre da política preconizada por cada empresa ou sector, considerando-se, entre outros aspectos, a avaliação do desempenho, a experiência e os acordos entre as entidades patronais e os sindicatos.

 

Condições de Trabalho

Os analistas-programadores trabalham, normalmente, por conta de outrem, em empresas das mais variadas dimensões. Há, no entanto, profissionais que desenvolvem a sua actividade como trabalhadores independentes, afectos a determinados projectos. Existem, ainda, aqueles que acumulam as duas situações, trabalhando por conta de outrem durante o período normal de trabalho e prestando serviços a empresas ou a particulares após esse período.

Apesar de, habitualmente, trabalharem 40 horas por semana, os horários que praticam são muito flexíveis, necessitando por vezes de trabalhar 24 horas seguidas, mesmo durante o fim-de-semana, principalmente quando se trata de implementar um sistema. Em relação às compensações por esta situação, elas variam consoante a entidade empregadora, se bem que regra geral se traduzem em dias suplementares de descanso.

É normal o trabalho ser realizado em gabinetes confortáveis, equipados de forma a fazer face a um tipo de tarefas minuciosas, que exigem muita atenção, organização e método. Este é, por isso, um trabalho que provoca elevado sedentarismo, bem como alguns problemas de visão, uma vez que o contacto com os monitores dos computadores é quase permanente.

 

Remunerações

Os analistas-programadores afectos à administração pública são remunerados de acordo com a legislação em vigor. Os valores ilíquidos para 1997 variam entre 129.200$00 e 360.600$00 para os programadores (bacharéis) e entre 188.400$00 e 484.400$00 para os técnicos superiores de informática (licenciados).

No sector privado, e em início de carreira, os salários auferidos rondam os 120/130 contos líquidos. Com a evolução na carreira estes valores vão-se alterando, fruto da especialização escolhida, da possibilidade de trabalhar com hardware e/ou software específico para determinada utilização e que garanta uma certa exclusividade, da apetência e da experiência. Após alguns anos de actividade, podem auferir rendimentos de cerca de 350 contos. No topo de carreira (actividades de consultoria, auditoria e/ou gestão), os analistas-programadores, que trabalham por conta de outrem, podem receber ordenados de 500/600 contos mensais. Já os que trabalham como independentes, integrados em projectos, podem auferir cerca de 700 contos por projecto.

Os que trabalham por conta de outrem, além do salário, é comum usufruírem de um pacote de regalias, que varia consoante o tipo de entidade empregadora - no caso da banca, por exemplo, são concedidas taxas de juro com bonificações especiais, facilidade de acesso a linhas de crédito, automóvel, gasolina, cartão de crédito, despesas de representação e, em situações pontuais, habitação.

 

Perspectivas

Este é um campo de actividade em constante evolução, uma vez que é profundamente marcado pelas transformações tecnológicas que caracterizam todos os aspectos relacionados com a informática, como sejam as ligações em rede, as bases de dados, as linguagens de programação, os monitores ou os processadores. Por outro lado, o desenvolvimento tecnológico na área da informática tem sido acompanhado por um alargamento do campo de intervenção, pelo que actualmente quase todas as actividades fazem uso de dispositivos informáticos.

Analista-programador continuará, assim, a ser uma profissão com boas perspectivas de futuro, dado que a procura continuará a existir. No entanto, é importante ter em conta que as entidades empregadoras exigirão, cada vez mais, uma especialização em determinada área, bem como a actualização permanente dos conhecimentos.

Dentre as áreas de actividade que apresentam uma acentuada tendência para aumentar a procura destes profissionais, destacam-se as seguintes:

- inteligência artificial, quer no ramo da investigação, quer no da aplicação, cuja intervenção é visível, por exemplo, na medicina (diagnóstico automático de doenças), na indústria (condução dos processos de fabrico) e na geologia (prospecção mineral e petrolífera);

- telecomunicações, sector em que a crescente utilização de meios que permitem comunicar através da voz (telefones móveis), da imagem (teleconferência) ou de dados (computadores) provoca a criação e desenvolvimento de hardware e software adequados;

- investigação operacional, onde se lida sistematicamente com cálculos, pelo que é essencial o recurso a computadores e a programas apropriados;

- linguística, área em que a procura de profissionais se deve, entre outros factores, ao aumento da oferta de software relacionado com a língua (é o caso dos dicionários em CD Rom).

 

Contactos para Informações Adicionais

Ass. Portuguesa de Informática - Av. Almirante Reis, 127 - 1º Esq. 1100 Lisboa, Tlf. (01) 3145787

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