Áreas Profissionais
Ambiente
Arquitectura e Design
Ciências Agrárias
Ciências Biológicas
Ciências Empresariais
Ciências Sociais e Humanas
Comunicação
Informática e Electrónica
Turismo
Pistas para Consultar o Guia
Índice de Profissões
Sugestões/Comentários
Procura de Emprego
Tendências do Mercado de Trabalho

Escritor Jornalista
Linguista Secretário
Técnico de Relações Públicas Tradutor e Intérprete


JORNALISTA

Natureza do Trabalho

Os jornalistas são os profissionais que elaboram e redigem artigos, crónicas, reportagens e noticiários, com vista à sua divulgação, baseando-se num conjunto de informações que recolhem sobre determinados factos e acontecimentos. O principal objectivo destes profissionais é captarem a realidade em todas as suas dimensões, procurando informar os cidadãos, em seu entender, da melhor forma possível.

Para tal, os jornalistas utilizam diversas técnicas de recolha de informação: entrevistam pessoas, aplicam inquéritos, consultam documentos e fazem observação directa, deslocando-se aos locais onde os factos acontecem. Em alguns casos, estes profissionais contactam pessoas consideradas importantes fontes de informação (em matérias políticas, por exemplo, indivíduos ligados ao poder político), recorrem às agências noticiosas nacionais e internacionais (como a Agência Lusa ou a FrancePress) e obtêm informações junto dos seus colegas correspondentes.

Os jornalistas-correspondentes são aqueles profissionais que recolhem informações dos factos ocorridos na região ou no país para onde se deslocam como representantes de um determinado órgão de comunicação social. Uma vez recolhidas e seleccionadas as informações, estes profissionais redigem noticiários e enviam--nos por telefone, telex, telefax, satélite ou qualquer outro meio. Por exemplo, é comum as estações de televisão colocarem correspondentes permanentes nos países dos quais necessitam de obter informações com mais frequência (por exemplo, nos Estados Unidos da América ou nalguns países da União Europeia).

Os jornalistas desenvolvem a sua actividade de diferentes maneiras, consoante o tipo de acontecimentos que noticiam. Enquanto alguns destes profissionais recolhem informações de factos mais simples de noticiar (como um acidente rodoviário ou a visita de uma celebridade), outros há que noticiam acontecimentos mais complexos e que podem exigir várias semanas de investigação (como um escândalo político ou uma negociação importante entre empresas). Outros ainda dedicam-se apenas a informar sobre uma ou outra área em que se tornaram especialistas, tais como economia, política, desporto, relações internacionais, cultura ou acontecimentos sociais, entre outras. Existem também profissionais que, além da cobertura de notícias, fazem crónicas e/ou artigos de opinião sobre determinados temas.

A actividade dos jornalistas é diferenciada em função do meio de comunicação social (ou mass-media) em que trabalham, nomeadamente televisão, rádio, imprensa diária e não-diária ou agências noticiosas. Por exemplo, os textos utilizados em rádio e em televisão são necessariamente concisos, dado que o tempo disponível para transmitir cada notícia é reduzido. Pelo contrário, um jornalista de imprensa pode especificar um elevado número de informações nos textos que redige. A própria linguagem utilizada é diferente, consoante se escreva para um ou para outro meio de comunicação. Os jornalistas que trabalham na televisão têm, além da informação escrita, que se preocupar com as imagens que a acompanham e com a sua transmissão oral, nomeadamente quando fazem reportagens filmadas ou quando apresentam noticiários televisivos. Os jornalistas da rádio, dado que têm a voz como único suporte de comunicação, preocupam-se essencialmente com a sua dicção, de modo a que os ouvintes percebam claramente o que se diz.

O desenvolvimento das novas tecnologias tem, naturalmente, facilitado o trabalho dos jornalistas. Do ponto de vista técnico, a televisão e a rádio são as principais beneficiadas, principalmente no que diz respeito à rapidez com que se obtém informação: hoje em dia, é bastante comum a transmissão de directos, graças à existência de satélites, carros com transmissores e telemóveis, entre outros meios, permitindo a divulgação de acontecimentos em tempo real. Do ponto de vista das fontes jornalísticas, a Internet e os arquivos computadorizados permitem aos jornalistas aceder com maior rapidez e facilidade à informação disponível. A própria redacção dos textos é simplificada com o uso do computador, dado que este permite manusear facilmente o texto, quando se procede às suas alterações ou revisões. O aspecto gráfico dos jornais e revistas tem igualmente melhorado graças à aplicação da informática às artes gráficas.

Atendendo às características da profissão, é necessário que os jornalistas tenham conhecimentos o mais abrangentes possível. Daí que a curiosidade e um espírito observador sejam atributos importantes para quem deseje vir para esta profissão. Com base naquilo que observam, os jornalistas devem também perceber com facilidade quais os acontecimentos que fazem uma boa notícia e que merecem, por isso, uma cobertura jornalística, atendendo à sua actualidade e pertinência. É fundamental ainda que tenham um bom domínio da escrita e que conheçam o maior número possível de línguas estrangeiras.

Estes profissionais devem, igualmente, ter uma preocupação especial na confirmação das informações que obtêm - principalmente quando são especializados em áreas complexas como a economia ou a política. Assim, é importante que criem uma boa carteira de contactos, isto é, que conheçam um largo número de pessoas bem informadas que possam constituir fontes jornalísticas importantes e que sejam capazes de validar ou desmentir informações obtidas através de outras fontes. Essa confirmação é essencial para estes profissionais, uma vez que uma notícia que não corresponda à verdade, além de desinformar o público, põe em causa quer o profissionalismo do próprio jornalista, quer o órgão de comunicação social responsável pela sua emissão, quer ainda o bom nome dos visados.

Os jornalistas necessitam de contar com a colaboração de outros profissionais, quer na elaboração das notícias, quer na sua emissão. Na rádio e na televisão, por exemplo, têm de trabalhar em coordenação com a equipa técnica (produtores e operadores, entre outros), sem a qual seria impossível emitir o noticiário. Além disso, quando fazem reportagens no exterior, fazem-se acompanhar por colegas, designadamente pelo operador de câmara. Os jornalistas contam ainda com as orientações dadas pelos directores, chefes de redacção ou editores e chefes de secção. Tais orientações podem incidir em aspectos tão diversos como a encomenda de um trabalho jornalístico ou a imposição de um número mínimo ou máximo de páginas na redacção de um artigo.

 

Emprego

A maioria destes profissionais trabalha por conta de outrem em empresas ligadas à comunicação social, tais como empresas jornalísticas, agências noticiosas, emissoras de televisão e de rádio e empresas que produzam documentários cinematográficos de carácter informativo. Destas empresas, as que mais jornalistas empregam, no nosso país, são as ligadas à imprensa.

Por outro lado, a maior parte dos jornalistas trabalha em órgãos de expansão nacional, enquanto uma pequena minoria se divide pelos de âmbito regional e local. Além disso, são os grandes centros urbanos, nomeadamente Lisboa e Porto, a absorver o maior número de jornalistas, uma vez que os órgãos de comunicação social tendem a localizar-se junto dos centros de decisão (principalmente políticos e económicos).

Nos últimos anos, o sector da comunicação social tem conhecido uma evolução bastante positiva no nosso país, com reflexos directos na procura dos jornalistas no mercado de trabalho. Surgiram canais televisivos privados, existem estações radiofónicas para todo o tipo de público e a imprensa conta actualmente com um número bastante diversificado de publicações diárias e não-diárias. Este fenómeno tem levado a que muitos jornalistas, empregados em determinados órgãos de comunicação, prestem colaborações externas para outras entidades. Contudo, este sector parece mostrar agora os primeiros sinais de saturação e, em consequência do aumento acelerado da oferta e do número de cursos superiores criados na área da comunicação social, rapidamente se criou um excedente de mão-de-obra.

Dado o excesso de profissionais no mercado, muitos jornalistas optam por trabalhar nas áreas de marketing, relações públicas, assessoria de imprensa e publicidade. Esta opção implica, todavia, um afastamento da actividade jornalística: segundo o Estatuto do Jornalista (Dec.-Lei n.º 388/79), o desempenho destas funções, entre outras, é incompatível com o exercício da profissão de jornalista.

 

Formação e Evolução na Carreira

De acordo com a legislação em vigor, a possibilidade de exercer a profissão de jornalista não depende da posse de uma formação académica específica, sendo só exigido o 12º ano de escolaridade. Contudo, a tendência por parte das entidades empregadoras é a de exigirem profissionais cada vez mais qualificados, em resultado da concorrência no mercado de trabalho e do número elevado de cursos na área da comunicação social.

Quem desejar, por isso, recorrer ao ensino superior para enveredar por esta profissão tem ao seu dispor alguns cursos em Jornalismo e Comunicação Social, que são os mais directamente vocacionados para a actividade jornalística. Além destes, existem outros cursos, mais abrangentes e também na área da comunicação, que possuem opções curriculares em jornalismo ou que podem fornecer a quem os frequenta instrumentos de trabalho e conhecimentos benéficos. No nosso país, os cursos superiores existentes na área da comunicação são, nomeadamente, os seguintes:

Licenciaturas

Estabelecimentos

Ensino Público

Ciências da Comunicação

Fac. de Ciências Sociais e Humanas da Univ. Nova de Lisboa

Comunicação Social

Inst. Sup. de Ciências Sociais e Políticas da Univ. Técnica de Lisboa, Univ. da Beira Interior (Covilhã) e Univ. do Minho (Braga)

Jornalismo

Fac. de Letras da Univ. de Coimbra

Ensino Particular e Cooperativo

Ciências da Comunicação

Univ. Fernando Pessoa (Porto), Univ. Autónoma de Lisboa Luís de Camões e Univ. Independente (Lisboa)

Comunicação

Inst. Sup. de Línguas e Administração (Santarém)

Ciências da Comunicação e da Cultura

Inst. Sup. de Matemática e Gestão (Lisboa)

Ciências da Informação

Inst. Sup. de Serviço Social de Coimbra

Universidade Católica Portuguesa

Comunicação Social e Cultural

Fac. de Ciências Humanas da Univ. Católica Portuguesa (Lisboa e Leiria)

Fonte: Guia de Acesso ao Ensino Superior - Disciplinas Específicas 1997 e Universidade Católica Portuguesa

Em relação aos bacharelatos, estes existem nos seguintes estabelecimentos:

Bacharelatos

Estabelecimentos

Ensino Público

Ciências da Comunicação

Esc. Sup. de Educação de Faro da Univ. do Algarve

Comunicação

Esc. Sup. de Educação de Coimbra do Inst. Politéc. de Coimbra

Comunicação Social

Esc. Sup. de Educação de Setúbal do Inst. Politéc. de Setúbal e Esc. Sup. de Educação de Viseu do Inst. Politéc. de Viseu

Jornalismo

Esc. Sup. de Comunicação Social de Lisboa do Inst. Politéc. de Lisboa

Jornalismo e Comunicação

Esc. Sup. de Educação de Portalegre do Inst. Politéc. de Portalegre

Comunicação e Relações Públicas

Esc. Sup. de Educação da Guarda do Inst. Politéc. da Guarda

Comunicação e Relações Económicas

Esc. Sup. de Educação da Guarda do Inst. Politéc. da Guarda

Ensino Particular e Cooperativo

Comunicação e Jornalismo

Inst. Português de Estudos Superiores (Lisboa)

Comunicação Social

Esc. Sup. de Jornalismo (Porto)

Jornalismo

Inst. Sup. de Administração, Comunicação e Empresa (Guarda) e Inst. Sup. de Ciências da Informação e da Administração (Aveiro)

Fonte: Guia de Acesso ao Ensino Superior - Disciplinas Específicas 1997

Todavia, há muitos jornalistas com formações académicas em outras áreas que não a de comunicação, nomeadamente direito, economia, sociologia, relações internacionais e literaturas e línguas, entre muitas outras. Quem não quiser optar pelo ensino superior, tem ainda a possibilidade de frequentar, entre outros, um curso de formação profissional designado de Formação Geral em Jornalismo, ministrado pelo Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR), com sede em Lisboa.

Existem, assim, muitas hipóteses formativas para quem quiser ser jornalista, mas é necessário considerar as vantagens e as desvantagens em frequentar determinado tipo de curso. Por exemplo, as licenciaturas na área da comunicação, como implicam mais anos de estudo, permitem conhecer melhor as teorias da comunicação e dão uma abrangência maior de conhecimentos. Contudo, algumas delas podem ser muito generalistas e não transmitir a prática necessária, enquanto outras têm um carácter principalmente prático. Quem queira optar por uma solução equilibrada pode, por exemplo, diplomar-se num curso superior na área da comunicação ou do jornalismo e complementá-lo com um curso de formação profissional dedicado a recém-diplomados ou finalistas destas áreas.

Independentemente da formação, quem desejar ser jornalista profissional necessita de realizar um estágio num órgão de comunicação social, durante o qual se obtém um título provisório de jornalista estagiário, por intermédio da Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas. O período de estágio é normalmente de 2 anos, podendo este prazo ser reduzido, de acordo com a formação que se possui: por exemplo, quem possui um curso superior em Jornalismo/ /Comunicação Social só necessita de estagiar durante um período de 18 meses.

Após finalizado o estágio, dever-se-á requerer àquela Comissão a carteira profissional, que constitui prova do título profissional adquirido. Somente com esta carteira é possível ao jornalista possuir certos direitos, como o acesso às fontes de informação oficiais e a garantia de sigilo profissional (isto é, o direito de recusar a revelar as suas fontes de informação), por exemplo. Uma vez obtida a carteira, a evolução profissional dos jornalistas depende das convenções colectivas do sector em que desenvolvem a sua carreira. De acordo com o estabelecido na lei, a evolução dos jornalistas que trabalham na imprensa obedece às seguintes regras:

- os jornalistas distribuem-se por 6 categorias designadas de grupos;

- a passagem entre os três primeiros grupos é obrigatória após três anos de permanência (mas pode ser efectuada após um ano de permanência), independentemente do jornalista mudar ou não de entidade patronal;

- o acesso aos três últimos grupos, bem como a respectiva passagem entre eles, faz-se por iniciativa da empresa, segundo proposta do director à administração.

Muitos jornalistas, além da elaboração de noticiários (ou até em sua substituição), tornam-se também responsáveis pela coordenação e orientação dos trabalhos desenvolvidos pelos restantes colegas, ocupando cargos de direcção, chefia e edição. Para estes cargos, não existem regras globais de promoção, quer trabalhem na imprensa, quer em qualquer outro meio de comunicação social. A sua ocupação resulta, sobretudo, do mérito revelado no desempenho da actividade profissional e das necessidades da entidade empregadora.

 

Condições de Trabalho

Atendendo às características da sua profissão, os jornalistas saem frequentemente dos seus locais de trabalho, quer estes sejam a redacção do jornal, a cabina de som ou o estúdio de televisão. Algumas das vezes, estas deslocações implicam apenas a visita a bibliotecas ou arquivos de documentação. Outras vezes, é necessário recolher depoimentos, assistir a conferências de imprensa ou relatar certas ocorrências em directo. Em alguns casos, estes profissionais são enviados para outras regiões ou países para realizar documentários ou noticiar acontecimentos internacionais importantes (como a realização de eleições num determinado país, por exemplo). Noutros casos ainda, fixam residência nos locais para onde são enviados pela entidade empregadora e trabalham como correspondentes.

Os horários dos jornalistas são, em regra, bastante flexíveis e dependem sobretudo do tipo de órgão de comunicação social para o qual se trabalha. Em termos legais, os jornalistas devem trabalhar 35/36 horas semanais, mas a organização do horário é da responsabilidade do jornalista e de acordo com as necessidades do momento. Algumas das vezes, todavia, esse número de horas é ultrapassado: existem jornalistas que trabalham para vários órgãos de comunicação social e outros optam pela isenção de horário, principalmente os jornalistas de imprensa. Esta isenção tem as suas vantagens e desvantagens: por um lado, permite ao jornalista organizar o seu tempo da melhor forma, mas, por outro, não considera horas extraordinárias. E, muitas vezes, a necessidade repentina de noticiar um acontecimento pode obrigar um jornalista a trabalhar durante várias horas seguidas para além do que seria normal.

A pressão para a elaboração das notícias é, aliás, uma das grandes dificuldades que os jornalistas sentem no seu dia-a-dia. Na televisão, o facto das notícias serem divulgadas em directo implica que as peças jornalísticas estejam todas preparadas para ir para o ar e que os jornalistas estejam prontos para entrar em directo com os estúdios, quando for caso disso. O stress é também muito frequente nas redacções dos jornais, em particular nos jornais diários, onde o tempo disponível até ao fecho da edição é uma ameaça permanente. Nos jornais semanais, essa pressão também existe, mas concentra-se mais nas vésperas da publicação do jornal.

Nas rádios, a pressão sentida é menor (algumas reportagens são gravadas e utilizadas em várias emissões), mas é exigida a presença constante de jornalistas para a transmissão das notícias, inclusive durante o período da noite. Por essa razão, é comum os jornalistas de rádio trabalharem por turnos.

 

Remunerações

Os rendimentos auferidos pelos jornalistas são bastante diversificados, havendo diferenças salariais muito acentuadas (por vezes, entre profissionais das mesmas categorias e nos mesmos locais de trabalho), pois os valores pagos dependem de vários factores, tais como a experiência profissional de cada um, o prestígio junto do público, as características do contrato assinado com a entidade empregadora ou a capacidade financeira desta.

Dada esta indefinição, as remunerações dos jornalistas resultam, sobretudo, da capacidade de negociação que cada um tem e/ou da política salarial praticada pela entidade empregadora. Daí que seja natural haver profissionais muito bem pagos - com ordenados a variar entre os 400 e os 800 contos mensais - e outros com remunerações ao nível do salário mínimo nacional. Apesar desta situação, existem valores legais a ser aplicados aos jornalistas da imprensa não-diária (negociados pela respectiva organização sindical), designadamente:

Cargos e Categorias

Remunerações Mínimas Brutas

Director

175.500$00

Director-adjunto ou subdirector

159.900$00

Chefe de redacção

146.800$00

Chefe de redacção adjunto

139.900$00

Editor e chefe de secção

128.700$00

Jornalista do VI grupo

139.900$00

Jornalista do V grupo

132.600$00

Jornalista do IV grupo

119.300$00

Jornalista do III grupo

110.400$00

Jornalista do II grupo

101.200$00

Jornalista do I grupo

88.200$00

Estagiário do 2º ano

74.900$00

Estagiário do 1º ano

66.200$00

Fonte: Bol. Trab. Emp., 1ª série, nº 41, 8/11/1994 (em vigor desde 01.07.94)

Ainda segundo o estabelecido legalmente, estas remunerações podem sofrer alterações de acordo com as tiragens médias das publicações, com a posse ou não de isenção de horário de trabalho e com a existência ou não de um contrato de exclusividade (que obriga o jornalista a trabalhar para uma única entidade patronal).

Além das remunerações, estes profissionais têm direito a subsídio de refeição e a diuturnidades (aumentos do vencimento em função dos anos de serviço), bem como a subsídios de compensação quando realizam serviços externos (com duração superior a um dia e fora do distrito onde se localiza o seu local de trabalho). Quem trabalha em regime de isenção de horário, tem também direito a uma compensação salarial que pode variar entre 25% e 40% do ordenado. Como benefício social, estes profissionais têm ainda direito a uma caixa de previdência específica que lhes garante ajuda financeira para despesas de saúde.

 

Perspectivas

Apesar da evolução favorável do sector da comunicação social nos últimos anos, as perspectivas existentes são menos optimistas. Os órgãos de comunicação social, para sobreviverem financeiramente, necessitam de obter receitas através da publicidade que fazem. Actualmente, estas fontes de rendimentos parecem estar ameaçadas, pois o mercado publicitário, após um crescimento acelerado, começa a atingir os seus limites (dado que os órgãos de comunicação social existentes são tantos que as empresas não podem recorrer a todos para publicitarem os seus produtos e serviços). Além disso, e no caso da imprensa, o número de publicações existentes parece ser excessivo, quando considerados os hábitos de leitura dos portugueses, pelo que o seu volume de vendas fica, em alguns casos, aquém do desejado.

Por estas razões, a procura dos jornalistas tenderá a ser mais reduzida nos próximos anos. Além disso, o excedente de profissionais que há actualmente e o elevado número de formações académicas existentes parecem agravar este desequilíbrio entre a procura e a oferta no mercado de trabalho. Todavia, enquanto houver acontecimentos a noticiar existirá a necessidade de recrutar jornalistas para o fazer, pelo que estes profissionais serão sempre precisos.

Assim sendo, quem optar por vir para esta profissão terá que contar com um mercado de trabalho diversificado e alargado, mas bastante competitivo e, por vezes, agressivo. O sector da informação e da comunicação (e dentro dele o jornalismo) encerra grandes potencialidades e quem quiser desenvolver uma carreira nesta área terá que apostar fortemente no seu valor profissional. Uma formação académica adequada, um espírito observador e criativo e a actualização constante de conhecimentos (designadamente no que se refere ao uso das novas tecnologias, com destaque para a Internet) constituem trunfos importantes para quem deseje vir a ser jornalista.

 

Contactos para Informações Adicionais

Sindicato dos Jornalistas, R. Duques de Bragança, 7-1º Dt.º, 1200 Lisboa, Tlf. (01) 3464354.

topo