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LINGUISTA

Natureza do Trabalho

Os linguistas são os profissionais que se dedicam ao estudo das línguas, designadamente no que se refere à sua origem, evolução e estrutura. São eles, por exemplo, que elaboram dicionários, gramáticas e outros materiais respeitantes à linguagem oral ou escrita. O estudo científico das línguas compreende diversas áreas, tais como:

- a fonética, que estuda os sons da fala, nos planos articulatório e acústico; a fonologia, que estuda os sons das diferentes línguas enquanto elementos veiculadores de significado; a ortografia, que se ocupa das convenções da escrita;

- a morfologia, que estuda a forma das palavras, fornecendo critérios para a adaptação do vocabulário de uma língua às necessidades decorrentes do progresso do conhecimento (esclarecendo, por exemplo, que em português será normal dizer-se "computadorizado", mas não "computorizado", ou que "interveio" e "entretive-me" são formas normais, mas "interviu" e "entreti-me" não são);

- a lexicologia e a lexicografia, que se dedicam ao estudo do vocabulário de uma língua, atendendo à história, à forma e ao significado das palavras (são estas áreas que permitem caracterizar o significado das palavras de uma determinada língua e criar dicionários) e; no âmbito destes estudos, inclui-se a terminologia, que permite a elaboração de dicionários de termos técnicos (como, por exemplo, os utilizados na medicina ou na psicologia);

- a sintaxe, que se dedica ao estudo da forma estruturada das frases e dos textos mais complexos, tratando em particular as questões da articulação estrutural e da ordem das palavras, das concordâncias entre elas e das suas interdependências; por exemplo, é a sintaxe que explica a razão por que frases como "não sei que rapazes convidaram as minhas irmãs" ou "o Pedro disse à Ana que lhe assaltaram a casa" podem ter pelo menos duas interpretações, ou a razão por que uma sequência como "as conclusões estavam previstas serem apresentadas no próximo mês" é considerada agramatical por muitos falantes do português;

- a semântica, que se ocupa da combinação do significado das palavras em unidades complexas, da aplicação, nas frases, de valores de sistemas como a afirmação/negação, a quantificação, o tempo, o modo, a modalidade, a pressuposição ou a implicatura e ainda dos processos de raciocínio através da linguagem; por exemplo, é a semântica que permite distinguir as diferentes interpretações de frases como "dez estudantes compraram cinquenta livros" ou de "o assaltante esteve aqui entre as 15 e as 17 horas";

- a linguística histórica, que se ocupa da origem e evolução das línguas, nomeadamente das influências de umas línguas sobre outras; uma das suas subáreas é a etimologia, que se ocupa das palavras, explicando, por exemplo, que a palavra "psicologia" originalmente significa o "estudo da alma", dado que "psikhé" significa "alma" e "lógos" significa "estudo", no grego antigo.

Os linguistas dedicam-se também ao estudo dos factores que influenciam a linguagem. Por exemplo, a sociolinguística procura explicar a interferência de factores sociais no plano da linguagem, enquanto a psicolinguística investiga a forma como a nossa percepção da realidade determina a linguagem e o modo como esta condiciona a nossa visão do mundo.

O trabalho que desenvolvem nas diferentes áreas da sua especialidade tem, por outro lado, pontos de contacto com múltiplas actividades de outros domínios. Entre estes, conta-se, por exemplo, o da terapêutica da fala, que se ocupa das alterações patológicas da linguagem. Também no campo da tradução o trabalho dos linguistas pode ter aplicação, especialmente no que respeita à tradução técnica e científica, que exige grande rigor linguístico, incompatível com o erro ou a ambiguidade. Dados os seus conhecimentos, são também estes profissionais os mais indicados para a revisão de texto (nas editoras livreiras, por exemplo) ou até para a actividade de redacção (de livros técnicos, manuais ou guias de instruções, por exemplo).

Como o conhecimento científico de uma língua implica a realização de inúmeros estudos e o volume de informação obtido é imenso, estes profissionais dependem cada vez mais da informática. Actualmente, existem já alguns programas informáticos que auxiliam os linguistas, bem como cadeiras de informática em certos cursos superiores desta área. O uso do computador pode desempenhar, de resto, diferentes funções no trabalho destes profissionais. Antes de mais, porque o processamento, a análise e a revisão de textos são tarefas morosas, que a informática facilita, permitindo poupar tempo e armazenar grandes volumes de informação. Em segundo lugar, o computador abre o acesso a bases de dados lexicais e ainda a corpora, isto é, a massas muito grandes de texto - jornalístico, científico, jurídico, de linguagem oral, etc. - que fornecem informações fundamentais para a elaboração de gramáticas, dicionários e outros materiais. Finalmente, o computador funciona não só como meio de ensaio de hipóteses linguísticas mas também como instrumento para a construção de múltiplos produtos informáticos relacionados com a linguagem, como, por exemplo, correctores ortográficos e sintácticos, dicionários electrónicos, sistemas de diálogo homem-máquina, sistemas de resumo de texto, sistemas de tradução ou materiais didácticos para o ensino de línguas. Assim sendo, quem desejar ir para esta profissão deverá saber usar software e rentabilizar o seu trabalho com a ajuda da informática.

Do encontro da linguística com a informática, decorre uma diversificação ainda maior do perfil do linguista. De facto, a par do linguista de perfil tradicional, com uma sólida cultura humanística, em geral poliglota, amante da leitura, dotado de apurada sensibilidade linguística e curioso de tudo o que diga respeito a qualquer língua humana e à cultura que a moldou, emerge agora a figura do linguista mais alicerçado no conhecimento lógico, matemático e computacional. Em qualquer dos casos, porém, o espírito científico constitui um requisito indispensável, pois a linguística é cada vez mais uma ciência positiva que constrói hipóteses acerca dos princípios reguladores do seu objecto de análise - a linguagem humana.

 

Emprego

Um dos sectores em que o linguista tem um papel a desempenhar é o das organizações e empresas em que é crucial a produção de textos com requisitos de elevado rigor. Assim sendo, deverão ser as entidades públicas as principais empregadoras destes profissionais, nomeadamente ministérios, institutos públicos e outras organizações que, dada a sua natureza, publicam grande volume de documentos. As editoras livreiras são também entidades empregadoras importantes, uma vez que necessitam de profissionais habilitados para a elaboração de dicionários e traduções e para a redacção e revisão de textos (técnicos, científicos e literários).

A investigação e o ensino constituem saídas profissionais igualmente importantes: alguns destes profissionais continuam nas universidades a desenvolver os seus estudos, enquanto outros se dedicam à docência. As disciplinas que os linguistas podem leccionar no ensino secundário dependem das línguas escolhidas durante a licenciatura, sendo as mais comuns o inglês, o francês e o alemão (além do próprio português, naturalmente).

Nas empresas privadas (com excepção das editoras), a procura dos linguistas é reduzida, uma vez que estas empresas não estão ainda conscientes da sua utilidade. É bastante habitual encontrar pessoas com formação na área das línguas e literaturas ou da tradução a desempenhar funções para as quais os linguistas estão mais habilitados. Além disso, algumas entidades empregadoras preferem recorrer aos linguistas só em caso de necessidade, não os empregando efectivamente - encontram-se, por isso, alguns linguistas a trabalhar em regime de freelance.

As dificuldades de emprego resultam também da existência de profissionais de outras áreas que optam por complementar a sua formação universitária com um mestrado em Linguística e que concorrem com os linguistas que possuem uma formação completa. Este pode ser o caso de jornalistas, bibliotecários-documentalistas, tradutores ou até profissionais de relações públicas, entre outros. Essas dificuldades variam, ainda, em função da zona geográfica de trabalho: a procura dos linguistas concentra-se, na sua maior parte, nos centros urbanos das grandes cidades, pois é aqui que se localizam as suas principais entidades empregadoras.

 

Formação e Evolução na Carreira

Quem desejar ser linguista, tem duas opções: licenciar-se em Linguística ou, após a obtenção de uma licenciatura em Línguas e Literaturas, obter uma pós-graduação na área. Enquanto os cursos em Línguas e Literaturas existem em largo número no nosso país, só existem duas licenciaturas em Linguística (e no ensino público), designadamente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e na Faculdade de Letras da Universidade (Clássica) de Lisboa. Quanto aos mestrados, estes existem em Lisboa, Porto e Coimbra e podem ser em Linguística, Linguística Geral, Consultoria de Língua Portuguesa, Linguística Portuguesa Descritiva, entre outros.

Uma vez concluída a formação superior adequada, os linguistas têm perspectivas de carreira diferentes, consoante a entidade que os empregue e as opções profissionais tomadas. Caso optem pelo sector público, os linguistas iniciam a sua carreira como técnicos superiores estagiários, evoluindo de acordo com as regras da administração pública, ou seja, com base no mérito evidenciado, no tempo mínimo de serviço efectivo na categoria e na existência de vagas. Caso se dediquem à investigação, existem também regras próprias de evolução na carreira: iniciam-se como investigadores estagiários e podem chegar ao topo de carreira como investigadores-coordenadores. Alguns linguistas preferem acumular a investigação com a docência, em especial no ensino superior, pois os estabelecimentos universitários são locais privilegiados para a investigação, dados os meios de informação disponíveis. Assim, através de mestrados, doutoramentos e outras provas académicas, estes profissionais iniciam as suas carreiras como assistentes estagiários e podem ascender a professores catedráticos.

Quando trabalhadores nas editoras livreiras e outras empresas, os linguistas não têm, em regra, grandes perspectivas de carreira, pois desempenham sobretudo trabalhos técnicos como redacção, tradução e revisão de textos. A evolução profissional dos que exercem a sua actividade por conta própria é sobretudo visível na qualidade e na quantidade dos seus trabalhos.

 

Condições de Trabalho

As condições em que estes profissionais desenvolvem a sua actividade são variáveis. Caso trabalhem por conta de outrem, quer em organismos da administração pública, quer em empresas privadas, desenvolvem o seu trabalho em gabinetes e com um horário estabelecido pela entidade empregadora. Quando trabalham por conta própria, têm como única restrição os prazos de entrega dos seus trabalhos. Nesta modalidade, o seu trabalho pode ser desenvolvido em casa e nos períodos de tempo mais convenientes. Os linguistas que se dedicam à fonética ou à fonologia trabalham, por vezes, em laboratórios (designados laboratórios de fonética), onde realizam experiências com diversa aparelhagem que permite a medição, o registo gráfico e a análise dos componentes físicos da linguagem humana.

 

Remunerações

As remunerações dos linguistas variam de acordo com as áreas profissionais em que estão empregados. Aqueles que estejam empregados em empresas privadas terão remunerações bastante variadas, dependendo estas da empresa (dimensão, prestígio), do tipo de trabalho efectuado e da sua situação laboral, isto é, de trabalharem ou não como independentes. Sendo independentes, recebem de acordo com os trabalhos que realizam. Os linguistas que trabalham na administração pública, integrados na carreira de técnico superior, começam por ganhar 161.500$00/mês (valores ilíquidos para 1997). Para aqueles que optam pela investigação, dentro da administração pública, as remunerações são as seguintes:

Categorias

Remunerações Ilíquidas

(escalão mais baixo)

Investigador-Coordenador

625.100$00

Investigador Principal

482.600$00

Investigador Auxiliar

427.700$00

Assistente de Investigação

296.100$00

Investigador Estagiário

219.400$00

Fonte: Direcção-Geral da Administração Pública (1997)

Quem preferir aliar a investigação à docência no ensino superior receberá rendimentos de acordo com a tabela salarial estabelecida:

Categorias

Remunerações Ilíquidas

(escalão mais baixo)

Professor Catedrático

625.100$00

Prof. Associado c/ agregação

537.400$00

Prof. Associado / Prof. auxiliar c/ agregação

 

482.600$00

Professor Auxiliar

427.700$00

Assistente e Leitor

296.100$00

Assistente Estagiário

219.400$00

Fonte: Direcção-Geral da Administração Pública (1997)

Caso um linguista leccione no ensino secundário, o seu ordenado mensal pode variar entre os 114.100$00 e os 473.400$00 (valores ilíquidos para 1997).

 

Perspectivas

Apesar das dificuldades existentes, as hipóteses de emprego dos linguistas apresentam perspectivas animadoras. Com efeito, o lado mais prático da formação destes profissionais (consultadoria nos media e noutras entidades, texto técnico e científico, aplicações computacionais, terapia da fala, etc.) cria mais hipóteses de emprego além do ensino e da investigação. As empresas e as indústrias parecem ser potenciais empregadoras destes profissionais, em particular as ligadas ao comércio externo e as que publicam um número elevado de documentos.

Contudo, para que a procura dos linguistas aumente no mercado de trabalho nacional, é necessário que sejam os próprios a promover a difusão dos seus conhecimentos e a convencer as entidades empregadoras da sua utilidade, em especial os organismos públicos. Em profissões como esta, ainda não muito reconhecidas no mercado, a melhor estratégia é a procura activa de emprego, através do envio de candidaturas espontâneas (com cartas de apresentação) a eventuais entidades empregadoras e da colocação de anúncios em jornais ( vd. Procura de Emprego ).

 

Contactos para Informações Adicionais

Departamentos, gabinetes, centros de estudo e centros de investigação na área das letras e da linguística dos estabelecimentos de ensino superior.

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