Áreas Profissionais
Ambiente
Arquitectura e Design
Ciências Agrárias
Ciências Biológicas
Ciências Empresariais
Ciências Sociais e Humanas
Comunicação
Informática e Electrónica
Turismo
Pistas para Consultar o Guia
Índice de Profissões
Sugestões/Comentários
Procura de Emprego
Tendências do Mercado de Trabalho

Escritor Jornalista
Linguista Secretário
Técnico de Relações Públicas Tradutor e Intérprete


TÉCNICO DE RELAÇÕES PÚBLICAS

Natureza do Trabalho

Os técnicos de relações públicas são os profissionais que planeiam, organizam e conduzem actividades com vista à promoção de uma organização junto dos seus públicos interno (empregados) e externo (comunidade local, fornecedores, clientes, investidores, entidades públicas e cidadãos em geral). O seu método de trabalho consiste em analisar os objectivos e a actividade da organização e saber qual a opinião que esta suscita. Após essa análise, concebem e aplicam estratégias de relações públicas capazes de melhorar a imagem da organização e procuram saber se essa imagem foi ou não melhorada. De acordo com os resultados obtidos, concebem e aplicam novas estratégias, desenvolvendo um esforço constante na promoção da organização.

No plano interno, os técnicos de relações públicas preocupam-se, sobretudo, com as estratégias e os fluxos de comunicação interna, com a imagem que os trabalhadores têm da organização e com a cultura organizacional existente (sistema de crenças, expectativas e valores partilhados pelos elementos de uma determinada organização). Tentam saber, por exemplo, quais os aspectos da organização que os empregados consideram ser negativos e que medidas gostariam de ver implementadas para os melhorar. Para esse efeito, aplicam questionários ou entrevistas, analisam as respostas dadas e comunicam as suas conclusões e recomendações à direcção.

Estes profissionais podem ainda ser solicitados pela direcção para sugerirem qual a melhor forma de divulgar aos trabalhadores uma decisão considerada impopular (como a reestruturação da empresa, por exemplo) e, posteriormente, saberem como os trabalhadores reagiram ao tomar conhecimento dessa decisão. São também iniciativas destes técnicos a recepção e o acompanhamento de novos trabalhadores, a divulgação de notícias do interesse dos empregados e a organização de actividades recreativas e desportivas, entre outras.

No plano externo, uma das suas principais preocupações é definir quais os valores institucionais da organização que devem ser promovidos. Numa instituição financeira, por exemplo, um técnico de relações públicas necessita de desenvolver uma estratégia que associe a essa instituição uma imagem sólida e de segurança, capaz de suscitar confiança aos seus potenciais clientes (levando-os a entregar os seus valores financeiros à instituição). Para que essa imagem seja transmitida aos públicos-alvo, estes técnicos analisam e dão pareceres sobre as formas de comunicação externa que a organização utiliza e a informação que é transmitida.

Participam, por isso, na preparação das estratégias de marketing e publicidade, nos contactos com os órgãos de comunicação social e na elaboração e divulgação das publicações da organização. Podem, por exemplo, organizar conferências e festas para lançamento de produtos e/ou serviços, escrever artigos promocionais para a imprensa e coordenar a produção de vídeos sobre a organização. Nalguns casos, fazem também visitas guiadas e prestam esclarecimentos sobre a organização, a sua actividade, objectivos, historial, serviços e/ou produtos. A promoção das relações da organização com a comunidade envolvente é também importante. Por exemplo, um técnico de relações públicas de uma fábrica - cuja actividade produz efeitos ambientais nocivos e em que a opinião dos residentes da região sobre ela é negativa - pode aconselhar a direcção a fazer investimentos, nessa zona, capazes de alterar tal imagem, tais como a criação de espaços verdes e a promoção ou o patrocínio de actividades recreativas locais.

Por outro lado, estes profissionais devem assegurar que a comunicação se faça nos dois sentidos, ou seja, devem garantir que o exterior também comunique com a organização. Ouvem, por isso, clientes, fornecedores, visitantes e consumidores e promovem a realização de estudos de mercado e sondagens para saber os interesses e as necessidades destes públicos e qual a opinião que têm sobre a organização. Em caso de conflito com um determinado cliente, por exemplo, devem actuar como mediadores entre a organização e o cliente, tendo em vista a sua resolução. Além disso, estão atentos a todos os factores externos que podem contribuir para o sucesso da organização: tendências de mercado, gostos dos consumidores, novas tecnologias de comunicação, eventos sociais e políticos relevantes para a organização, etc.

As técnicas de comunicação em relações públicas não devem, todavia, ser aplicadas para manipular a opinião pública ou como forma de propaganda, pois o seu objectivo não é enganar o público, mas destacar os aspectos positivos da organização e promovê-la. Estes especialistas devem ser, por isso, pessoas com forte respeito pelo dever de informar. Além disso, necessitam de ter uma excelente capacidade de comunicação e dominar com profundidade a língua portuguesa, nas formas escrita e oral: é preciso saber redigir brochuras, artigos ou relatórios e falar com diferentes tipos de pessoas, designadamente jornalistas, empregados da organização, gestores e público em geral.

As pessoas que optam pela carreira de relações públicas necessitam de ter uma personalidade extrovertida, empreendedora, criativa, auto-confiante e uma atitude capaz de motivar os outros. A capacidade de organização e planeamento é também importante, para que consigam lidar simultaneamente com diferentes actividades. É essencial ter um forte domínio da psicologia interpessoal (estudo das relações entre pessoas), uma elevada disponibilidade para os outros e um grande conhecimento da sociedade, o que requer um esforço constante de actualização de conhecimentos. Uma aparência física cuidada e uma boa apresentação são qualidades também desejáveis nesta profissão.

 

Emprego

As principais entidades empregadoras destes profissionais são as grandes organizações, públicas e privadas, que possuem departamentos de relações públicas, designadamente câmaras municipais, serviços de utilidade pública, organismos nacionais, empresas produtoras de bens e instituições financeiras (bancos, seguradoras). Algumas empresas, no entanto, não possuem departamentos próprios dessa área, mas contratam estes técnicos para trabalhar em coordenação com outros departamentos, tais como o de marketing e o de recursos humanos. As embaixadas, as organizações culturais e cívicas, as agências de publicidade, os hotéis e os locais de diversão nocturna oferecem também algumas oportunidades de emprego. Nos últimos anos, o aparecimento de empresas ou gabinetes de consultadoria que prestam serviços externos na área das relações públicas tem ainda contribuído para um pequeno aumento das hipóteses de emprego nesta área.

A situação do mercado de trabalho é, no entanto, pouco animadora. As entidades empregadoras com departamentos de relações públicas são poucas e as restantes empregam um número reduzido de profissionais. Por outro lado, o elevado número de cursos ministrados no nosso país tem criado uma oferta de mão-de-obra qualificada excessiva perante as oportunidades de emprego que existem. Além disso, quem possui qualificações académicas na área tem que contar com a concorrência de outras pessoas não especializadas e que são contratadas com base noutros factores, tais como o conhecimento da organização, boa apresentação e aptidão para o contacto com o público. Por estas razões, muitas das pessoas com formação própria acabam por arranjar ocupações em actividades ligadas à publicidade e ao marketing, como a realização de estudos de mercado e a gestão de produtos e marcas.

A maioria destes profissionais trabalha nas cidades de Lisboa e Porto, pois é nos grandes centros urbanos que se localizam as suas principais entidades empregadoras.

 

Formação e Evolução na Carreira

Quem pretenda frequentar o ensino superior para enveredar por esta profissão, tem ao seu dispor diversos cursos especificamente destinados para a área das relações públicas, nomeadamente:

Ensino Público

Bacharelatos

Estabelecimentos

Comunicação e Relações Económicas

Esc. Sup. de Comunicação da Guarda do Inst. Politéc. da Guarda

Comunicação e Relações Públicas

Esc. Sup. de Comunicação da Guarda do Inst. Politéc. da Guarda

Comunicação Empresarial - Relações Públicas

Esc. Sup. de Comunicação Social do Inst. Politéc. de Lisboa

Ensino Particular e Cooperativo

Licenciaturas

Estabelecimentos

Comunicação Empresarial

Inst. Sup. de Comunicação Empresarial (Lisboa)

Relações Públicas e Publicidade

Inst. Sup. de Novas Profissões (Lisboa)

Bacharelatos

Estabelecimentos

Relações Públicas e Publicidade

Inst. Sup. de Paços de Brandão (Lourosa)

Relações Públicas

Inst. Erasmus de Ensino Superior (Ponte de Lima), Inst. Sup. da Maia, Inst. Sup. de Administração, Comunicação e Empresa (Porto), Inst. Sup. de Ciências da Informação e da Administração (Aveiro) e Inst. Sup. de Entre Douro e Vouga (St.ª M.ª da Feira)

Gestão de Pessoal e Relações Públicas

Inst. Sup. de Ciências Empresariais e do Turismo (Porto)

Fonte: Guia de Acesso ao Ensino Superior - Disciplinas Específicas 1997

Além destes, existem também muitos outros cursos na área da comunicação - alguns dos quais com opções curriculares em relações públicas - que conferem conhecimentos importantes para o desempenho desta profissão ( vd. Jornalista - Formação e Evolução na Carreira ). No ensino não-superior, existem ainda várias escolas profissionais que leccionam cursos em técnicas de comunicação, marketing, relações públicas e publicidade. Uma formação capaz de dar um conhecimento abrangente e completo nesta área deve incluir como cadeiras nucleares teorias e técnicas de comunicação, assim como métodos e técnicas de investigação, complementadas com cadeiras das áreas da sociologia, psicologia e gestão de empresas (como gestão de recursos humanos, por exemplo).

O facto das formações específicas na área das relações públicas e afins serem relativamente recentes e de ainda não existir uma carreira e um estatuto profissional para estes técnicos tem conduzido, no entanto, a que muitos empregadores recrutem profissionais com outras formações. Jornalistas, assessores de imprensa, profissionais da área da psicologia social ou da sociologia são, algumas vezes, convidados para trabalhar como técnicos de relações públicas.

Alguns dos conhecimentos necessários para o exercício desta profissão são obtidos com a experiência profissional, designadamente no domínio da psicologia interpessoal, decorrente do contacto frequente com os públicos da organização. A capacidade de perceber as mutações das realidades sociais e de ser capaz de reflectir e agir sobre elas em proveito da organização é também resultado dessa experiência. Todavia, é sempre benéfico, no decorrer da carreira, aprofundar os conhecimentos apreendidos na formação académica e adequá-los à organização em que se trabalha. No nosso país, as pós-graduações específicas nesta área são escassas, havendo, no entanto, algumas possibilidades na área da comunicação social. No estrangeiro, existem mestrados e seminários internacionais que podem contribuir para a actualização de conhecimentos.

Por norma, as perspectivas de evolução na carreira são muito reduzidas para estes profissionais, com excepção das grandes empresas que oferecem planos de carreira definidos. Nestas empresas, o profissional começa a trabalhar na qualidade de técnico de relações públicas estagiário, passando a técnico júnior, a técnico sénior e, caso haja um departamento próprio de relações públicas, pode ir até director de serviços.

 

Condições de Trabalho

A actividade de relações públicas é desenvolvida, na maior parte do tempo, em gabinetes, mas obriga a deslocações frequentes, dentro e fora da organização. Nalgumas organizações, pode implicar também viagens ao estrangeiro para contactos e reuniões de promoção internacional. Dada a natureza desta actividade, a disponibilidade exigida aos seus profissionais ultrapassa, várias vezes, o horário normalmente estabelecido de 40 horas semanais: é necessário cumprir prazos, entregar artigos e discursos, participar em acontecimentos sociais e, ocasionalmente, responder a situações imprevistas de crise ou emergência.

A capacidade de trabalhar em situações de stress é geralmente exigida, dado que é habitual estes profissionais estarem envolvidos, simultaneamente, em várias actividades. Além disso, necessitam de manter uma atitude receptiva e bem-disposta para com os outros em todas as situações, o que pode ser bastante extenuante ao fim de um dia de trabalho. Fora do local de trabalho, é ainda necessário alguma dedicação na preparação de certas actividades e um esforço constante de actualização de conhecimentos que obriga a prestar bastante atenção à comunicação social.

 

Remunerações

Os rendimentos auferidos por estes profissionais são bastante variáveis e dependem, sobretudo, da entidade empregadora e da experiência profissional de cada um. Em regra, e nas grandes e médias empresas, os técnicos de relações públicas estagiários começam por ganhar cerca de 100 contos mensais. Após o estágio, a remuneração mensal pode variar entre os 120 e os 150 mil escudos e, no decorrer da carreira, pode chegar aos 200/300 contos mensais. Em topo de carreira, as grandes empresas com departamento de relações públicas podem pagar ao seu director de serviços cerca de 500 contos/mês. Além do ordenado, alguns empregadores oferecem regalias adequadas ao nível hierárquico do profissional (seguros, despesas de representação, carro, etc.).

 

Perspectivas

Nos últimos anos, a maioria das organizações tem tomado consciência da importância das técnicas de comunicação, em virtude do aumento da competitividade empresarial e das exigências dos consumidores, clientes e empregados. A procura de técnicos de relações públicas tem, por isso, aumentado, bem como o número de formações académicas existentes nesta área. Contudo, esta tendência levou a que, actualmente, haja um excesso de profissionais qualificados perante as oportunidades de emprego existentes. Embora se preveja que estas oportunidades continuem a aumentar nos próximos anos, prevê-se, também, que continuem a não ser suficientes para absorver a futura mão-de-obra com formação específica na área das relações públicas (ou da comunicação social).

Por essa razão, o futuro mercado de trabalho de relações públicas pertencerá, sobretudo, aos técnicos com forte experiência profissional, grande capacidade de comunicação e um elevado nível de criatividade. Além disso, prevê-se que a procura destes profissionais se desloque gradualmente para as empresas de prestação de serviços externos em relações públicas, em detrimento da procura de trabalhadores para os quadros das organizações.

Quem pretenda enveredar por esta profissão deve, portanto, investir o mais possível na sua formação e experiência profissional. Uma das estratégias que pode trazer alguns resultados positivos é a realização de estágios profissionais não-remunerados, após a conclusão da formação académica. Outra estratégia consiste em tentar conseguir emprego nas áreas afins às relações públicas, designadamente em gestão de recursos humanos, marketing e publicidade. Optar por estudar num estabelecimento de ensino reconhecido pelo mercado e com fortes contactos com o mundo empresarial pode também contribuir para uma mais rápida entrada no mercado de trabalho.

 

Contactos para Informações Adicionais

Departamentos, gabinetes, centros de estudo e centros de investigação na área da comunicação social dos estabelecimentos de ensino superior.

topo