PLACAS DE PROCESSAMENTO AUDIOVISUAL

A norma MPC 2 define a necessidade de equipar o computador multimédia com uma placa de som com qualidade próxima do disco compacto audio (44.1 kHz) e uma placa gráfica.

Para compreender o funcionamento e importância das placas gráficas de vídeo dir-se-à que um écran de monitor estandartizado, de 14 polegadas, afixa, em regra, uma imagem de 640 x 480 pixels. Dado que cada pixel pode suportar 16,7 milhões de cores, isso significa que uma imagem fixa no écran pode ter um «peso» específico de 900 kbs de informação. Para transferir essa imagem da memória da máquina para a unidade central de processamento e desta para o écran é necessário que o computador esteja equipado com placas gráficas de boa qualidade e o fluxo de informação deve fluir por vias capazes de permitir a circulação da informação eidética a grande velocidade.

Bus é um neologismo curto que substitui a expressão via de circulação interna por onde transita a informação. Os primeiros protocolos dessas auto-estradas foram definidos pela norma I.S.A., auto-estradas com oito ou dezasseis faixas, que permitem o trânsito de blocos de informação organizados em 8 ou dezasseis octetos, fluxo que chega ao seu destino à cadência de 1 ou 2 megabytes por segundo.

Hoje, os mais recentes computadores multimédia deverão estar equipados com vias que possibilitem volumes de tráfego muito maiores dado que o débito e os fluxos de informação interna são bastante superiores. Assim se chegou às normas E.I.S.A., e M.C.A., cuja arquitectura de trinta e duas faixas possibilita um fluxo de informação mais rápido. O bus PCI é o mais recente circuito electrónico de transferência de dados estandartizado pela firma Intel.

À saída dos buses encontram-se as placas dotadas de unidades de processamento específico, seja de som, de imagem fixa ou de vídeo digital. A função destas placas consiste em proceder ao tratamento da informação em milésimos de segundo e restituí-la no écran ou nos altifalantes com o máximo de qualidade. É evidente que a relação entre o preço da placa e a sua qualidade de reprodução é directamente proporcional.

O mesmo acontece com a placa de compressão /descompressão de vídeo digital. Para obedecer à norma multimédia esta unidade deve ser conforme às estandartizações consignadas por JPEG, (Joint Picture Expert Group) e MPEG (Motion Picture Expert Group)

As normas DVI e AVI. são variações do conceito de compressão de imagem digital e, cada uma delas, intenta impor-se como norma mundial, sem todavia conseguirem cabalmente os seus objectivos.

Para capturar uma fonte de vídeo exterior estas placas necessitam de estar equipadas com entradas de vídeo para o processamento e compressão, mas se o utilizador estiver apenas interessado em fruir do vídeo digital, nesse caso, necessita de equipar a máquina com uma placa que faça somente a descompressão de vídeo, segundo uma das normas actualmente em vigor.

PLACAS DE SOM

No domínio das placas sonoras a evolução rápida também é regra. Começaram por permitir digitalizações de som com 8 bits a uma frequência de 22 kHz. A título de comparação, note-se que nos telefones a digitalização sobre 8 bits corresponde a uma frequência de 8 kHz e a frequência dos sons arquivados no CD audio corresponde digitalização sobre 16 bits a uma frequência de 44.1kHz.

As modernas placas de som também já estão equipadas com microprocessador especializado, o DSP que permite obter valores semelhantes aos que se conseguem para o CD Audio. Porém, esta qualidade só é conseguida se o computador multimédia estiver equipado com um leitor de CD-ROM de velocidade tripla ou quádrupla, uma vez que o débito de informação sonora digital tem de fluir a velocidades superiores a 450 Kbytes/s, a fim de poder ser processada sem que os fenómenos de eco sejam perceptíveis. O processador DSP pode desempenhar este papel mas o risco de incompatibilidade destes componentes ainda é relevante.

A sofisticação dos componentes digitais só muito recentemente começou a ter equivalência nos aparelhos de restituição do som. Refiro-me às colunas que equipam a maioria dos computadores multimédia e dos televisores para o CD-i. São, na maioria dos casos, aparelhos que restituem de modo medíocre a qualidade sonora que algumas máquinas já disponibilizam. No caso dos PC's multimédia o elo mais fraco do sistema é invariavelmente o par de colunas que, ou estão integradas na caixa do computador, ou são adquiridas como acessório complementar, de fraca qualidade. Algumas excepções já acontecem no caso do CD-i sobretudo se o utilizador seguir as instruções do fabricante que aconselha ligar o sector audio da máquina à aparelhagem de alta fidelidade que, costuma estar próxima do televisor. Nesses casos, a fruição musical é potenciada de forma significativa dado que a qualidade dos 44,1 kHz pode ser apreciada em plenitude.

Excerto extraído da obra Multimedia de A a Z, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1997.